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Guia Rápido de Blind Bags e Semelhantes


Se você é como eu, eu primeiramente tenho que dizer que sinto muito pela sua condição. Ser parecido comigo é uma má sorte que não deveria ser dada a ninguém. Em todo caso, você provavelmente deve gostar de colecionar quinquilharias inúteis e coisinhas pequenas.
Raios, eu posso passar tanto tempo em loja de enfeite e lembrancinhas pra festa quanto em uma loja de brinquedos.

E uma coisa que geralmente aparece no caminho de colecionadores são os pacotes surpresa. É um negócio difícil de explicar, é de fato algo que traz memórias pueris, quando suas únicas preocupações eram assistir os desenhos que passavam de manhã (ou à tarde na TV Cultura, o que foi o meu caso por vários anos) e se entupir de Nescau com bolacha Maria/Maizena.
Sim, sim, bons tempos.

No entanto, nós crescemos, entendemos o valor do dinheiro através do trabalho, amadurecemos. Mas esses brinquedos surpresa continuam a atiçar nosso gosto, ou queremos passar eles a nossos sobrinhos e afins. No entanto, surge um problema: "Como cargas d'água eu vou saber qual o brinquedo que vem dentro?" Claro, você pode simplesmente tocar o pacote durante duas horas, parecendo alguém com sérios problemas, movendo alguns vendedores pra ficar perto de você só por precaução; ou pode usar algumas manhas que se aprende na internet.

E é pra isso que eu tou aqui hoje.
Algumas fotos são do meu acervo pessoal, então perdão pela qualidade.





Eu comecei a adentrar este mundo dos blind bags lá em 2012-3, quando começaram a aparecer os pacotinhos de My Little Pony e Power Rangers. E pesquisando na internet, descobri que há um padrão nas embalagens que identificam o brinde. Mas antes de falarmos disso, vamos tirar uma pedra do caminho:

Mystery Stack Pack, ou, O Pacotinho do 'TE VIRA, MALANDRO'





Esses são os sachês que não tem identificação. Em alguns casos, como o das Princesas Disney, o pacote tem um furo minúsculo, que se pode usar pra ver detalhes da figura, baseado nos modelos do verso do pacote. O problema é que as poses podem estar um pouco diferentes das imagens (já que são aquelas imagens sem vida, só pra divulgação), mas isso é o de menos, dá pra ter uma noção só por isso.

Disney Tsum Tsum segue o mesmo modelo, mas sem o furinho, te deixando literalmente na mão.
HA-HA!
...perdão.

Mas sim, Tsum Tsum cê tem que ir na base do toque mesmo. A Regra de Ouro pra qualquer blind bag, independente do tipo, é procurar algo que seja único daquele brinquedo. Por exemplo, o Tsum do Mickey vem com um rolo de filme com as orelhas dele, então é só procurar pelos dois círculos.
Na real, esse foi o único que eu consegui identificar, mas se você procurar por fotos, vai ter uma noção bem melhor de como as partes se organizam e o que deve procurar sentir.


Até o presente momento, eu não vi nenhum sachê que tenha um código, mas sempre é bom procurar cada minúcia da embalagem, caso surja algum que tenha.
A desgraça suprema é quando o brinquedo vem dentro de uma caixa num pacote aparentemente sem código (até onde pude achar), tipo esses do Estêvão Universo, ou as caixinhas de Minecraft e Funko. A menos que o vendedor seja gente boa e te deixe abrir, eu pessoalmente nunca tentei.
Até porque não vende Funko com facilidade aqui, cada um custa três anos da sua vida.

Os Disney Tsum Tsum chegaram custando 40 contos, enquanto os das Princesas Disney custou 12, mas eu creio que podem variar. Tsum Tsum é encontrado em lojas de brinquedo mesmo, como Ri Happy e Planeta Brinquedo, enquanto o das Princesas eu só achei naqueles quiosque de doces, que também tem várias coisas do tipo, como PEZ e Ventila-Sabor.

Aliás, que negócio meio imbecil de chamar a marca de "Princesas Disney", quando tem também os príncipes, e por vezes os sidekicks. Podia ter outra marca, mas eu divago, falemos disso outro dia.

...peraí, Tsum Tsum a QUARENTA contos?? Quando nos EUA o preço é 2,99, que valeria algo perto de DEZ conto? Façam-me o favor, esperem baixar os preços pra poder comprar. Calculo que 20, 15 conto seja mais aceitável e realista.

Outros que usam o mesmo sistema são os Gogo's, mas disso vocês já sabiam.

Mystery Capsule





Eu tenho uma história pessoal sobre esses, e cada vez que eu me lembro dela, eu me sinto burro.

Em 2015 (se não me falha a memória), chegaram aqui essas cápsulas surpresa de Frozen e de Vingadores (junto com outras coisinhas da Takara Tomy, como adesivos e chaveiros emborrachados da Marvel, Sonic, Mario, e uns straps de celular, também caros à beça). Na época custavam 20 conto, um preço caro pra brinquedos pequenos e cujo sistema de identificação eu desconhecia. Passa-se um ano, tá de 15 conto, eu compro um, usando o método de olhar pelo buraquinho, já que eu tinha conseguido identificar o Olaf por ele. Eu compro pensando que era a Anna congelada, mas veio a Elsa. Oh, well, ainda no lucro.

Fui pesquisar, e eis que acho esse vídeo, e noto o padrão das cores embaixo do rótulo.
Sim, eu sou burro. COMO RAIOS EU NUNCA NOTEI ISSO? EU PASSEI UM ANO INDO PRA MESMA LOJA PROCURANDO ALGO QUE IDENTIFICASSE AS CÁPSULAS E NUNCA NOTEI! MAS QUE RAIO!

E então, eu pude identificar a Anna congelada e pude postar na internet com a legenda "I was Frozen today!", que era meu plano desde o início.

...sim, eu comprei a Anna congelada unicamente para este fim.

...um homem tem suas prioridades muito bem definidas.


Enfim, não valem os 20 conto, 15 se tu tiver muito disposto a dar grana. Isso porque os bonecos são de fato beeem malfeitinhos. Pode ver no vídeo, a Anna congelada é o mais bem feito que tem (junto com o Olaf, que não aparece no vídeo). O modelo dela é incrivelmente bem esculpido, pra uma figure tão pequena. Lembra muito os bonecos da Mega Blocks, que costumam ter esse mesmo nível de detalhamento e precisão (em especial os de Halo, mas Minions e Bob Esponja também são bons).

Os olhos dela são esculpidos,
pelo amor do Ishinomori! (Clique pra ampliar)

Você pode usar um pouco de dedução pra descobrir o brinquedo, mas ter um guia ajudam, mesmo que seja narrado por uma vozinha irritante.
A mesma lógica das cores pode ser usada pra outras cápsulas da Zuru (que vem pro Brasil pela DTC), como das "Princesas" Disney (que inclui Minnie, Margarida e Sininho) e Vingadores feat. Homem Aranha.
Porque o bullying com o Pedro Prado não pode parar no nome e na remuneração do rapaz, a gente sempre tem que lembrar que ele não é um Vingador.

Pobre Pedro Prado.
Te desafio a falar isso rápido 5 vezes sem errar.

Bump Codes (Códigos de Pontos em Alto Relevo) ou Semelhantes



Aqui é onde o negócio complica pra organizar, mas na prática é bem fácil.

Não tem muito segredo: no verso de toda embalagem de LEGO Minifigures, há códigos em pontos em alto relevo. O código que você vê é sempre considerando o verso do pacote, lembre-se disso. Sites como o Pop Critica costumam fazer de várias séries, mas não é o único. As informações raramente não batem, mas caso haja discrepância, é sempre bom lembrar da Regra de Ouro de blind bags.

Lembrando também que séries, franquias e fabricantes usam métodos diferentes. Halo usa códigos impressos mesmo, e aqui tem um guia mais que completo de My Little Pony.


Agora, eu sou incapaz de cobrir todos os formatos e sistemas de códigos. Até porque as linhas que chegam pra cá são uma fração das que lançam nos EUA/Canadá.
Lembre-se de que o Google é seu amigo, e caso precise, pode pedir a minha ajuda que eu faço o possível pra achar os códigos ou um feel guide pra ti.
Espero que esse artigo te dê uma luz na hora de procurar essas coisa pra comprar. E se alguém quiser mandar algum pra resenhar, tamos aí, hein?

E deixo vocês com um artigo interessante, voltado mais às bases do colecionismo de blind bags.

Princesa Kilala




A marca Princesas Disney é um interessante objeto de estudo. Basicamente, pegou-se as principais protagonistas dos filmes clássicos da Disney e juntou todas pra vender brinquedos e outros produtos.
Não que eles sempre tenham algo a ver com os filmes de origem, mas "quem se importa? são só crianças, elas são idiotas, não vão notar e os pais vão comprar do mesmo jeito".

...futuramente eu vou entrar em mais detalhes nessa mentalidade.

De qualquer forma, a jogada da Disney hoje parece ser focar muito nessa marca, Frozen e Princesinha Sofia provam isso, e Moana está em produção.
Mas quem pode culpá-los? A fórmula funciona, financeira e artisticamente, como a História tem provado.

E um belo dia alguém achou que seria uma boa ideia trazer essa fórmula pro Japão e ver no que dava.
E assim nasceu Kilala Princess.



A história narra a vida de Kilala, uma estudante que sonha em se tornar uma princesa como as princesas da Disney, que ela vive lendo.
Até que um dia, um príncipe chamado Rei (yeah, yeah, faça sua piada agora) aparece com uma coroa mágica procurando uma princesa de uma profecia que ajudaria o reino dele a se reerguer.

A tal coroa então começa a liberar portais para os mundos das Princesas Disney, onde eles terão que ajudar elas a resolver os problemas, e aprender algo com elas.


O plot é beeem básico, e o título entrega um spoiler, mas, por incrível que pareça, a história tem muito mais.
À medida que conhecemos Rei e sua história, descobrimos sobre uma treta política no país, que foi praticamente devastado. E enquanto isso acontece, de fato pode-se notar uma tentativa de ser mais do que "guria japonesa conhece as Princesas Disney e toma chá com elas".

O desenrolar da história é praticamente um Mahou Shoujo, com alguns típicos clichês do gênero. Mas pegando emprestado elementos de Kingdom Hearts e Princesinha Sofia.
...eu nunca achei que fosse dizer isso na minha vida.


Até mesmo o clímax da história tem vários elementos que lembram séries como Sailor Moon e Friendship is Magic. O que não é necessariamente ruim, já que os personagens são identificáveis o suficiente pra que o público torça por eles.


Parte da identificação vem das relações com as Princesas, claro. Aos poucos, Kilala vai amadurecendo mais, à medida que aprende com as personagens como ser uma princesa.
Que Kingdom Hearts também faz.



Os capítulos basicamente focam muito nos mundos das Princesas, em Kilala e Rei tentando resolver os problemas ali. E é algo divertido, especialmente porque, ao contrário de Kingdom Hearts, Kilala já conhece esses personagens, ama eles, e tem uma noção de como resolver, embora nem sempre seja fácil.
E claro, tem os acessos de fangirlism que todos nós teríamos ao encontrar a Ariel.

...
Eu teria.
...apertar aquelas bochechas até virarem maracujás enrugados.
...
...*caham*

E assim como Kingdom Hearts, a história foca bastante nos mundos, mas ao mesmo tempo tenta (e consegue) andar com as próprias pernas.
Ainda assim, algumas coisas ficaram meio esquecidas durante a produção, aparentemente. Como a melhor amiga da Kilala que de um certo ponto pra lá simplesmente desaparece da história; ou o subplot da mãe doente que termina inacabado, e que poderia ter sido mostrados tranquilamente no último capítulo.


A arte é muito boa. Ainda tem aquele feeling inicial meio estranho de ver designs típicos japoneses lado a lado com designs da Disney, Felizmente, a tradução dos designs dentro do estilo gráfico é bem estudado e executado, não causando tanta estranheza.
Ainda assim, em alguns momentos os olhos da Kilala parecem exagerada e desnecessariamente grandes demais. Não é sempre, claro, mas existem momentos que se torna meio distrativo.


Clique pra aumentar
 



No entanto, nem tudo é um mar de rosas. A edição da Abril é meio descuidada na parte gráfica. Enquanto eu procurava o volume 5 pra comprar, eu achei um volume cuja primeira página não só estava dobrada na diagonal, mas a outra metade tava colada dentro do lombo, sendo impossível de tirar sem rasgar.

O meu volume 2 é meu volume bipolar. Em alguns momentos o tom de preto é muito forte, o que faz com que a tinta apareça como "fantasma" no verso da página, e em outros momentos é muito fraco.


Mas o pior mesmo foi o primeiro volume, que veio com falta de cola no lombo e veio com aproximadamente 70 páginas sem cola. Lembrando que o lombo tem cola e um fio pra costurar as páginas, então, sem cola, as páginas foram se destacando do lombo.


Setenta. Páginas.

Mas isso de lado, é uma excelente série. Personagens identificáveis, uma história-base interessante e com alma própria, boa tradução dos personagens clássicos da Disney.

E mais, é interessante notar que a Kilala lia as histórias das Princesas, e ao encontrar elas, ela aprende coisas, ela amadurece. O que é uma analogia bastante interessante e que foi uma oportunidade de ouro pra mostrar isso (já que Kingdom Hearts não se aproxima da Disney com o mesmo conceito).

Recomendado analisar bem os volumes que forem comprar, pra não terem os problemas de gráfica que eu tive. De resto, é uma excelente história pra passar o tempo em companhias conhecidas e novas.

Imagem bônus porque Ariel chibi.