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Batalha de Versões - Ponte para Terabithia



Muitas vezes bons livros conseguem se tornar populares o suficiente para caírem na boca do povo, fazendo com que sua demanda seja cada vez mais alta até chegar no mais alto dos patamares a que um livro pode chegar, tornar-se um filme. Toda uma expectativa para com os fãs da obra, contratação de atores, todos os cenários que o leitor idealizou em sua mente ali! Ao alcance de seus olhos mais visível do que nunca e... A adaptação da história para que ela possa se encaixar em um filme acontece.
Não me entendam mal, na trajetória das adaptações, muitas conseguirem ser o mais fieis possíveis a história original, outras nos trouxeram um novo modo de enxergar aquilo que já conhecíamos sem desmerecer a obra original. E... temos ponte para Terabithia.


Enquanto o livro nos enriquece com diversas informações sobre família, amizade, vida escolar entre muitos outros aspectos da vida de um pré-adolescente (com alguns estereótipos bem fortes, mas que na visão do livro são bem esclarecidos) o filme cria um universo que não só confunde quem está assistindo, mas até mesmo os personagens presentes em sua trama.

Então vamos lá, o filme “Ponte para Terabithia” dirigido por Gábor Csupó (O segredo do vale da lua) foi lançado em 2007, baseado em um livro de mesmo nome escrito pela autora Katherine Paterson e publicado no ano de 1977(1999 no Brasil). Ambos contam a história de Jesse Aarons, um garoto que sofre de bullying na escola, tem problemas em casa, sua família é pobre e é o único filho homem entre cinco filhos. Um dia, um casal se muda para uma casa perto da sua e ele conhece a filha deles, Leslie Burke que apresenta uma imaginação que consegue cativar o garoto iniciando assim uma amizade. Ambos acham um lugar na floresta que decidem chamar de Terabithia, um reino (de faz de conta ou não) em que eles eram Rei e Rainha e podiam escapar das dificuldades que enfrentavam na escola e em casa.

Como proposto pelo meu excelentíssimo mestre Kapan, teremos uma batalha de versões entre o filme e o livro! Dentre alguns aspectos presentes, vou compara-los (da melhor forma possível) e direi qual é a melhor versão.

Vou deixar bem claro, não estou dizendo em momento algum que o filme é ruim. Somente que o livro pode se sobressair em alguns detalhes. Se discordar de algum ponto, vamos conversar e debater um pouco sobre com muito amor carinho no coração ok?

E vamos ao que importa, BATALHA DE VERSÕES -> START!

1- História

  

   


De forma simples, ambos apresentam a mesma história, os garotos se encontram, uma amizade começa, eles “criam” Terabithia e o resto alterna entre a terra mágica, escola e acontecimentos nas casas de ambos. No ponto da história pura e simples o filme foi extremamente fiel. O problema começa quando você quer entender os porquês da história e eu vou exemplificar.


Os problemas de Jesse em casa, o pai ignorar ele, a mãe também não aparentar dar muita atenção, só quando tem alguma ordem ou trabalho para dar; as duas irmãs mais velhas são chatas e mimadas e as duas mais novas são um ótimo exemplo daquele estilo de criança de filmes antigos, meio manhosas, mas sem maldade no coração. No filme, quando você tenta entender o porquê da relação entre Jesse e seu pai ser tão vazia...


Nop, nada que te explique de forma concreta isso. Você sabe que tem algo, pode até imaginar, mas o filme não te dá a certeza e o mesmo se aplica a mãe, o tratamento dela com as filhas é diferente do que ela dá ao garoto, e nunca lhe é explicado isso. A forma como Jesse se sente também nunca é explorada, ele só fica com um olhar sério de como se ele não se importasse com mais nada.



Enquanto no livro, enxergamos a carga emocional que tudo isso pesa no Jesse, como ele realmente se sente mal pela distância que ele tem com o pai e como ele sente falta de um carinho que nunca teve.

“Jess viu o pai parar o caminhão e se inclinar para destravar a porta, para que May Belle pudesse entrar. Virou-se para o outro lado. Menina de sorte. Ela podia correr para junto do pai, abraçá-lo e dar um beijo nele. Era uma coisa que dava um aperto de dor por dentro: toda vez que Jess via o pai pegar as pequenas e pôr nos ombros, ou se abaixar para abraçá- las. Tinha impressão de que fora considerado grande demais para essas coisas desde o dia em que nascera. ”


E logo após:

“— Hoje você se atrasou um pouco com essa ordenha, não foi, filho?
Foi a única coisa que o pai disse diretamente a ele, a noite toda. ”


Você consegue sentir o peso dessas palavras. O jeito como Jesse ficou, como ele se sentiu.
Também temos a forma como a mãe atende aos caprichos das filhas mais velhas (do jeito que a família consegue, mas atende) e... Temos o Jesse.


“— Vamos, Jesse. Vamos acabar com essa preguiça e levantar logo desse banco. As tetas de Miss Bessie já devem estar quase arrastando no chão, de tão cheias de leite. E você ainda tem que ir colher vagem.
Preguiçoso. Então o preguiçoso era ele. Deu mais um minuto de descanso à cabeça em cima da mesa. ”


Senhoras e senhores, quem realiza praticamente todas as tarefas daquela casa é o pobre Jesse, enquanto as mais velhas reclamam por aí ou saem com amigos e as mais novas são muito jovens para realizar as tarefas.

A fixação de Jesse pela grande corrida que acontece nos recreios da escola. Vejam bem, esse é um ponto bem emocional da história.



No livro, Jesse treina todos os dias das férias de verão (faça chuva ou faça sol) para as corridas do recreio por que ele deseja a atenção do pai.

“Talvez o pai ficasse tão orgulhoso que até se esquecesse de como ficava cansado de viajar diariamente a Washington, e de cavar e carregar peso o dia inteiro. Ia até deitar no chão e brincar de luta com ele, como costumavam fazer havia muito tempo. O Velho ia ficar surpreso ao constatar como ele tinha ficado forte nos últimos dois anos. ”

Some isso com a falta que ele sente do pai e a inveja da atenção que as mais novas ganham e pronto! Você consegue sentir a dor do garoto.

Enquanto isso o filme nos passa a impressão de que o Jesse quer ganhar a corrida, por ganhar. Só isso. Sério. Ele PRECISA ganhar. Só. Por que? Não tem, ele quer ganhar, tem que ganhar. Fim.


A corrida nos leva a outro personagem, a doce Leslie. O filme meio que nos apresenta uma noção de tempo até que a relação dos dois garotos fiquei mais forte, porém... não é tão bem trabalhado como deveria ser. Me desculpem, mas eu sempre tive a impressão que no filme o Jesse via ela como uma menina doida e que ele relevava isso por que ao mesmo tempo ela era legal e dava atenção para ele. Quando comparamos a forma como a amizade deles foi construída no livro, o que é apresentado no filme é muito fraco. Num contexto básico do filme funciona, porém, após assistir algumas vezes você começa a estranhar como a amizade deles foi desenvolvida ao longo do filme.


Vamos a um veredito. A história do filme funciona, porém, após assisti-lo mais de uma vez, algumas inconsistências começam a aparecer, o que passa a ser um pouco incomodativo. O livro por outro lado tem uma história bem sólida, a carga emocional é mais pesada e clara, e a forma como a história é explorada encima do personagem principal e dos secundários é precisa, informando exatamente aquilo que é preciso para se entender cada personagem.

Filme 0 x 1 Livro


2- Personagens principais

                                                              (Por que essa doida tá me olhando)



Aqui começamos a ter divergências um tanto quanto grandes entre livro e filme. Jesse e Leslie são bem interpretados no filme, porém sua profundidade não consegue chegar no mesmo ápice da obra original. 


No filme, Leslie parece uma garota.... Diferente. Como eu disse anteriormente, se dá a impressão de que o próprio Jesse por um tempo não acha ela muito normal, algumas vezes tive a impressão que ele olhava pra ela como se fosse uma doida e isso realmente não é muito distante do que a personagem apresentada realmente aparenta. Enquanto no livro Leslie é uma personagem doce, curiosa, um tanto inocente e realmente, diferente no seu jeito de ver o mundo, o filme explorou isso ao extremo, transformando a garota naquela típica adolescente diferente de todos, que age estranho e pensa estranho. As melhores qualidades foram exageradas demais. No filme funciona? Sim. A atriz é cativante. A personagem é um clichê exagerado. (E isso não torna a personagem ruim, só... é estranha)


O Jesse também teve suas características exageradas no filme. Ele é quieto? Sim. Mas não é tão antissocial quando o filme dá a entender. Ele vive em uma situação difícil, sua vida em casa e na escola não é fácil, ele é uma criança TIMIDA, mas não tão grosso quanto o longa apresenta. 

Todo esse exagero auxilia e complica ao mesmo tempo quando tentamos entender a amizade dos dois, funciona ao mesmo tempo que força a relação dos dois.


Os sentimentos do personagem são mais bem explorados no livro, o que é o esperado, afinal, É UM LIVRO, mas isso não deveria impedir o filme de conseguir o mesmo. A trilha sonora oferece uma grande ajuda nesse quesito, mas expressar os sentimentos do personagem ao longo do filme foi confiado totalmente nas expressões do ator.... O que não funcionou tão bem assim.


                                Jesse com olhar de peixe morto o filme todo se expressando no filme.  



Os personagens no contexto isolado do filme são bons e funcionam, mas estamos numa batalha de versões, e é impossível negar que o livro aborda melhor os personagens principais e sua relação.

Filme 0 x 2 Livro

3- Terabithia (Terra encantada ou não tão encantanda assim)

                                           Sim, vamos comparar a terra mágica em que os dois “viveram” suas aventuras.



O filme ganha um ponto fácil nesse tópico. Por que? Por que eu quero. No livro, é fácil você esquecer de terabithia, ele se foca mais na vida dos dois garotos na “vida real” e terabithia serve mais como uma válvula de escape. Aquelas brincadeiras que toda criança tem de um lugar só deles, logo, a terra mágica fica em segundo plano na história. O filme lhe dá um pouco mais de destaque e o torna especial, pelos efeitos bem feitos e pelos adolescentes em boa parte do filme estarem interagindo com terabithia de alguma forma. Isto nos ajuda a ver uma coisa: O filme é um pouco mais centrado na história ao redor de Terabithia em conjunto com os eventos da vida dos garotos, enquanto o livro tem seu real foco na vida deles e em seu relacionamento.


Então sim, ponto para o filme!

Filme 1 x 2 Livro


4-Momento de impacto supremo


                                                             SIM, ESSE É O NOME DO ULTIMO TÓPICO. (Não me julguem)
               
               

Ao final do filme e do livro temos um momento emocional muito forte, que é efetivo no filme e no livro. Por que darei o ponto para o livro se os dois tiveram êxito? Muito simples. 

Como falei lá em cima, o pai de Jesse não liga para o garoto. O pai mostra isso no filme, mas não vemos isso refletido tão bem no personagem durante a história. No final, quando Jesse está desesperado o pai corre atrás dele e o abraça. A cena funciona por que o clima do filme a carrega, mas individualmente ela não consegue ser efetiva como o livro, o qual fica claro que o pai foi atrás do filho, entendeu e abriu seus braços para ele. É sério. O garoto fica destruído e no filme e pai dá suporte para ele. Pode parecer pouca coisa(e no filme ainda soa como algo normal, afinal o pai tem que ajudar o filho), mas em todo o contexto do livro, isso faz muita diferença.


Com relação ao resto da “cena destruidora”, a reação de Jesse é a mesma em ambas as mídias e foi bem representada se não fosse o fato do Jesse ficar com a aquela cara o filme todo. 


Filme 1 x 3 Livro.



É injusto comparar livro com filme? Talvez. O livro tem mais espaço para trabalhar com os personagens, porém os fatos que eu coloquei aqui poderiam ter sido mais bem trabalhados no filme também, mas não foram. Isso não torna o filme ruim, entretanto quando lemos o livro e analisamos o que o filme poderia ter sido, e não era uma realidade tão distante, só alguns pequenos ajustes de roteiro e direção, o livro é melhor, com o filme um pouco atrás dele.

Vencedor: Livro



NO FIM O LIVRO GANHOU. Mas eu gostaria de dar um ponto extra na questão da trilha sonora para o filme, que ajudou muito na construção de muitas cenas. (Posso fazer isso? Não sei, agora posso.)


RESULTADO FINAL FILME 2 X 3 LIVRO!




Obrigado para aqueles que leram, recomendo tanto o livro quanto o filme para aqueles que ainda não os viram e tenham paciência e fé, estou começando minhas resenhas aos poucos. E se tiverem erros a culpa é do Kapan.
Vejo vocês na próxima resenha


.


[Opitorial] Sobre Haters e Saban



Eu não queria ter que falar nesse assunto tendo como motivo certas coisas que aconteceram recentemente. É um assunto bastante interessante, e que eu adoro estudar, debater, e pesquisar.

Mas aparentemente eu preciso começar do começo.




No início dos anos 90, Haim Saban viu que séries tokusatsu tinham um certo apelo na Europa, e decidiu tentar fazer a mesma coisa nos EUA.

Então ele fez um acordo com a TOEI de usar as cenas e roupas japonesas e misturar com cenas produzidas pela empresa dele, nascendo assim Power Rangers.




A tática não era nova, entretanto. Godzilla de 54 teve o mesmo tratamento na época.

E as crianças gostaram, foi um sucesso absoluto, uma verdadeira febre com direito a até música de Sandy e Júnior em terras brasileiras.

O Brasil já tinha recebido dois booms de tokusatsu: o dos anos 60/70, com National Kid, e o da geração Manchete, com Jaspion, Changeman, etc.



Com a chegada de Power Rangers no Brasil, muitos ficaram "olha só os americanos fizeram uma série tipo Changeman", e pouco se sabia das origens da série.

A história era passada pouco a pouco, chegou na revista Herói e aí é onde eu acredito que começou-se a criar um certo ódio de Power Rangers, porque os fãs se sentiram "traídos", eu imagino.

E após a chegada da internet, essa informação se espalhou mais rapidamente e, consequentemente, o número de haters aumentou.



Eu compreendo totalmente que se odeiem Power Rangers. O nome da franquia carrega uma gama de significados, dentre eles "série tosca" e "infantil". Como eu já falei aqui, não há nada errado em ser infantil.

Mas, como eu falei, a palavra carrega uma série de significados, em geral nem todos bons. Nesse caso, eu aconselharia a preparar um discurso rápido explicando a história da franquia. Adotei essa postura há anos e nunca pretendo mudar.

Você tem todo o direito de odiar Power Rangers. No entanto, me sinto obrigado a levantar alguns pontos.



-Se você gosta do tokusatsu da Toei atualmente e odeia mortalmente Power Rangers, você é um(a) mal-agradecido(a). Como eu falei, Power Rangers aumentou bastante os lucros da Toei, possibilitando que ela investisse mais nas séries.

-Power Rangers possibilita que fãs com pouco dinheiro e/ou não confiam na internet pra fazer compras, adquiram os bonecos. Sim, alguns vêm estranhos, mas ultimamente têm vindo diversos bonecos com muita qualidade, bastante articulados, até. E se o boneco tiver o tipo físico de montanha (como é em algumas ilustrações de PR), então é só não comprar.



-Há a possibilidade de vir uma série boa, ou até melhor que a original. E Power Rangers RPM tá aí pra provar isso. Não vi a série inteira, mas ela introduz elementos que não se vê tanto no próprio tokusatsu como um todo, como um mundo pós-apocalíptico, um tom mais sério, e quebra de alguns clichês, e ao mesmo tempo sabe quando não se levar tão a sério.

E se vir uma série ruim, apenas fazer o que um entusiasta comum faria: apontar erros e acertos e debater com outros entusiastas como melhorá-los, trocar ideias.


No entanto, recentemente presenciei algo que é quase surreal. Uma página chamada Herosatsu, administrada pelo Red Turbo, teve uma atitude ditatorial e anti-democrática, ao apagar comentários que simplesmente discordavam das ideias do dono.

Postagem do Herosatsu

Diversos comentários, apresentando argumentos contrários aos apresentados na postagem. Isso porque Red Turbo pregava a prevalência do "tokusatsu original", e repudiava qualquer obra adaptada.

...isso é tão errado em tantos níveis...

O que o Red Turbo acredita é que Power Rangers não é tokusatsu pelo simples fato de ser uma adaptação.
O que é uma estupidez.

Ora, se as cenas de luta (vindas de séries japonesas) tem sua ligação dentro da história criada, então elas formam um conjunto de estrutura semelhante ao das séries japonesas.

Então, se Power Rangers, que se baseia em Super Sentai em todos os aspectos possíveis, não é tokusatsu, então o Super Sentai também não é tokusatsu.

O mesmo pode ser aplicado a Dragon Knight, Masked Rider, France Five, Insector Sun, Guerreiros Místicos de Tir Na Nog, Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills, os filmes e a série live action das Tartarugas Ninja, e Bibleman.
Note que eu não estou debatendo a qualidade das séries, mas simplesmente a classificação. The Cat in the Hat (2003) é um ~>PÉSSIMO<~ filme de comédia, mas a estrutura e desenvolvimento apresentados mostra que tenta ser uma comédia.

E os comentários eram bastante embasados, um deles até dizia que porcausa de PR, Zyuranger vai chegar em DVD nos EUA, e estava até esperançoso de vir novas séries.
Mas ele cometeu o terrível crime de discordar da opinião de Red Turbo.



E no entanto ele apagou praticamente todos, restando apenas uns poucos, e o resto de mensagens de apoio a ele.
E ainda deixou um comentário na postagem dando a entender que "os fãs de PR não aceitam a opinião dele de que PR não é tokusatsu e por isso vem xingar".

...indeed.

Enfim, esse foi um dos principais motivos para eu escrever essa postagem. Achei que não houvessem mais pessoas com esse tipo de pensamento (ou maturidade, ou a falta dela), mas aparentemente eu estava enganado.

Escrevi essa postagem para fazer esses haters extremistas pararem e pensarem um pouco no que estão fazendo. Isso é uma atitude que não deveria ocorrer com indivíduos adultos, e eu sinto que alguém precisava falar algumas coisas em voz alta.

A postagem original está no link https://www.facebook.com/Herosatsu/photos/a.347260105382471.74005.347255258716289/655976187844193/
Os comentários apagados estão registrados nas imagens abaixo. As identidades foram preservadas em respeito à privacidade de quem postou, espero que entendam.
(Clique para ampliar)


 

 

 

 
 


 

Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Graphic Novel)




*suspiro* Então vamos lá. Essa Graphic é ruim. Muito ruim. Não só isso, ela é... Pouco digna.

Vejam bem, eu comprei as duas primeiras Novels, Ladrão de Raios e Mar de Monstros, em Abril. Desde lá estou adiantando essa resenha. E passei quase um mês pra começar a escrever o documento da resenha no WordPad, depois de ter relido (após alguns meses da compra). Isso deve dizer alguma coisa.

Mas... Enfim, vamo lá.





Eu já fiz a resenha do filme aqui, e como a sinopse é praticamente a mesma, não vou me estender muito nela.

Deuses gregos vivem no mundo dos humanos como nas lendas e o maior jogo de Clue do mundo acontece quando o Raio-Mestre de Zeus é roubado, e a aposta do barbudo é que foi o filho de Poseidon, Percy Jackson. Ao descobrir que é vítima de um jogo de tabuleiro cujas regras me são confusas até hoje, Percy parte numa Jornada pra provar que o culpado não foi ele com uma vela na sala de jogos.

...ei, eu fiz um resumo mais detalhado na resenha do filme, se quiser vá lá ver.



Falemos da narrativa em si. Ela é BEM mais fiel ao livro, sim. Em todos os aspectos. Graficamente (segue bem o que o livro descreve, do acampamento e dos acampantes), na ordem dos acontecimentos, visual dos personagens, etc. Então é um fato a se comemorar e dizer que ela é superior ao filme, correto?

Resposta ÊÊÊê...RRADAAAA!! *PÍUN-PÍUN-PÍUN-PÍUN-PÍUN!* VAI LEVAR TORTA-DA!

Sim, a história é mais fiel, não quer dizer que seja ao menos boa de ler. A Graphic não se esforça pra tentar dar personalidade aos personagens, ou explorá-los melhor, como acontece no livro. É quase como assistir um jogo, e você é forçado a ler as falas essenciais pro contexto, e pular as demais. E sem a parte de gameplay.



Mas eu não vou ser injusto, há alguns momentos onde é genuinamente divertido de ler. Esses momentos são mais onde os personagens estão em um ambiente novo, e ocorre aquele momento de reconhecimento do cenário. É nesses momentos em que a arte se destaca ao criar o clima.

Mas ainda assim, diversas coisas foram cortadas, coisas importantes e que mostravam um pouco da personalidade dos personagens. Como por exemplo, {spoilers à frente} toda a cena no covil da Medusa, bem como Percy mandando a cabeça dela para Poseidon, como sinal de atrevimento e dizer "eu consigo fazer essas coisa tudo, me respeite".



Também foi cortado o ótimo final que foi a cabeça ter sido mandada pra casa de Percy e a mãe dele ter usado no marido e nos amigos dele e vendido como estátua. Resolveu tantos problemas de uma vez só, de uma forma tão natural e coesa, que me faz questionar porque cargas pônicas não foi usado.

E o filme que foi mal adaptado. Aham, claro.




A arte é um negócio bipolar. Ora ela se comporta apenas "ok", e em outras cê fica se perguntando daonde o artista tirou as referências de expressões faciais e de luta. Lutas essas que são desprovidas de emoção.

Vejam bem, história em quadrinhos consiste em contar uma história misturando imagens e textos, trabalhando juntos pra passar a mensagem. Essas imagens são estáticas, congeladas, então os desenhistas fazem alguns artifícios nas imagens pra nos ajudar a entender o que se passa. Quando o Cebolinha anda, aquela fumacinha atrás dos pés é um artifício usado pra indicar que o garoto está andando. Quadrinhos de ação usam muito as linhas de movimento, que mostram a trajetória dos braços/pernas/corpo/projéteis/e por aí vai.



Um dos maiores erros da arte é não usar muito as linhas de movimento, fazendo com que o leitor ache que está vendo aquelas quadrinizações meia-boca de filmes/desenhos em alta.

Se você anda muito em bancas de revistas, tenho quase certeza de que já viu aquelas revistas do Pica-Pau, Picolino, Padrinhos Mágicos, e outros. Se você tem a minha idade, provavelmente lembra que na época do lançamento de Toy Story 2 fizeram uma graphic baseada no filme. Em ambos os casos, eles pegam cenas do filme mesmo, botam balões e onomatopeias, e pronto. E normalmente o resultado fica, no mínimo, estranho.



Ladrão de Raios dá uma impressão parecida. São tão poucas indicações do que tá acontecendo que fariam Linkara esbravejar "THIS COMIC SUCKS!". Eu mesmo tive que, em alguns momentos, parar e analisar direito o que estava acontecendo, pra onde o golpe tinha sido desferido... O que quebra o ritmo e o propósito de uma cena de ação. E ainda há o adicional que o que a visão da câmera, embora bem-intencionada, acaba por vezes atrapalhando o entendimento.

Grover cartunescamente exagerado,
e Annabeth... "meh. tanto faz."


Isso porque, como eu citei lá em cima, as expressões faciais são irregulares. Às vezes os personagens estão com a cara mais gordinhas, outras mais magrinhas, e em outras... Só estranhas mesmo. Ou não parecem a mesma pessoa, parecem duas pessoas que de longe cê pode confundir, mas se chegar perto vai dizer "opa, desculpa, não queria te chamar de Pé de Pato, confundi com outra pessoa" e vai sair o mais rápido possível de perto dela.



...
Não que isso tenha acontecido comigo.
...enfim.


Resumindo, a única coisa que a graphic tem de bom é a capa. Literalmente. Nome dourado, protagonista em pose heróica, e esteticamente bonita. Mas é uma adaptação que, mesmo que seja mais fiel ao livro, ainda falha em tentar existir por si só.







Percy Jackson e o Ladrão de Raios (filme)




Percy Jackson e o Ladrão de Raios é o primeiro livro da série "Percy Jackson e os Olimpianos", que narra a história de adolescentes filhos dos deuses da mitologia grega.

É uma ideia bastante interessante, de fato. Tão interessante que muito provavelmente inspirou muitos elementos da Mulher Maravilha dos Novos 52.

Antes de mais nada, sim. Eu li o livro. E gostei. Não acho que seja ESPETACULAR, mas sim, é bem divertido. Tem uma ideia interessante e que eu juro, ainda não sei como não adaptaram pra um jogo online.
Mas enfim, falemos do filme, que pra muitos é "8 ou 80".





A história começa no mundo atual, onde os deuses gregos convivem com os humanos e tem filhos com eles, como nas histórias. Zeus tem o seu Raio Mestre roubado e suspeita de Percy Jackson, filho de Poseidon, um rapaz com déficit de atenção e que adora ficar na água. Isso porque os 3 grandes deuses (Zeus, Poseidon e Hades) são proibidos de terem filhos, ou de se encontrar com eles, caso tenham.



Percy então descobre que é filho de Poseidon ao ser atacado e levado ao Acampamento Meio-Sangue, onde os filhos dos deuses treinam para serem heróis.
Ao descobrir a novela mexicana em que se meteu, Percy irá até ao submundo com seu amigo e protetor, Grover, e sua nova amiga Annabeth para provar sua inocência e salvar a vida de sua mãe.



O desenrolar da história é sim, bastante previsível, mas não quer dizer que não seja divertido de se assistir. De fato, há algo de divertido em ver como esses elementos conhecidos vão aparecer. No entanto, é uma faca de dois gumes: ou pode ser algo genial e que só com um certo matutar pode-se notar o que é, ou pode ser simplesmente ridículo e fácil.

No caso desse filme, é algo intermediário. Não é necessariamente engraçado, mas também não é necessariamente ridículo.

Esse é um filme que me foi apresentado como "péssima adaptação" e "filme bom só pra quem não leu o livro". E após ver... Não foi isso que eu encontrei.



Sim, eles mudaram bastante coisa. Porque é uma adaptação, mudanças tem que ser feitas, por menores que sejam. Basta ver os filmes baseados em histórias em quadrinhos.

As adaptações feitas aqui existem pra poupar tempo. Colocar Clarisse e Ares ia tomar mais tempo de explicações e desenvolvimento de personagens e provavelmente iria ficar difícil de trabalhar com tanto personagem (como um certo filme de super-herói quase fica).



E sim, visto também que o filme visava agradar também aos leigos em relação aos livros, os deuses usam típicas roupas gregas (exceto fora do Olimpo), o que de fato faz sentido e não contradiz a história, uma vez que fora do Olimpo eles se vestem como gente comum.
...entretanto. Algumas coisas ficaram de fora e que mereciam ser explicadas melhor.



Por exemplo, o portal pro Monte Olimpo fica no Empire State, nos EUA. No livro nos é explicado que de  tempos em tempos a capital dos deuses muda de acordo com a era e etc., mas... Aqui é meio "...é, Empire State Building. Não reclame e bora entregar esse raio."

A regra dos 3 deuses maiores não terem filhos também é algo não muito explicado. Pelo que o filme dá a entender, os 3 maiores não podem ter contato com seus filhos. Ou seja, eles podem ter filhos à vontade. O que pode entrar em contradição com o fato de Poseidon ser bem apegado a Percy, ajudando-o e etc. Ora, se dissesse que eles são proibidos, faria sentido o Percy ter um valor muito maior pra Poseidon, já que ele seria o "único" filho dele.



Outro buraco no roteiro é a falta de necessidade do Grover usar muletas. Teoricamente, faz parte do disfarce dele (já que ele tem as pernas de bode), mas quando ele anda sem elas e de calças, ele não parece ter problemas. Então... Pra que?

Quando eu li o livro, não consegui simpatizar com nenhum personagem. É sério. Exceto Luke, porque ele parecia o tipo de vilão que faz as maldades e se diverte com isso (como já foi mencionado aqui), e no filme... Talvez eu consiga sentir algo por alguns. Menos o Luke. Ou Percy, o protagonista e título da série.



Isso se deve à atuação fraquíssima. Percy entra e sai de cena, e eu não consigo me lembrar sequer o rosto dele. Talvez a produção quisesse fazer dele um garoto normal, mas... Talvez ele tenha ficado normal demais. A atuação dele é desprovida de emoção (assim como a de Luke) praticamente todo o tempo, ao contrário de Annabeth que pelo menos parece se esforçar pra se importar com algo... às vezes.



Oh, bem. Tem o Grover, o sátiro protetor e melhor amigo de Percy, que é... o engraçadinho da turma. Graças a... Zeus... Ele não é engraçadinho o tempo todo, e na verdade, faz até um bom papel sendo apenas extrovertido, e sabe quando o momento pede seriedade (embora as pernas de CG continuem sendo incômodas visualmente, assim como algumas CGs).

E sim, os deuses atuam bem, mas porque eles não tem muito o que fazer, mas o que eles fazem, eles fazem bem.
E... Tem o Pierce Brosnan (que atua no modo "tou aqui pra pagar umas dívidas") como Quíron, que nos apresenta outro problema do filme...



...os diálogos.
...é. Não é algo constante, mas... Tem umas falas que... Meu Deus...



...ENFIM

Resumindo, não sei pra que tanta reclamação se o filme "não foi fiel ao livro". É claro que ele foi fiel. Quando se  trata de uma adaptação, é óbvio que algumas coisas vão funcionar em algumas mídias e outras não. Por isso as roupas dos X-Men são pretas e não carnavalescas, por isso a mitologia dos mutantesfoi simplificada, por isso que as cenas mais violentas de The Wonderful Wizard of Oz foram totalmente removidas, porque o público não entenderia, não serviria ao propósito do filme, ou simplesmente pareceria deslocado.



Mogli da Disney é COMPLETAMENTE diferente do Livro da Selva. Tanto é que Walt Disney quando chegou na sala de reuniões, perguntou se alguém havia lido o livro, porque iria fazer algo totalmente diferente. Quer dizer que o filme não funcionaria se fosse igual ao livro? Claro que não, mas não serviria pros propósitos dele. Ele contou uma história com base no livro, ninguém reclama até hoje e continua sendo um bom filme.
Agora, The Cat in the Hat (2003) é COMPLETAMENTE diferente do livro, e NEM ME LEMBREM DESSA ABOMINAÇÃO QUE EU ME RECUSO A CHAMAR DE "FILME".
...
...*caham*



Em resumo, é um bom filme. Não é espetacular, mas também não é ruim. É uma aventura básica, segura de vender, e uma boa pedida pra uma Sessão da Tarde. Tem bons momentos, com boas imagens, e um certo ar de épico.