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Batalha de Versões - Ponte para Terabithia



Muitas vezes bons livros conseguem se tornar populares o suficiente para caírem na boca do povo, fazendo com que sua demanda seja cada vez mais alta até chegar no mais alto dos patamares a que um livro pode chegar, tornar-se um filme. Toda uma expectativa para com os fãs da obra, contratação de atores, todos os cenários que o leitor idealizou em sua mente ali! Ao alcance de seus olhos mais visível do que nunca e... A adaptação da história para que ela possa se encaixar em um filme acontece.
Não me entendam mal, na trajetória das adaptações, muitas conseguirem ser o mais fieis possíveis a história original, outras nos trouxeram um novo modo de enxergar aquilo que já conhecíamos sem desmerecer a obra original. E... temos ponte para Terabithia.


Enquanto o livro nos enriquece com diversas informações sobre família, amizade, vida escolar entre muitos outros aspectos da vida de um pré-adolescente (com alguns estereótipos bem fortes, mas que na visão do livro são bem esclarecidos) o filme cria um universo que não só confunde quem está assistindo, mas até mesmo os personagens presentes em sua trama.

Então vamos lá, o filme “Ponte para Terabithia” dirigido por Gábor Csupó (O segredo do vale da lua) foi lançado em 2007, baseado em um livro de mesmo nome escrito pela autora Katherine Paterson e publicado no ano de 1977(1999 no Brasil). Ambos contam a história de Jesse Aarons, um garoto que sofre de bullying na escola, tem problemas em casa, sua família é pobre e é o único filho homem entre cinco filhos. Um dia, um casal se muda para uma casa perto da sua e ele conhece a filha deles, Leslie Burke que apresenta uma imaginação que consegue cativar o garoto iniciando assim uma amizade. Ambos acham um lugar na floresta que decidem chamar de Terabithia, um reino (de faz de conta ou não) em que eles eram Rei e Rainha e podiam escapar das dificuldades que enfrentavam na escola e em casa.

Como proposto pelo meu excelentíssimo mestre Kapan, teremos uma batalha de versões entre o filme e o livro! Dentre alguns aspectos presentes, vou compara-los (da melhor forma possível) e direi qual é a melhor versão.

Vou deixar bem claro, não estou dizendo em momento algum que o filme é ruim. Somente que o livro pode se sobressair em alguns detalhes. Se discordar de algum ponto, vamos conversar e debater um pouco sobre com muito amor carinho no coração ok?

E vamos ao que importa, BATALHA DE VERSÕES -> START!

1- História

  

   


De forma simples, ambos apresentam a mesma história, os garotos se encontram, uma amizade começa, eles “criam” Terabithia e o resto alterna entre a terra mágica, escola e acontecimentos nas casas de ambos. No ponto da história pura e simples o filme foi extremamente fiel. O problema começa quando você quer entender os porquês da história e eu vou exemplificar.


Os problemas de Jesse em casa, o pai ignorar ele, a mãe também não aparentar dar muita atenção, só quando tem alguma ordem ou trabalho para dar; as duas irmãs mais velhas são chatas e mimadas e as duas mais novas são um ótimo exemplo daquele estilo de criança de filmes antigos, meio manhosas, mas sem maldade no coração. No filme, quando você tenta entender o porquê da relação entre Jesse e seu pai ser tão vazia...


Nop, nada que te explique de forma concreta isso. Você sabe que tem algo, pode até imaginar, mas o filme não te dá a certeza e o mesmo se aplica a mãe, o tratamento dela com as filhas é diferente do que ela dá ao garoto, e nunca lhe é explicado isso. A forma como Jesse se sente também nunca é explorada, ele só fica com um olhar sério de como se ele não se importasse com mais nada.



Enquanto no livro, enxergamos a carga emocional que tudo isso pesa no Jesse, como ele realmente se sente mal pela distância que ele tem com o pai e como ele sente falta de um carinho que nunca teve.

“Jess viu o pai parar o caminhão e se inclinar para destravar a porta, para que May Belle pudesse entrar. Virou-se para o outro lado. Menina de sorte. Ela podia correr para junto do pai, abraçá-lo e dar um beijo nele. Era uma coisa que dava um aperto de dor por dentro: toda vez que Jess via o pai pegar as pequenas e pôr nos ombros, ou se abaixar para abraçá- las. Tinha impressão de que fora considerado grande demais para essas coisas desde o dia em que nascera. ”


E logo após:

“— Hoje você se atrasou um pouco com essa ordenha, não foi, filho?
Foi a única coisa que o pai disse diretamente a ele, a noite toda. ”


Você consegue sentir o peso dessas palavras. O jeito como Jesse ficou, como ele se sentiu.
Também temos a forma como a mãe atende aos caprichos das filhas mais velhas (do jeito que a família consegue, mas atende) e... Temos o Jesse.


“— Vamos, Jesse. Vamos acabar com essa preguiça e levantar logo desse banco. As tetas de Miss Bessie já devem estar quase arrastando no chão, de tão cheias de leite. E você ainda tem que ir colher vagem.
Preguiçoso. Então o preguiçoso era ele. Deu mais um minuto de descanso à cabeça em cima da mesa. ”


Senhoras e senhores, quem realiza praticamente todas as tarefas daquela casa é o pobre Jesse, enquanto as mais velhas reclamam por aí ou saem com amigos e as mais novas são muito jovens para realizar as tarefas.

A fixação de Jesse pela grande corrida que acontece nos recreios da escola. Vejam bem, esse é um ponto bem emocional da história.



No livro, Jesse treina todos os dias das férias de verão (faça chuva ou faça sol) para as corridas do recreio por que ele deseja a atenção do pai.

“Talvez o pai ficasse tão orgulhoso que até se esquecesse de como ficava cansado de viajar diariamente a Washington, e de cavar e carregar peso o dia inteiro. Ia até deitar no chão e brincar de luta com ele, como costumavam fazer havia muito tempo. O Velho ia ficar surpreso ao constatar como ele tinha ficado forte nos últimos dois anos. ”

Some isso com a falta que ele sente do pai e a inveja da atenção que as mais novas ganham e pronto! Você consegue sentir a dor do garoto.

Enquanto isso o filme nos passa a impressão de que o Jesse quer ganhar a corrida, por ganhar. Só isso. Sério. Ele PRECISA ganhar. Só. Por que? Não tem, ele quer ganhar, tem que ganhar. Fim.


A corrida nos leva a outro personagem, a doce Leslie. O filme meio que nos apresenta uma noção de tempo até que a relação dos dois garotos fiquei mais forte, porém... não é tão bem trabalhado como deveria ser. Me desculpem, mas eu sempre tive a impressão que no filme o Jesse via ela como uma menina doida e que ele relevava isso por que ao mesmo tempo ela era legal e dava atenção para ele. Quando comparamos a forma como a amizade deles foi construída no livro, o que é apresentado no filme é muito fraco. Num contexto básico do filme funciona, porém, após assistir algumas vezes você começa a estranhar como a amizade deles foi desenvolvida ao longo do filme.


Vamos a um veredito. A história do filme funciona, porém, após assisti-lo mais de uma vez, algumas inconsistências começam a aparecer, o que passa a ser um pouco incomodativo. O livro por outro lado tem uma história bem sólida, a carga emocional é mais pesada e clara, e a forma como a história é explorada encima do personagem principal e dos secundários é precisa, informando exatamente aquilo que é preciso para se entender cada personagem.

Filme 0 x 1 Livro


2- Personagens principais

                                                              (Por que essa doida tá me olhando)



Aqui começamos a ter divergências um tanto quanto grandes entre livro e filme. Jesse e Leslie são bem interpretados no filme, porém sua profundidade não consegue chegar no mesmo ápice da obra original. 


No filme, Leslie parece uma garota.... Diferente. Como eu disse anteriormente, se dá a impressão de que o próprio Jesse por um tempo não acha ela muito normal, algumas vezes tive a impressão que ele olhava pra ela como se fosse uma doida e isso realmente não é muito distante do que a personagem apresentada realmente aparenta. Enquanto no livro Leslie é uma personagem doce, curiosa, um tanto inocente e realmente, diferente no seu jeito de ver o mundo, o filme explorou isso ao extremo, transformando a garota naquela típica adolescente diferente de todos, que age estranho e pensa estranho. As melhores qualidades foram exageradas demais. No filme funciona? Sim. A atriz é cativante. A personagem é um clichê exagerado. (E isso não torna a personagem ruim, só... é estranha)


O Jesse também teve suas características exageradas no filme. Ele é quieto? Sim. Mas não é tão antissocial quando o filme dá a entender. Ele vive em uma situação difícil, sua vida em casa e na escola não é fácil, ele é uma criança TIMIDA, mas não tão grosso quanto o longa apresenta. 

Todo esse exagero auxilia e complica ao mesmo tempo quando tentamos entender a amizade dos dois, funciona ao mesmo tempo que força a relação dos dois.


Os sentimentos do personagem são mais bem explorados no livro, o que é o esperado, afinal, É UM LIVRO, mas isso não deveria impedir o filme de conseguir o mesmo. A trilha sonora oferece uma grande ajuda nesse quesito, mas expressar os sentimentos do personagem ao longo do filme foi confiado totalmente nas expressões do ator.... O que não funcionou tão bem assim.


                                Jesse com olhar de peixe morto o filme todo se expressando no filme.  



Os personagens no contexto isolado do filme são bons e funcionam, mas estamos numa batalha de versões, e é impossível negar que o livro aborda melhor os personagens principais e sua relação.

Filme 0 x 2 Livro

3- Terabithia (Terra encantada ou não tão encantanda assim)

                                           Sim, vamos comparar a terra mágica em que os dois “viveram” suas aventuras.



O filme ganha um ponto fácil nesse tópico. Por que? Por que eu quero. No livro, é fácil você esquecer de terabithia, ele se foca mais na vida dos dois garotos na “vida real” e terabithia serve mais como uma válvula de escape. Aquelas brincadeiras que toda criança tem de um lugar só deles, logo, a terra mágica fica em segundo plano na história. O filme lhe dá um pouco mais de destaque e o torna especial, pelos efeitos bem feitos e pelos adolescentes em boa parte do filme estarem interagindo com terabithia de alguma forma. Isto nos ajuda a ver uma coisa: O filme é um pouco mais centrado na história ao redor de Terabithia em conjunto com os eventos da vida dos garotos, enquanto o livro tem seu real foco na vida deles e em seu relacionamento.


Então sim, ponto para o filme!

Filme 1 x 2 Livro


4-Momento de impacto supremo


                                                             SIM, ESSE É O NOME DO ULTIMO TÓPICO. (Não me julguem)
               
               

Ao final do filme e do livro temos um momento emocional muito forte, que é efetivo no filme e no livro. Por que darei o ponto para o livro se os dois tiveram êxito? Muito simples. 

Como falei lá em cima, o pai de Jesse não liga para o garoto. O pai mostra isso no filme, mas não vemos isso refletido tão bem no personagem durante a história. No final, quando Jesse está desesperado o pai corre atrás dele e o abraça. A cena funciona por que o clima do filme a carrega, mas individualmente ela não consegue ser efetiva como o livro, o qual fica claro que o pai foi atrás do filho, entendeu e abriu seus braços para ele. É sério. O garoto fica destruído e no filme e pai dá suporte para ele. Pode parecer pouca coisa(e no filme ainda soa como algo normal, afinal o pai tem que ajudar o filho), mas em todo o contexto do livro, isso faz muita diferença.


Com relação ao resto da “cena destruidora”, a reação de Jesse é a mesma em ambas as mídias e foi bem representada se não fosse o fato do Jesse ficar com a aquela cara o filme todo. 


Filme 1 x 3 Livro.



É injusto comparar livro com filme? Talvez. O livro tem mais espaço para trabalhar com os personagens, porém os fatos que eu coloquei aqui poderiam ter sido mais bem trabalhados no filme também, mas não foram. Isso não torna o filme ruim, entretanto quando lemos o livro e analisamos o que o filme poderia ter sido, e não era uma realidade tão distante, só alguns pequenos ajustes de roteiro e direção, o livro é melhor, com o filme um pouco atrás dele.

Vencedor: Livro



NO FIM O LIVRO GANHOU. Mas eu gostaria de dar um ponto extra na questão da trilha sonora para o filme, que ajudou muito na construção de muitas cenas. (Posso fazer isso? Não sei, agora posso.)


RESULTADO FINAL FILME 2 X 3 LIVRO!




Obrigado para aqueles que leram, recomendo tanto o livro quanto o filme para aqueles que ainda não os viram e tenham paciência e fé, estou começando minhas resenhas aos poucos. E se tiverem erros a culpa é do Kapan.
Vejo vocês na próxima resenha


.


[Batalha de Versões] Milagre na Rua 34


E pra encerrar o ano, vamos dar uma olhada em um dos filmes mais clássicos de Natal: Milagre na Rua 34.

Pra quem não sabe, o filme de 94 é um remake do filme de 47 (que aqui no Brasil recebeu o título de “De Ilusão Também se Vive”, segundo o IMDB), e creio que 90% de vocês só viram a versão de 94 com a Mara Wilson e o carinha lá do Jurassic Park.


E embora nós lembremos da versão de 94 com carinho, qual será de fato a melhor versão? É pra isso que eu tou aqui então vem comigo pra mais uma Batalha de Versões.




Melhor Roteiro

O plot dos dois filmes é praticamente igual, a única coisa que o filme de 94 faz é atualizar algumas coisas pequenas.


A história começa na tradicional Parada de Dia de Ação de Graças, mas o Papai Noel é demitido porque ele tava bêbado e impossibilitado de trabalhar. Então Doris, diretora da Parada, o contrata de última hora um velhinho que se apresenta como Kris Kringle, e acaba virando o Papai Noel oficial do shopping que participava da Parada. Susan, filha de Doris, não acredita em Papai Noel, mas após conhecer Kris passa a querer acreditar.

Ao mesmo tempo, alguém tenta sabotar o trabalho de Kris, que após uma série de eventos vai a julgamento para ser considerado ou não o verdadeiro Papai Noel.



Então, é… Tem muita coisa acontecendo, muito subplot, mas de alguma forma a gente consegue acompanhar tudo, e lembrar bem de tudo.


O roteiro da primeira versão é muito bom, bastante original. Ele pega a ideia de “julgar se um cara é o verdadeiro Papai Noel” e trabalha tudo em cima disso.
Os personagens são bons, cada um tem seus problemas, suas crenças, e conversam sobre isso e tentam se entender. Eles não são extremamente explorados, mas o suficiente para nos guiar e haver transformação neles.



No remake, algumas mudanças tiveram que ser feitas, mas eram mudanças pequenas. Como por exemplo, Kris fala com uma garotinha muda ao invés de uma estrangeira; e Doris já conhecia o vizinho com quem Susan estava, enquanto no original Susan tava com o cara e a mãe não conhecia. Esse último mostra a diferença de tempos, assim como em Mary Poppins a mãe confia em Bert para cuidar das crianças. São mudanças pequenas e que não fazem tanta diferença.

Por outro lado, o filme acaba por seguir a fórmula final dos 90's/início de 00's. Doris e o vizinho advogado tem um interesse romântico, o que não é ruim, não me entendam mal, mas na versão original fluía mais naturalmente, era algo que ia crescendo, algo implícito, mas ao mesmo tempo que se notava com facilidade. Na versão de 94, é tããããão clichê.



E não é só clichê, mas é forçado. Os diálogos são forçados, os atores são forçados, e a química entre os dois é totalmente previsível e inexistente. Você sabe exatamente o que vai acontecer, como vai acontecer, e é um negócio constrangedor de tão... não-natural que é. Eles tentam explorar demais o psicológico dos personagens, mas não sabe como fazer, enquanto o original se mantinha em sua zona de conforto, no bom sentido. Ele não os explorava a fundo, mas os deixava identificáveis e acompanháveis.



O terceiro ato, onde ocorre o julgamento, normalmente é o que mais lembramos, e curiosamente, nos dois há uma semelhança imensa, quase nada foi mudado. O ponto principal é o argumento vencedor.

Na versão de 47, eles usam um argumento mais concreto, baseado nas cartinhas que as crianças mandam pro Papai Noel. Enquanto no remake, eles usam algo mais filosófico, com base em crença.

E embora eles desenvolvam bem no remake, no final deixa um gosto agridoce de algo que poderia fazer sentido, mas é complicado demais pra acompanharmos e considerarmos algo final.

Então… É, ponto vai pro antigo.



(47) 1 x 0 (94)


Melhores Protagonistas


Esse é um ponto difícil, pois ambos os Noéis tem excelentes performances. Levemente diferentes, mas cada um excelente à sua maneira.



Edmund Gwenn (1947) é muito genuíno, ele tem um brilho no olhar, um prazer na voz, um deleite quando fala com crianças, assim como quando fala com adultos. Ele tem uma simplicidade e humildade que transbordam de uma forma que dá vontade de abraçar ele e ser como ele.



Richard Atte… At...Attenbororg… John Hammond também é formidável como Kris, e de longe a melhor atuação do filme (o que acaba sendo destoante do resto do elenco, mas já chegamos lá). Ele é amável, carinhoso, tem um sorriso adorável… Praticamente estudou a atuação de Edmund e adaptou pro seu próprio estilo.




Natalie Wood mesmo sendo pequena, tem uma atuação muito boa. Como Susan foi criada pela mãe ignorando todo aspecto fantasioso do mundo, ela é basicamente uma mini-adulta. Ela não consegue se enturmar com as outras crianças por justamente não conseguir fingir, e é simplesmente uma atuação incrível, porque ela tem uma evolução, ela começa falando como gente grande, aos poucos começa a perceber que precisa de um pouco de fantasia pra vida ter graça. E além disso, soa natural, como uma criança criada pra pensar como adulto falaria.



Enquanto Mara Wilson soa artificial em todos os momentos, especialmente quando tenta falar como adulta. Pense no guri de Home Alone 3. Pronto, é tipo aquilo.


Mas, pro crédito dela, ela nunca gostou de atuar, e basicamente fazia o que o diretor mandava. Ela tinha o tom de voz naturalmente fofo, mas não sabia como usar ou quando usar. De novo, não era fã de atuar.


(43) 2 x 0 (94)





Melhores Personagens de Suporte



Como eu falei, os personagens na versão original não são tão explorados, mas não quer dizer que eles sejam simples. Pouco a pouco vamos descobrindo os motivos de cada um, em especial porque Doris cria sua filha isentando-a de histórias fantasiosas. E é bem conduzido.


E surpreendentemente, o remake também faz isso direito. Na maior parte do tempo.



Enquanto não se preocupa em tentar desenvolver o relacionamento da Doris com o advogado lá, temos momentos que soam mais genuínos, como Doris conversando sobre crenças pessoais com Susan, ou com Kris tendo uma conversa quase de pai e filho com o advogado.

Não, eu não lembro o nome dele, dane-se.



Uma mudança imensa que temos no roteiro é em relação ao personagem que quer tirar Kris Kringle do papel de Noel. No original, é o psicólogo do shopping, que diz que Kris é louco por dizer ser o verdadeiro Noel; e no remake são espiões de outro shopping que, junto com o Papai Noel Bêbado tentam incriminar Kris.


Ambas as versões funcionam bem… E só. Ambas tem suas falhas. Por exemplo, o psicólogo passa a ser mais ferrenho pra provar que Kris é doido porque Kris começou a dizer quem o psicólogo era, os problemas dele, em casa, etc. Meio que sujou a honra dele e… A menos que o psicólogo seja realmente doido, não é um motivo muito forte.



Por outro lado, o shopping rival não tem motivo pra mandar os espiões pra tirar Kris do negócio, uma vez que, como vocês se lembram, ele tava mandando o pessoal comprar em outras lojas, caso eles não tivessem o brinquedo que a criança queria. Então, win/win.


E se eu tivesse algo pra reclamar da versão de 47 provavelmente seria que, no terceiro ato os personagens são meio confusos visualmente, mas é mais cata-piolhagem minha.


Por guiar melhor os personagens de apoio (ao menos os mais próximos ao eixo principal), ponto vai pro antigo.



(47) 3 x 0 (94)


Melhor Filme



A versão de 47 tem um certo charme, mas é notório que a narrativa é datada. Praticamente não tem música, o timming das cenas e de transição são estranhos pra nós, que estamos acostumados muito mais ao estilo de narrativa que a versão de 94 apresenta, mais dinâmica, com música, etc.


No entanto, a versão de 47 tem uma simplicidade que a de 94 não tem. Por exemplo, quando Kris bota a roupa de Papai Noel pela primeira vez (a própria roupa, quando ele vai trabalhar no shopping), toca uma música bonitinha, a câmera desfoca, tem luzes suaves e brilhantes… Tudo nos indicando que ele é de fato O Papai Noel.


Enquanto na versão de 47 é tudo mais simples e direto, algo pra você assistir e tirar suas próprias conclusões. Até o momento final, Kris pode ou não ser o Noel, você pode fazer argumentos. E embora o remake também tente na maior parte do tempo fazer isso, essa cena tira esse intuito. É quase como querer que duvidemos se Tim Allen é o verdadeiro Noel depois de ter nos mostrado todo o Pólo Norte, sem nos dar alguma indicação de que aquilo é o sonho, mesmo que seja real.


No geral, a narrativa de ambos tem suas falhas: a de 47 sendo lenta e seca demais, e a de 94 sendo dinâmica e enfeitada demais.

Mas, pro propósito do filme, a de 47 funciona melhor. Então, como era esperado, 47 vence.




Vencedor: 1947




Obrigado a todos que nos acompanharam esse ano. Foi um ano meio complicado pra mim, com muita coisa acontecendo, que me impediu de produzir mais pra cá. Aos poucos vou tentando retomar nos eixos, em especial no tocante aos vídeos, já que ainda tou com problema de bateria na câmera.

Mas hey, o foco do blog são os textos, e ainda teremos a Hensonspectiva.



Feliz Natal, boas festas, feliz ano novo e até o ano que vem! Se cuidem.

Batalha de Versões - Como o Grinch Roubou o Natal






Então, finalmente é Natal! Essa época tão amada por uns e odiada por seguidores da filosofia do Sr. Scrooge, com comidas, festas, parentes, parentes chatos, e lembrar do nascimento de Jesus Cristo!
Eu pessoalmente adoro o Natal, e há um elemento que é tradicional nessas festas: filmes natalinos. Algum filmes água-com-açúcar e filmes genuinamente bons.
E então temos "O Grinch".


...ainda acho "O Estranho Mundo de Jack" superestimado.
Enfim.

Pra quem não sabe, o filme "O Grinch" foi baseado em uma animação chamada "How the Grinch Stole Christmas!", que por sua vez foi baseada em um livro homônimo escrito e desenhado por Theodore Geisel, mais conhecido como Dr. Seuss. (Pronuncia-se "Sóós")

Uma das principais características desse escritor era escrever livros rimados para crianças mas que são tão criativos que até hoje são lidos, até mesmo por pessoas mais velhas.


Nos anos 60 fizeram-se várias adaptações para animações de seus livros, como "The Cat in the Hat", "The Lorax", e "Green Eggs with Ham", além claro, de "How the Grinch Stole Christmas!".
E eis que, lá pelo ano 2000, alguém achou uma boa ideia fazer um remake da animação do Grinch.
Provavelmente essa é a versão que todos conhecem, o que me deixa um pouco triste, já que a animação tem muitas qualidades e inclusive foi dublada, mas é encontrá-la na internet é uma tarefa árdua. Lembro-me apenas de ter visto em 2012 no Tooncast.

O que me faz sentir muita saudade da TV a cabo...

...

Enfim, hoje decidi fazer uma coisa diferente. Ao invés de simplesmente resenhar o filme, eu irei fazer a primeira Batalha de Versões! Dentro das proporções, irei analisar e decidir qual é a melhor versão das 3: o livro, a animação e o filme.

Agora, antes de mais nada, quero deixar bem claro que, mesmo tentando ser o mais imparcial possível, o que eu disser não é lei, não tome como verdade absoluta. Pense, debata consigo mesmo. Aliás, se achar que algum ponto não está esclarecido, venha falar comigo, debater comigo, estou sempre aberto a uma boa discussão.

E se você for uma ruiva asiática que gosta de bacon, te dou meu telefone.

...haha, zuera.

Enfim, QUE SE INICIE A PRIMEIRA BATALHA DE VERSÕES: COMO O GRINCH ROUBOU O NATAL!


1-História



A história das três versões é essencialmente a mesma, mas vamos com calma.

O livro narra sobre a vila dos Whos (em português, os Quem), que adoram o Natal e se empolgam bastante enfeitando a vila e dando presentes e visitando parentes chatos com conversas intermináveis de "e as namoradinhas?"

Se opondo a tudo e todos que representam essa festividade, está um ser maligno e verde, o Grinch. Que, no final, todos sabemos, volta a ser bonzinho e blá blá blá.



Mas o que quero chamar atenção é que a animação é extremamente fiel ao livro. Ela pega o livro literalmente e o transforma em uma animação bem interessante, acrescentando um pouco mais de profundidade ao personagem. E o interessante é que as músicas (escritas pelo próprio Dr. Seuss) também definem um pouco melhor o Grinch, além de serem divertidas e encaixarem na história.

Quanto ao filme... É... Eu tenho alguns problemas com ele.
Pra início de conversa, eu sei que muitos aqui amam o filme. Eu não o odeio, só acho que há certas coisas que não precisavam estar ali. Mas tudo a seu tempo.

O filme não começa exatamente do mesmo jeito. Ele mostra os habitantes da vila Who se preparando para o Natal. Mas, ao contrário das outras duas versões, aqui os Whos são egocêntricos, consumistas, e tratam o natal com a mesma religiosidade consumista que otacos tratam eventos de animê.

Com isso dito, eu acho que o motivo do Grinch odiar o Natal tem mais sentido aqui.
Há apenas uma linda garotinha chamada Cindy-Lou Who, que eu juro que vai ser o nome da minha terceira filha.

A segunda será Drusilla e a primeira Misato.
...se eu achar alguma garota louca o suficiente pra me querer.
...

Enfim.

Cindy-Lou é a única pessoa em Whoville que acha que toda essa agitação mesquinha e digna de Nova York não é o verdadeiro espírito do Natal, e tenta convencer a todos sobre isso.
Até que ela escuta uma lenda sobre um tal de Grinch que odeia o Natal e vive longe de Who-Ville. Então ela decide descobrir mais sobre o passado do Grinch e tentar salvar sua pobre alma cheia de alho.

Algumas considerações a se fazer: primeiro, o filme tem a classificação PG-13 (13 anos acompanhado dos pais). O que pode ou não ser uma coisa boa. Se tratando de um filme baseado em um livro e uma animação voltado para crianças, não era de se esperar que eles botassem coisas como... bem, isso.



E isso.



Nessa cena o prefeito sonha com a paixonite dele e o Grinch o faz beijar a bunda de Max, o cachorro.
...pois é. Dr. Seuss estaria tão orgulhoso!

No entando, isso não chega a incomodar muito, já que o filme em si é muito bem escrito e adiciona diversos elementos interessantes aos Whos e ao Grinch. Por exemplo, os Whos tem o Livro dos Who, que é como se fosse a Bíblia deles, incluindo as interpretações erradas e adições que muitos fazem.

Mas talvez esse seja um ponto que incomoda muita gente. Eles adicionaram MUITA coisa. É, de fato, uma tática arriscada, porque Sun Tzu já dizia, "(...)um caso em que o 'bom' é melhor do que o 'excelente'. Quanto mais te elevares acima do 'bom', mais te aproximarás do 'pernicioso' e do 'ruim'.
Ou, aplicado ao nosso caso, "menos é mais".


Enquanto o filme faz uma longa exposição e adição de material para que pudesse ser desenvolvido (o que não é necessariamente ruim), o especial animado de 66 vai direto ao ponto e adiciona material apenas para que se tornasse um pouco mais longo e não tivesse a sensação de que falta alguma coisa. Porque, convenhamos, o livro não é lá essa cocada-preta toda.
As cenas adicionadas foram as músicas (que falaremos mais a frente), algumas gags visuais e as cenas de corridas de trenó. E a propósito, há uma piada metalinguística engraçadinha sobre as rimas.

Com isso dito, qual das duas versões tem a melhor história, mais fiel, e que passa a mensagem da melhor forma? Acredito que o ponto vá pra animação, por conseguir ser fiel ao livro e adicionar material apenas o suficiente. Quanto à transmissão da mensagem, eu falarei dela mais adiante.


Animação 1 x 0 Filme

2-Visual



Dr. Seuss não só escrevia os livros, mas também os ilustrava. E cara, que ilustrações.
Com um estilo único e criativo, o Dr. é autor de várias criaturas, cenários, plantas, personagens, e letras que nos fazem questionar se ele consumia algum alucinógeno como Hot-Cat ou Sopa de Feto.
O visual da animação chega bem próximo dos desenhos do tio Seuss, mas não só isso, ele os melhora! Digo, olhem pro Grinch do livro e do especial!




Claro, a ideia do Dr. era que ele parecesse alguém odiável, mas o character design dele é... fraco, por assim dizer. Não sei se é porcausa do imenso intervalo de tempo, mas é um visual poluído, com cada pelo desenhado. Já o Grinch do especial, Chuck Jones e sua equipe fizeram um trabalho estético bem bacana no Grinch, que ficou com uma imagem mais clara e gravável.


Outro personagem que recebeu um tratamento estético merecido foi a pequena Cindy-Lou, que passou de um protótipo de rato a uma criatura doce, fofa, adorável, chocolatante, e bochechamente apertável.

A tranformação de Whoville do desenho para o filme teve obviamente alterações. Vemos Whoville como uma cidade de verdade, e com mais detalhes, como o posto de correio, prefeitura, casas dos Whos, etc, e que se encaixam bem com a proposta de "cidade de desenho animado surrealista". De fato, é muito mais difícil simular uma cidade que parece um desenho animado feito em live-action, e a equipe de produção do filme fez isso direito, além de se relacionar com a proposta dos Whos do filme, de serem egocêntricos e competitivos. Não que a ambientação da animação não esteja de acordo com a ideologia dela própria, muito pelo contrário, mas a equipe de produção do filme certamente teve mais trabalho.




Cindy-Lou está tão fofa quanto a sua contraparte animada, e tem até mesmo um papel fundamental no filme, ao contrário da animação. E inclusive, nos é mostrado o quão esperta ela é, mostrando as mentiras do prefeito em praça pública lotada de Whos. Mesmo sendo tão inteligente e não tendo medo do Grinch, eu não consideraria ela uma criança-prodígio.





Já o visual do Grinch... Uau. Eles deram uma boa trabalhada aqui. Com um visual realista que ainda contém resquícios do desenho dos livros, a fantasia do Grinch realmente está como deveria ser. Detalhe pros olhos dele.
Não é a toa que eu tinha medo dele quando criança.
...ah, vá, quem não tinha medo de algum personagem de algum dos dois live-action de Dr. Seuss? Digam nos comentários que eu orarei pela mente de vocês.


Com esses pontos em vista, e por ter um esforço imenso que produziu um resultado do balaco baco, o ponto vai pro filme.

Animação 1 x 1 Filme

A fantasia do Grinch, como falei, estava perfeita. O que me leva ao próximo ponto:

3-Grinch



O Grinch de 66 é dublado por ninguém menos que Boris Karloff, o ator que consagrou a imagem que todos nós temos quando é pronunciado o nome "Frankestein". E ele faz um trabalho duplo, de narrador e de Grinch, com óbvias alterações na voz.

A atuação dele é extremamente boa, em ambos os casos. A narração dele tem a entonação correta nos momentos corretos e seu Grinch consegue se expressar de forma apropriada, e sua voz casa com o design e a animação, que é bastante fluida e bonita.

Quanto ao Carrey como o Grinch... Ele É o Grinch.



Vejam como ele se move, como ele fala, como ele gesticula, ele realmente encarna o personagem, e entende o universo em que se coloca, já que o Grinch tenta socializar, mas quando ele se lembra de todas as humilhações que passou, volta a debochar dos Whos em grande estilo. Mas ainda assim há momentos onde ele exagera demais e parece precisar de uma direção melhor, como quando o coração dele aumenta 3 vezes.

Inclusive o discurso que ele faz contra o consumismo dos Whos é belo pois funciona dentro da ideia do filme, e ele consegue ser sério e ao mesmo tempo sem perder características próprias do personagem.

O mais legal provavelmente é a relação dele com Cindy-Lou, já que ela é a única que acredita nele e ele tenta assustá-la e espantá-la de alguma forma. Mas aos poucos ele vai criando uma certa afeição por ela, mesmo que estranha.

...e sim, nos dá mais algumas cenas de atuação forçada. Mas no geral, a atuação de Jim é fenomenal, digna de um desenho animado.

Aliás, se fosse uma animação, provavelmente as partes forçadas não seriam tão forçadas assim.

Sinto muito, Boris. Você fez um trabalho lindo na animação, como o Grinch e narrador. Mas mesmo com alguns probleminhas de exagero, Carrey teve uma performance melhor.

Animação 1 x 2 Filme

4-Músicas



As músicas são praticamente as mesmas, com a exceção de "Where are you, Christmas?".
As músicas são "Welcome, Christmas" e "You're a mean one, Mr. Grinch".

Ambas são excelentes na animação. Tem seu momento certo e suas respectivas funções dentro da história. Mas eu devo admitir que "Welcome, Christmas" parece ter uma força maior no filme, devido aos figurantes e à execução da cena. Infelizmente, a música não parece bem afinada (e não falo do Grinch cantando mal de propósito), o que me faz voltar ao desenho.

"You're a mean one, Mr. Grinch" é um clássico atemporal, assim como a própria história do Grinch, tão clássica quanto "Um Conto de Natal". Com uma pegada no jazz, a música é interessante e continua atemporal, jazz sempre será legal.

No filme não muda muita coisa, mas uma das mudanças interessantes foi que quem canta é o próprio Grinch, como se fosse um hino de louvor a sua perversidade.

Isso até eles botarem notas exageradas e a mudança de melodia, ambas totalmente dispensáveis. Se eles tivessem continuado com a linha que estavam seguindo, tava tudo de boa.

Quanto a "Where are you, Christmas?", há duas versões. Uma quando Cindy-Lou canta no filme, e outra no encerramento, com uma voz e arranjo mais bem trabalhados.

Eu... Não tenho nada contra ela. Claro, a voz da garotinha não é tão boa, mas eu aposto como ela está dando o melhor de si pra acertar as notas. E a letra reflete um pouco da forma que a personagem vê a situação atual do Natal e a relação dos Whos com a festividade. Embora um pouco... Vaga, é rápida e cumpre seu papel.
Seria um empate técnico pra mim, mas como eu tenho que escolher, ponto pra animação.

Animação 2 x 2 Filme

Conclusão: Empate Técnico

Ok, deixem-me explicar. Mesmo se um ganhasse, eu iria considerar um empate técnico. Porque? Porque considero o filme "O Grinch" como uma releitura da animação e do livro.

O livro e a animação se chamam "Como o Grinch Roubou o Natal", e o filme "O Grinch". Nada mais natural que os dois primeiros cheguem logo ao ponto de nos mostrar como o Grinch roubou o Natal.

Já o filme parece dar um destaque maior ao personagem Grinch. Porque ele odeia o Natal? Como ele surgiu? O Grinch é um Who? Essas perguntas são respondidas e fazem sentido dentro da proposta.
Aliás, parando pra pensar, os Whos do filme são todos babacas (com exceção de Cindy-Lou e Martha May). O Grinch era o único diferente da cidade, e todo mundo fazia bullying racial com ele, o que o fez se tornar um ser antipático e anti-social que odeia a TODOS os Whos e toda a festividade do Natal, porcausa do trauma que sofreu. Ou seja, os Whos tem sim uma parcela na culpa de sofrerem o que sofreram ao trazerem o Grinch pro Natal.

Ouvi reclamações da mudança de atitude dos Whos, mas, venhamos e venhamos, faz mais sentido pra época em que vivemos.



Não sei como era nos anos 60, mas vivemos uma era consumista que a cada ano, a cada dia só piora. Um dos motivos do Grinch odiar o Natal é que os Whos mostram que o Natal é apenas presentes, presentes, e presentes. E é a esse consumismo desenfreado que ele faz uma crítica em um dado momento do filme, e que é propriamente debochado (embora botar um ramo de avezinho na bunda seja um exagero).


Concluindo: alguns veem o filme como uma mancha à memória da animação e do livro, mas eu acredito que as duas versões podem conviver pacificamente. O fato é que a animação pegou o livro (que era bom) e tornou em algo melhor ainda. O filme veio como uma fanfic extremamente cara e bem executada que, mesmo com certos momentos desnecessários, são relativamente inofensivos às crianças. O fato é que cada versão está boa para sua época e proposta. A atuação de Boris está excelente para a proposta do Grinch animado, assim como a atuação de Jim está muito boa para o Grinch live-action. Todos os três são clássicos atemporais do Natal, assim como um Conto de Natal e suas trocentas versões.