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[Mês do Dr. Seuss] O Lorax (2012)


Olá, meus queridos leitores chocolatantes e entupidos de empanado de frango. Sim, todos os 2. No ano passado, como bem recordam, eu iniciei o Mês do Dr. Seuss, tradição que pretendo manter até não ter mais o que falar do nosso amigo rimador.

E esse ano irei abrir com um filme curioso, o qual nem necessitou meu estudo em Dr. Seuss pra perceber que esse filme é uma bela porcaria.
Sim, antes mesmo de eu começar a ler os livros, estudar a vida do cara, eu já percebi que era um filme ruim, em vários sentidos.


Então, vamos dar uma olhada em O Lorax, de 2012.




Após os eventos de O Dia em que a Terra Quase Se Matou (também conhecido como a estréia de The Cat in the Hat de 2003), a viúva de Dr. Seuss proibiu que fizessem outro live-action baseado nas obras de seu marido. E depois do sucesso de Horton e O Mundo dos Quem (o qual eu ainda não vi), ela resolveu tentar mais uma vez, se aproximando da Illumination Entertainment, cujos únicos filmes eram Meu Malvado Favorito e Hop. Mas o chefão da Illumination é ex-presidente da 20th Century Fox, tendo inclusive supervisionado Horton e O Mundo dos Quem. Então parecia ser o movimento correto da Sra. Seuss.

E nesse momento nós percebemos
que não foi. Mas a Sra. Seuss
gostou do filme, né.

O Lorax de 2012 é ligeiramente baseado no especial de TV de 1972, que por sua vez é baseado no livro de mesmo nome lançado em "eu não tou com saco de ir atrás da data de publicação do livro".


Na história original, um moleque vai atrás de um ser vivente chamado Onceler, pra saber o que aconteceu com as árvores de Trúfula, e ele conta pra ele como ele as usou pra criar uma roupa revolucionária chamada de Thneed.
Ela servia pra tudo, desde camisa, chapéu, rede, e o que você quisesse. Mas ele é visitado por um ser laranja com a voz do Phil de Hércules chamado Lorax, que é tipo o Curupira, só que mais fofinho. O baixinho alaranjado o avisa pra parar de cortar as árvores, e o Once-ler até que tenta ouvir o cara, a té que seu invento vira um sucesso e ele chama sua família pra tocar o negócio.

Isso só foi engraçado em Robôs porque
a mulher de fato ela era feia à beça.
E dublada por um homem.

Mais rápido que você pode gritar "Camisa Volta ao Mundo", o Once-ler começa a fabricar em massa o Thneed, e a cidade muda de nome em homenagem a ele e sua invenção, celebrando sua geniosidade nos negócios. Mas elese esquece de regras básicas de empreendedorismo e acaba com todas as árvores, logo Once-ler  e não pode mais fazer nenhum Thneed.

É isso que dá não fazer Senai.


E então ele deixa a última semente de Trúfula com o moleque, para que ele decida o que fazer a seguir.


Embora o especial de 72 seja levemente datado, ele ainda se sustenta muito bem, com uma mensagem passada de uma forma eficaz e fiel ao livro.
Os produtores se perguntaram "Hm, como podemos estragar mais esse clássico?", e assim se fez O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida.



Que, aliás, se parar pra pensar, é um título imbecil. Digo, o público BR não conhece Dr. Seuss (como Dr. Seuss, isso é. Se perguntar sobre o Grinch todo mundo vai saber; se perguntar sobre The Cat in the Hat ou vai lembrar do desenho que passava no Discovery Kids ou vão passar dois minutos em transe, tendo flashbacks de guerra), então faz sentido botar um subtítulo. Entretanto, NINGUÉM SABE O QUE RAIOS É UMA TRÚFULA. É um chocolate? É um jogo de cartas? Truffula é uma planta inventada com um nome que realçava a qualidade lírica do poema do livro. O subtítulo não faz sentido!


Mas voltemos ao filme.

O filme se passa numa cidade onde absolutamente tudo é industrializado, até as árvores e o ar. Somos apresentados a Ted (Zac Efron), que é um moleque desastrado e sem jeito tentando conquistar Audrey (Taylor Swift). Ela é uma garota sonhadora, meiga, ruiva, e cujo sonho é ver uma árvore de verdade. Então Ted , munido de toda sua idiotice juvenil e sem saber que seu único futuro seria servir de inspiração pra uma futura música de Audrey, vai atrás do único cara que sabe onde arranjar uma árvore: o Once-ler.

E não, não o chamarei de Umavezildo. É um nome grande demais. Mas boa adaptação, soou mais natural que Gatola na Cartola.


Mas há uma pessoa que não quer que as árvores voltem: o vilão rejeitado de Capitão Planeta: O'Hare. Ele é o cara que vende ar fresco em garrafões, o que levanta muitas dúvidas, mas é um desenho baseado no Dr. Seuss. Um pouco de reality-bending não faz mal.

...essa palavra existe né?


Então o Once-ler conta a Ted sobre como ele se tornou ganancioso e destruiu tudo e... Ugh. É ruim.


Digo... Meu Deus, como é ruim.

O primeiro problema é que os protagonistas são extremamente sem graça. Ted e Audrey são o casal adolescente quintessencial de Sessão da Tarde. Ash Ketchum e a Mary Jane em Pequenos Guerreiros tem mais carisma e química que esses dois fantoches digitais. Ted é o moleque que não tem noção nenhuma da vida, mas que tenta impressionar Audrey, que é claramente mais velha que ele (em suas próprias palavras, "Ela é uma mulher, já tá no Ensino Médio. Implicando que se alguém tá no Ensino Médio é automaticamente maduro e responsável, mas eu vou deixar a oportunidade de fazer uma piada ou rant sobre isso, porque eu já divaguei demais hoje). Enquanto Audrey é a típica "girl next door", mas ao contrário de, sei lá, Betty Cooper, ela é completamente... Meh. Não há nada que a marque, nada que a caracterize, ela basicamente só tá lá porque o plot exige que Ted tenha uma motivação pra ir atrás do Once-ler.


Oh, o Once-ler...

Eu provavelmente vou ficar bem pessoal nas próximas linhas.


Se você não viu o especial de TV, o Once-ler (bem como todos os outros parentes e humanos) são retratados com a mesma roupa, de mesma cor, sem nunca mostrar o rosto. Isso funciona brilhantemente, porque a mensagem é que qualquer um pode se tornar uma pessoa horrível, se consumida pela ganância.


Embora eu reconheça perfeitamente que , em uma hora e meia de duração, essa tática não funcione muito bem (a menos que você tenha um diretor/produtor brilhante, porque não é impossível. É difícil, mas não impossível), precisava tornar o cara o mais datado possível? Esse filme foi lançado em 2012 e ele já parece risivelmente antiquado, como raios isso é possível?


Ele foi feito pra ser a quintessência do cantor pop da época, provavelmente pra ser mais próximo dos jovens. E eu totalmente consigo ver esse ponto de vista, se não fosse o fato de que isso elimina o conceito de que o Once-ler pode ser qualquer um, ou que ele deveria representar grandes corporações ao invés de um único sujeito.

E claro, criar um vilão pra receber toda a culpa.


A mensagem do Lorax é que todos nós podemos e, até certo ponto, somos culpados. Todos temos a responsabilidade de cuidar da natureza e blablabla, vamos deixar nossa escola brilhando com esta canção.  Mas toda a responsabilidade e culpa vai pro cara esteriotipadamente vilão, ao invés de mostrar que pode ser qualquer um, eu e você, te deixando em uma posição confortável.


O Lorax original apontava na sua cara e dizia seu erro, mas fazia isso de uma forma madura e racional. No curta, tanto o Lorax como o Once-ler expõem seus pontos de vista, e ambos chegam em um ponto que dizem "eu entendo o seu lado". Não é uma decisão fácil, é necessário respeitar as árvores, mas ao mesmo tempo não impedir o progresso, incluindo demissão em massa dos funcionários.

E o que o filme faz com isso? Joga pela janela e transforma numa luta de bem contra o mal sem um lado cinza, ou mesmo um diálogo.


Eu até consigo aceitar a narrativa singular do Once-ler, ele é um sujeito que começou pequeno (como Walt Disney ou o Sílvio Santos) e agora tem uma mega empresa, e é natural que o sucesso suba à cabeça. E serve de alerta praqueles que estão no topo ou almejam estar lá.

Mas a execução do personagem e da própria narrativa é abarrotada em cenas fofinhas sem motivo, e paródias que seguem a cartilha do Irmão Wayans. Isso tudo, bem como o resto da história de Ted (que também é extremamente formulaica) acaba contribuindo pra que o resultado geral seja "meh".

"Olhem só! Missão Impossível existiu!
POR FAVOR RIAM!"
Eu juro, se não fosse o post-it no meu monitor eu nem lembrava de resenhar esse filme, porque ele não deixou absolutamente nenhuma marca. Nada pra se pensar. Enquanto o especial termina com o moleque com a semente em mãos, nos deixando a reflexão, o filme termina com (mais) um musical extremamente sem graça e feliz.

A única coisa que esse filme faz direito é o design de produção, que acerta em cheio nos designs Seussianos que, ao meu ver, não é fácil de ser replicado com fidelidade. Ainda mais quando se cria cenários e personagens novos. Ele é colorido, cheio de curvas, mas ao mesmo tempo sabe quando precisa ser sombrio e seco, bem como o especial original.


Mas até o design de produção se torna cansativo, maçante, e formulaico, quando você finaliza o produto final. As músicas são sem sal, os personagens são tão interessantes quanto conversar com uma escultura de Lego, e as decisões de adaptação de história, embora necessárias e bem intencionadas, não são completamente desenvolvidas e acabam causando mais prejuízo que benefício.


É um filme com morais erradas? Não, ele só não consegue passar a mensagem dele da forma certa. Se fosse uma história completamente original, eu nem teria muito do que reclamar, seria só mais um filme pra se passar na Sessão da Tarde e manter teus pivetes calados por uma hora e meia. Mas se trata de Lorax, de Dr. Seuss. Um cara que sabia como fazer mensagens relevantes de uma forma necessária e divertida pras crianças. Ele não tratava elas como meros números num gráfico, ele as tratava como seres humanos pensantes, e que talvez precisassem desse choque que o livro e a animação causam.

Eles te deixam desconfortável, mas apenas o suficiente pra que tu reflita. Ele sequer te dá um final, isso é até estranho em se tratando de entretenimento pra crianças.


O filme em si não tem nada moralmente errado que não possa ser mostrado pra crianças, mas se quer que sua criança entenda mesmo a mensagem do filme, mostre a versão de 72. "Ah mas é chato demais, é antiquado demais, a nova é mais coloridinha e alegre" Então você é tão covarde quanto o filme.

Aliás, antiquado uma pitomba, os desenhos de Peanuts foram feitos pelo mesmo estúdio, no mesmo estilo, e continuam atemporais até hoje.


E ALIÁS, daonde raios o Once-ler arranjou a última semente? No curta eu nem reclamo muito porque tudo é simbólico, é pra ser um conto curto. Mas no filme, dava tempo de ter desenvolvido melhor isso. Pelo amor de Oz!


E por hoje é só, aguardem semana que vem onde eu darei prosseguimento ao Mês do Dr. Seuss.

[Tio Walt - Parte 7] O Show Não Pode Parar



Voltando aos trilhos originais, o próximo longa de Walt seria um mais leve de se fazer. Ao invés de se prender a uma história conhecida, um livro, seria uma história própria deles, onde eles poderiam fazer basicamente o que queriam com os personagens e com a narrativa.

E assim o estúdio nos brindou com o fofíssimo A Dama e o Vagabundo.


Joe Grant, um dos animadores de Walt, fez alguns rascunhos de sua cadelinha, Lady. Sua filha acabara de nascer, o que moveu toda a atenção de Joe e sua esposa pra criança, o que resultou em algumas reações da cachorrinha. Walt gostou do desenho, e sugeriu que fizesse um stoyboard. Joe fez, mas Walt odiou o resultado. Lady era sim, uma personagem adorável, mas Walter sabia que fofura não fazia uma história.

Os live actions de Alvin e os Esquilos que o digam.


Assim, o projeto ficou engavetado por algum tempo, quando numa bela manhã de sol, Válter estava lendo uns contos no jornal, quando uma história de Ward Greene, sobre um cachorro cínico (ou assoviante, sei lá. Eu achei dois títulos, Happy Dan, the Cynical Dog e Happy Dan, the Whistling Dog) chamou sua atenção. Ele imediatamente comprou os direitos da história, e pediu que Ward jusntasse Dan com a personagem Lady. Valt sabia que unindo dois personagens tão diferentes, seria mais fácil de criar uma história.

Só 50 anos depois, na edição de Platina do filme, que Joe Grant recebeu o crédito que lhe era merecido.
Depois que sua esposa faleceu, ele voltou pra Disney e ainda trabalhou em projetos como Pocahontas e O Rei Leão.


Explicado esse pedacinho fascinante de História, vamos à história em si.



Um cara dá de presente pra sua esposa uma linda cachorrinha numa caixa de chapéu. Ignorando que hoje isso daria no mínimo um processinho daquela organização com nome de biscoito de polvilho, a moça morre de amores pela cadelinha, e a vida do casal é completa só com ela.

Até que a mulher engravida e toda a atenção do casal migra pra criança, e Lady tenta entender o que tá acontecendo.
Mas o casal tem que viajar e deixa a casa aos cuidados de uma tia deles, que tem dois demônios disfarçados de gatos. Aliás, eu tenho motivos pra acreditar que a tia deles é o próprio capeta, mas eu chego lá.

Coisas acontecem, e Lady acaba indo parar na rua, sendo salva e acolhida por um cachorro de rua, conhecido como Vagabundo. Que provavelmente é um dos nome mais sem criatividade pra um personagem que é tecnicamente um mendigo, mas o próprio Valdisnei botou o nome, então... É.

Blábláblá. Espaguete, esteriótipos italianos, romance, lucros.

Olha a reação dela, é fofo demais,
ao mesmo tempo humano e animal.

Agora, eu acho incrível como os caras do estúdio tem essa habilidade de pegar histórias simples e transformar em algo memorável. Isso tem todo o jeito daqueles filmes feitos só pra agradar aquele nicho específico de gente que vai ver filme só pra ver animaizinhos fofinhos fazendo coisas fofinhas; mas ao invés disso nos dá uma história genuinamente divertida por vários fatores.

Claro que a fofura é parte primordial disso, mas não é a única.

Os personagens em si são muito memoráveis, embora bastante simples. Lady é uma dama, mas ao mesmo tempo ela não é mimada demais, ou esnobe. Ela é delicada, gentil, mas também sabe quando precisa ser agressiva (porque instinto canino). Os vizinhos dela, um cão desmemoriado e um cão irlandês, também são memoráveis e divertidos, bem como ajudam a história a andar. E Vagabundo é o típico malandro de rua de bom coração.

Todo o filme é narrado e mostrado do ponto de vista dos cachorros, o que não me parece muito original, mas dá espaço pra coisas interessantes. Por exemplo, o nome do casal é Jim "Querido" e "Querida", porque a Lady só ouve eles se chamarem assim. E os cenários parecem maiores, mais espaçosos, como se fosse de fato a visão de uma criatura pequena.

Aliás, que cenários! Pegaram muito das artes conceituais de Mary Blair, e é um resultado incrível. É belo, detalhado, e eficaz ao mesmo tempo, não te distrai dos personagens.


Aliás, é interessante falar do enquadramento. Essa foi a primeira animação Disney (não sei se a primeira geral, eu creio que seja) feita em widescreen. Alguns cenários tiveram que ser expandidos depois de completados, e mesmo assim, nota-se como a ação normalmente ocorre dentro de um pequeno pedaço da tela, o que seria originalmente o 4:3. Alguns cinemas ainda não tinham essa tecnologia, então eles não eram prejudicados.


A animação também é sensacional. Se você tem um cachorro, vai se identificar com várias situações, desde o serzinho querer dormir dentro de casa até as brincadeiras típicas de cachorro, como ficar pulando pra chamar atenção do dono ou correr atrás de alguma coisa que se mova. E é tudo feito com uma naturalidade incrível, ao mesmo tempo em que eles mantém os traços humanos necessários.


E pra variar, os gatos siameses podem ou não ser um retrato racista de asiáticos. Digo, eles dizem ser siameses, fisicamente eles lembram asiáticos, e a música deles é tipicamente oriental, da melodia aos instrumentos.

Eu pessoalmente não me importo, mas poderia muito bem esganar os gatos e a tia do casal e fritá-los vivos. Eu juro, eles sequer são vilões, mas são personagens TÃO detestáveis e que criam situações TÃO injustas com Lady e o Vagabundo, que eu não consigo sentir pena alguma desses personagens.

"Ain nossa que crueldade" Crueldade é uma pitomba, não são seres reais: são personagens feitos pra transmitirem uma idéia ou sentimentos; se eu posso me apaixonar pela Pequena Sereia, porque eu não posso odiar mortalmente uma senhora de 70 anos que passa a mão na cabeça de meliantes como os gatos siameses?

HUNF! HARUNF!


Mas sério, até isso funciona perfeitamente bem, dentro da ótica de um cachorro. São seres estranhos, e o instinto da Lady diz que são prejudiciais, então esse sentimento faz todo o sentido. Estamos vendo do ponto de vista da Lady, afinal.

A Dama e o Vagabundo é, assim como Moana, um filme que não tenta ser demais. Ele simplesmente é divertido. É fofinho, te dá personagens cativantes e memoráveis, e tem músicas que vão te fazer ficar cantarolando depois de uma sessão: o que é suficientemente bom pra mim. É um filme divertidíssimo tanto pra quem ama filme de animais como quem não ama.


Uma nota menor: eu vi esse filme quando pirralho, mas a única coisa que me lembro era da cena onde a Lady sem querer rasgava o jornal. Bom, eu alguei o VHS de Tarzan na mesma época, e... É, pra um moleque de 6 anos, certamente Tarzan ficou mais bem gravado na minha memória.


E antes que eu me esqueça. Peggy Lee, dubladora da Peg e de outras personagens, que sugeriu que Trusty não morresse ao final do filme. Ela foi uma das poucas celebridades grandes que atuou em uma animação Disney na época, e junto com Sonny Burke, escreveu a maioria das músicas do filme, e cantou He's a Tramp, La La Lu, a música dos Gatos Siameses, e What is a Baby?.

O motivo que eu menciono isso é porque, como ela teve uma participação imensa na produção, ela tinha direitos iguais sobre a venda e lucro da distribuição do filme e das músicas. Até que em 87, a Disney lançou o filme em VHS. Não querendo dividir os lucros com Peggy, a Disney chegou nela e ofereceu uma graninha pra promover o lançamento. Peggy rodou a baiana e processou a Walt Disney Company e em 91 ganhou o processo, recebendo 2.3 milhões de Bushs.

Provando que nada é impossível, e eu ainda espero uma resposta oficial pra família de Tezuka. Mas aí já é outra história.



E já pegando carona em cachorrinhos bonitinhos, falemos de um dos live-actions mais lembrados e queridos de Walt Disney.

...que? Não, seu adolescente com o QI equivalente a um pepino, não é Air Bud!
Nem Space Buddies! Meu Deus, quem vocês pensam que eu sou?

Eu falo de Old Yeller, conhecido como Meu Bom Companheiro em terra brasilis.

BEST DOGGONE DOG
IN THE WEEEEEST
A história começa quando Davy Crockett tem que sair de casa por 3 meses pra caçar coelhos, ou algo assim. Ele deixa a casa sob o mando de seu filho mais velho, Travis, que começa a fazer todo o serviço de colheita. Mas durante seu trabalho, um cachorro amarelo cruza o caminho de seu cavalo, causando grande destruição. Mas ele não pôde fazer nada quando ao cachorro, já que seu irmão caçula insistiu em ficar com o animal.

Mesmo tendo ódio mortal pelo cão, aos poucos ele acaba se afeiçoando e aceitando seu espaço na família. Blábláblá, se você viu Marley e Eu, sabe como isso vai acabar. Talvez não como em Marley, mas ainda assim.

A princípio, é um filme que demora um pouco a se desenvolver. Lembra muito um faroeste, só que num conceito mais slice-of-life. Vemos a família em seus afazeres diários, Travis tentando conviver com o cachorro, e seu irmão caçula sendo irritante e mal-educado.

Sério, esse moleque é ridiculamente irritante e sem limites, se eu fosse a mãe dele já tinha dado uns tapa na boca dele. "Ain nossa que crueldade" O MOLEQUE JOGOU PEDRA NO DONO ORIGINAL DO CACHORRO, VAI SE LASCAR.

Não se deixem enganar
pelo olhar inocente
É difícil pra mim se conectar com os personagens quando eles são ridiculamente imaturos (como o moleque) ou não são simpáticos o suficiente. Eu entendo que o filme é sobre Travis amadurecendo e se tornando um homem, mas raio, ele rejeitou o filhotinho que a guria deu pra ele! E da forma mais fria e bruta possível! Não tem como eu simpatizar muito com ele.

Agora, em todo o resto, é um filme muito bem feito.


O clima é ótimo, a fotografia capta bem as paisagens texanas (embora tenha sido filmado na Califórnia), e especialmente o treinamento e pós-produção nas cenas dos animais é fantástica! Tem um making-of curto sobre o filme, se entender inglês vale muito a pena dar uma assistida. Até por ser curto.


A atuação de Travis em especial é muito boa. Pra uma criança atuar a esse nível de emoção, e protagonizar cenas tão difíceis de assistir, é um feito muito grande. Embora eu não goste muito do personagem, a atuação é extremamente bem executada.

E assim como 20 Mil Léguas, é um filme que se leva muito a sério. Poderia ter sido facilmente um filme muito meloso, um musical; mas ao invés disso decidiu ser sério, e aceitar a vida como ela é. Quando é alegre é alegre, quando é difícil é difícil. Mas se nos prendermos só aos momentos tristes e difíceis, toda nossa vida será triste e difícil. Como Bob Ross disse, precisamos ter luz e escuridão numa pintura, assim como na vida. Temos que ter uma tristeza de vez em quando, pra valorizarmos os momentos alegres. E essa é uma mensagem muito boa a se passar, e o filme a passa de maneira eficaz.

É um filme tanto pra amantes de animais como pra quem não é muito chegado. Assim como Marley e Eu, ele não é tanto sobre o cão em si, mas sim sobre os seres humanos e como eles foram afetados pelo cão. É um filme que merecia mais destaque, mas provavelmente pela postura atual da empresa, não recebe o destaque que merece, infelizmente.



Enquanto isso, Walt preparava desde 1951 o próximo conto de fadas do estúdio, Bela Adormecida.


A história, baseada no clássico balé de TCHAUCOVSK, narra sobre uma linda princesinha que acabara de nascer, e seus pais mortos de orgulhosos, proclamam feriado em todo o reino, e são visitados por 3 fadas que dão presentes pra criança, como beleza e canto. Mas a festa é interrompida por Malévola (que nesse ponto do estúdio ainda não era uma fada má, graças a Deus), que dá seu presente pra criança. Aos 16 anos, ela espetará o dedo em uma agulha de tear e morrerá. A fada que por algum motivo parece a Rosie O'Donnel dá o último presente, que abre uma brecha na maldição: ela só vai dormir e será acordada com um beijo de amor verdadeiro.

Pra esconder a guria de Malévola, as fadas levam Aurora pra uma cabana na floresta, onde a criam com o nome de Briar Rose, até que ela faça 16 anos.

Blábláblá, dragão, príncipe, lucros.

Pode apostar que tem príncipe e dragão.

Uma das melhores coisas desse filme é seu design de produção. As instruções de Valt foram bem específicas, ele descreveu suas idéias como uma tapeçaria em movimento. Então todo o filme tem muito dos designs extremamente geométricos medievais, mas equilibrando com as formas mais fofinhas Disneyanas. Mas uma coisa que eu só notei agora, é que os cenários são extremamente detalhados. Eles não são pra parecerem tridimensionais, pela referência das tapeçarias. Mas em alguns cenários há uma riqueza tão grande de detalhes que impressiona.

Obviamente, porque Bela Adormecida foi o primeiro longa Disney a ser gravado em alta definição, então os cenários foram feitos em folhas imensas, e com um nível de detalhes absurdo. Claro que isso causou problema pros animadores fazerem os personagens minúsculos nesse mar de espaço.

A animação em si, aliás, é linda. Aqui começa-se a notar mais um estilo novo Disney, onde há mais personagens cômicos e com um estilo gráfico mais moderno, que iria se seguir nos anos vindouros.

OLHA A CARA DA ROSIE, MANO
OLHA ISSO
ME MATA TODA VEZ QUE EU OLHO

Os personagens são ótimos. As fadas tem uma dinâmica muito boa, e cada uma é divertida por si só. Os reis tem uma certa comicidade, e as sequências filler não se sentem como filler, elas desenvolvem certos aspectos da história.


Mas o personagem que todo mundo se lembra é Malévola. E há excelentes motivos pra isso. Ela é má, gosta de ser má e praticar maldades, mas ao mesmo tempo ela tem classe, ela tem dignidade. Eu costumo dizer que ela é a prima européia e chique da Bruxa Má do Oeste. Assista esse filme e depois veja Descendentes, e vai entender o que eu quero dizer com isso.

Aliás, nem perca seu tempo vendo, a menos que você seja masoquista e ache que fazer a barba usando um cortador de unha enferrujado ensebado de óleo de porco é uma boa maneira de passar um sábado à noite.



A motivação dela é fraquíssima, mas todo o resto em Malévola é memorável: a forma de vestir, os poderes, a forma de falar, o clímax épico em forma de dragão. Aliás, esse é um dos melhores clímaxes que a Disney já fez, de verdade. Os animadores inclusive explicam que certas coisas não fazem muito sentido, como os espinhos; mas é algo do momento, da emoção, quase que como um pesadelo. É fantástico.

Infelizmente, o que o filme faz direito nos personagens de apoio, design de produção e animação, ele faz o equivalente contrário nos protagonistas.


Comecemos pelo Príncipe. É notório que os príncipes da Era de Ouro não eram bem desenvolvidos (parte disso era porque os animadores não conseguiam animar personagens masculinos e bonitos direito). Os príncipes de Branca de Neve e Cinderela nem possuem nomes (e se possuem, eu não lembrar disso é uma prova do quão subdesenvolvidos eles são). Aqui, ao menos eles tentam nos fazer gostar do príncipe, vemos ele criança no nascimento de Aurora, a reação dele ao ver a guria. Vemos que ele é muito amigo de seu cavalo... E... É.

Ainda não é o suficiente, mas ao menos eles tentaram.

Aurora, por outro lado... Ugh.

Eu DESPREZO Aurora. A ponto de em alguns momentos de debate onde eu a cito, eu esqueço o nome dela. É sério.


Em um artigo anterior dessa série, eu mencionei como Cinderela e Branca são bons exemplos pra todo mundo. São inocentes, puras, mas que sabem como agir dependendo da situação, o que geralmente envolve serviço pesado de casa (que, como já mencionei, não é fácil e não deve de modo algum ser menosprezado), e que tem formas louváveis de fazer esse serviço tentando se cansar o menos possível.

Ou seja, elas são donas-de-casa exemplares e tem personalidades agradáveis, cada uma a seu jeito.

Aurora... Ela é o esteriótipo que normalmente se pensa quando se fala "Princesa Disney". Ela é bonita, canta, e é ridiculamente plana. Mas não é só isso.

Como descrevê-la... Sabe aquela guria da sua sala que foi criada a leite com pêra e ovomaltino pelo pai divorciado que não sabe dizer "não"? Onde ela anda sempre maquiada, com um iPhone 18, tem um armário só pra capinhas, e vive postando foto no instagram na praia ou na baladinha top? Aquela guria que basta 30 segundos de conversa tu percebe que o nível cultural dela é o equivalente a uma vitamina de açaí?

Aposto como pensou em alguém muito específico agora.

Pois bem, essa é Aurora.

...guardadas as devidas proporções.

HAKUNA MATATAAAAAAA

O único trabalho que vemos Aurora fazer é ir colher frutinhas no campo. E em um momento ela abre a janela com um lenço na mão, que eu imagino que seja pra tirar poeira. Mas fora isso, não vemos ela fazer absolutamente nada.

Ela vai pro bosque colher frutinhas, encontra seus amigos animais, começa a cantar sobre o príncipe que encontrou num sonho, encontra o príncipe, fim.
E quando as fadas revelam sua origem e dizem que ela não pode ficar com o moço da floresta (porque ela não sabia que era o príncipe) ela começa a chorar.

Aliás, cês tem noção de que ela tem 18 linhas de diálogo? A primeira linha é aos 19 minutos, e a última é aos 39 minutos. O último som que ela faz é no castelo, chorando pelo príncipe. Meu Deus que criatura mimada e irritante.

E pior, eu só consigo imaginar como o presente das outras fadas (beleza e canto) não serviram muito, porque ela nem é muito bonita e a música que ela canta é com uma voz meio zoada. É bem afinada pra ópera, mas é totalmente fora do estilo, que causa estranheza.
E caso esteja interessado, a última fala do príncipe é "Goodbye, father!", quando ele parte pra encontrar Briar/Aurora na cabana na floresta.

E vocês achavam que os personagens de Branca de Neve eram planos. PTÚ! PTÚ, eu digo!


Ok, somados os prós e contras, é um filme que vale a pena ver ainda hoje?


Não só por motivos históricos, mas por motivos artísticos. O design, animação, e personagens são muito bons, e podem dar inspiração a outros personagens, mas os protagonistas e ritmo são muito ruins. É um filme lento demais, demora a acontecer alguma coisa que valha a pena. Mas ainda é assistível vez ou outra.


E enquanto eu assistia esse filme, eu lembrava de um momento de minha infância, quando meus primos alugaram um VHS de Bela Adormecida. Meu primo tentou me convencer a assistir, dizendo "é legal, a Malévola vira um dragão no final", e eu, achando que seria um filme de princesa chato (tipo, sei lá, um filme da Barbie que não seja O Quebra-Nozes) não quis. Bem, eu não tava errado, nem meu primo. É um filme extremamente plano em termos de protagonista e ritmo, mas tem um clímax do pipoco.




No mesmo ano, chegava aos cinemas Darby O'Gill and the Little People (A Lenda dos Anões Mágicos, na terrinha do Guaraná Jesus). Eu poderia falar sobre Shaggy Dog, que teve sequências e inspirou um remake com o Buzz Lightyear e o Tony Stark, mas vejam bem, Darby O'Gills tem efeitos práticos lindíssimos, e esse é totalmente meu ponto fraco.


A história se passa na Irlanda e segue um velho chamado Darby, que passa os dias no bar local a narrar suas histórias envolvendo duendes. Embora todo mundo na cidade goste de Darby e goste de ouvir suas histórias, há alguns que não acreditam, como Pony, filho da velha fofoqueira local.

Sim, o nome dele é pônei.

Mas o lorde decide que Darby não vai ser mais o caseiro de seu sítio, devido a sua avançada idade, e manda Sean Connery pra ficar no lugar do velho. E enquanto a mãe de Pônei tenta juntar seu filho com Katie, a filha de Darby, o velho acaba caindo no mundo dos duendes, onde o rei diz que ele não vai poder sair. O que não impede que Darby os engane e acabe capturando o rei, que agora lhe deve 3 desejos. Altas tretas acontecem, em um desafio de enrolação entre Darby e o rei dos duendes. E é divertido à beça.


O clima do filme é agradável e tem aquele tom de cidade do interior, que é bem típica a nós, parando pra pensar. Eu consigo até traçar uns paralelos entre Darby O'Gills e O Auto da Compadecida, tem uma cidade do interior, tem o contador de histórias, tem a moça bonita que não quer casar com qualquer um. Bote um pistoleiro que não gosta de matar e tamos feitos.

Não, o Sean Connery não conta, ele ainda não era James Bond. Aliás, esse foi o filme que o revelou, e ele acabou em 007 Contra o Satânico Dr. No.


Uma das melhores coisas no filme é o elenco. Meu Deus, que elenco bem escolhido. Darby é incrivelmente amigável, carismático, e alegre; mas ao mesmo tempo ele é seriamente preocupado com sua filha e com o futuro dela, já que eles vão perder a casa que ela morou a vida toda. O que o leva até a cometer erros, como não contar logo a ela toda a situação, mas no fundo ele é um cara bem-intencioado. O que não o isenta dos erros, inclusive de tentar roubar os duendes em mais de uma ocasião.


Katie é uma guria extremamente adorável, quase uma versão mais jovem e irlandesa da Marion de Indiana Jones. E não só fisicamente, mas a personalidade dela também. Ela é uma moça de gênio forte: quando tá alegre, ela tá MUITO alegre, ela canta, ela pulula, ela sorri, ela rodopia. Quando ela tá com raiva, ela pode te dar uma bifa na orelha só por tu perguntar se ela prefere Coca, Pepsi, ou se tá de TPM.

E Sean Connery é o típico galã boa gente: posa, faz o serviço que tem de ser feito, mas acima disso, ele canta.
Sean Connery cantando em um musical da Disney.

Exceto o voice-over da Katie, sim... É estranho... Mas veja bem, SEAN CONNERY!


Um dos grandes focos do filme são os duendes, e rapaz, como foi acertado. A idéia de Walt era que ele tinha usado duendes reais pra fazer o filme, tanto é que o único crédito deles é agradecimento pela participação deles, e em seu programa Disneyland, ele e Darby mostram como convenceram o Rei a participar do filme.


E há um motivo muito bom pra isso: os efeitos são bons.

Muito bons.

Muito bons MESMO, até pros padrões de hoje.


Me diz aí, se a Disney resolvesse fazer um remake dess filme (Deus permita que não), ia ser tudo em CG. Mas naquela época, eles usaram truques práticos, na marra mesmo. E ficou lindo, eu ainda tenho dificuldade em acreditar que é uma trucagem.

Tem um vídeo mostrando como foi feito, mas eu recomendo fortemente que não veja. É sério. É uma das poucas vezes que um making of pode de fato acabar com a ilusão do filme, que já é fantástica por si só.


Outra coisa que esse filme faz bem é no clima das cenas. Há várias cenas alegres, coloridas, em belas paisagens e cenários pintados em um vidro na frente da câmera, mas há também momentos sombrios, tenebrosos, e isso reflete as situações das cenas, já que há conceitos um tanto quanto sombrios, como prender o Darby o resto da vida no reino dos duendes.

E claro, o Banshee. Que não é assustador como o Doug Walker lembra (isso eu creio que seja mais nostalgia mesmo, tipo eu com a Caipora), mas é algo tão bizarro e tão bem executado, tanto em visual como áudio, que tu não pode deixar de sentir um certo arrepio, é bom demais.


Darby O'Gills é um daqueles filmes que é extremamente bobo e brega, mas sabe quando tem que ser mais sério, desenvolver personagens, e como fazer isso sem deixar de ser divertido. O roteiro é ótimo, os atores são ótimos, os efeitos visuais são incrivelmente ótimos, e a música complementa tudo, dando aquele sabor irlandês animado. 

É um ótimo filme, se ainda não viu, eu recomendaria que você assistisse o mais rápido possível.


E as novidades tecnológicas iriam continuar, na próxima parte veremos como os estúdios quase pararam de fazer animação 2D, e o Xerox os salvou.

Eu pensei em fazer uma piada relacionada a Princesa e o Sapo mas falhei miseravelmente.


Fiquem com o Darby imitando o Costinha, então.

Os Quatro Aventureiros

matar quem, amigo?

Há uma regra da vida que diz que, se você gostava de algo antes dos 15 anos, é provável que essa mesma coisa hoje te seja intragável, literalmente e criticamente ruim. Se não é, provavelmente passou no teste do tempo.

Eu tenho quase certeza de que agora mesmo cê pensou em algum desenho, série, ou filme muito específicos. Pra mim, eu lembrei de Superamigos e Rocket Power. E embora algumas coisas tenham se mantido ridiculamente bem com o passar dos tempos, outras coisas mostram o quão idiotas éramos.

Semana passada vimos que Gatos Não Sabem Dançar ainda se sustenta como um bom filme pra crianças, mas eu mencionei que foi porcausa de outro filme que eu achei esse. Eu procurava por um filme que eu não lembrava absolutamente nada, fora alguns flashes curtos, e que passava no SBT, no Cinema em Casa.


Sem mais delongas... Ugh. Os Quatro Aventureiros.





A história tem como base o conto Os Músicos de Bremen, onde um burro, um cão, um gato e um galo se reúnem pra serem cantores e acabam prendendo ladrões no processo. Basicamente, uma versão animalesca e menos engraçada de Josie e as Gatinhas da Hanna-Barbera.

O plot do filme é um pouco mais desenvolvido. O cachorro é expulso pelos seus donos, por ser incapaz de caçar raposas. O burro é substituído por um centauro-robô feito em CG; a gata herdou uma herança de sua dona e os parentes vivos deram um jeito de se livrar dela, e o galo foi expulso pelas galinhas ou algo assim.

Assim, eles decidem ir pra Paris ser músicos, mas devido a uma confusão nas placas eles acabam em Bremen, uma cidade governada pelo mesmo pessoal de AKB0048, porque música é algo proibido por lá.


Mesmo assim, eles acabam contratados por uma fábrica de salsicha, que precisava de garotos-propaganda e alguém pra cantar o jingle deles. Nisso, os heróis vão descobrir... Algum segredo... Eu acho. Porque a fábrica é do mal... Eu acho.

Eu assisti a versão dublada, e por algum motivo, alguns pedaços tavam em alemão. Não, eu não fui atrás de uma versão em inglês pelo simples motivo de que eu não quero sofrer de novo. Meu Deus, como esse filme é ruim!

Embora eu dê crédito a eles por tentarem fazer uma história mais séria, desenvolvida e original com o conceito da lenda, o filme não consegue se sustentar, começando pela animação.



A animação 2D é sofrível, mas nada que seja espetacularmente ruim. Se fosse um filme pra TV seria compreensível, e talvez até mais refinado. Mas é um filme pra cinema com um orçamento equivalente a um pacote de Trakinas Mini e uma caixinha de Nescau pra cada funcionário, então a animação acaba sendo fraca. Os personagens não tem peso algum, as orelhas e caudas estão sempre em movimento, até quando não precisam, e com isso acaba ignorando algumas leis da física. É como se a gravidade fosse totalmente irregular, e ficasse mexendo nos personagens o tempo todo.

A animação 3D-pelo amor do Ed Catmull... A animação 3D é algo um pouco melhor do que ReBoot. O que faz sentido, já que o filme saiu no mesmo período da série. Mas era o tempo do início da Pixar, um ano depois eles lançariam Vida de Inseto, e em 97 mesmo era lançado Geri’s Game.

“Ora Kapanes, eu não entendi, você quer dizer que foi uma falha eles experimentarem essa nova e maravilinda tecnologia que era a Computação Gerada por Computador?” Não, meu caro leitor que conversa mentalmente comigo. Se é um experimento, faça, é ótimo testar possibilidades novas misturando tecnologias. Faz um filme misturando CGI, animação tradicional e stop motion, como Paranorman fez em um momento. Mas meu ponto é: ficou horrível.

Tipo, horrível MESMO.



Olha essa praga. Eles usam CGI pra coisas relacionadas a tecnologia em si: a fábrica, o controle da fábrica, o centauro-robô. Mas é escancarado na sua cara que é CG, e a cena fica estranhíssima quando um personagem 2D segura um objeto 3D. Se fosse feito com cel-shading, um 3D querendo imitar 2D, provavelmente ficaria melhor.
A CG em si já é ruim por si só, quando colocado junto do 2D, fica mais estranho ainda. Meu Deus, essa CG faz com que do Oddworld do PS1 se pareça com Procurando Dory! É totalmente compreensível alguém dizer “ok, mistura 2D com 3D”, mas quem raios autorizou eles a continuarem depois de verem os testes? Alguém viu as cenas de teste? Alguém FEZ cenas de teste?

O roteiro é um desastre. Os personagens são tão profundos quanto um sakazuki (aquele pires de beber sake, não o personagem de One Piece). O cachorro é fiel, a gata é delicada e sedutora, o galo é espalhafatoso e o burro é inocente.

Aliás, o cachorro tem um modo Hulk, que é usado exatamente duas vezes no filme. Na primeira é estabelecimento da habilidade, e na segunda é usada pra fugir da prisão, onde ele sobe nas paredes e explode as grades. Minha teoria é que essa foi a única saída que acharam pro momento, e tiveram que criar essa habilidade pra ele, editando o começo do filme.

E vocês achavam que eu tava zoando

Fora essas características fixas, não há nenhum desenvolvimento dos personagens. O que você vê é o que você tem. E eles sequer conseguem cantar direito, porque as músicas são tão melosas e mal escritas que elas me machucam fisicamente. É como se o roteiro e as músicas do filme fossem escritas pelo sobrinho de 12 anos do diretor, onde na mente dele, ele tava escrevendo uma história muito profunda e complexa, de acordo com os clichês que ele é acostumado a ver nos filmes. O que inclui um casal se formando no final.

Sim, sem mostrar nenhuma química ou relação, o cachorro e a gata começam a namorar, com uma música tão, mas TÃO melosa e clichê, que eu tive que rever ABC do Amor pra recuperar um pouco da minha dignidade.
...ok, essa última parte é exagero, eu nunca vi ABC do Amor completo. Mas ainda assim!



Esse filme é uma catástrofe, eu não faço idéia como raios alguém olhou pra esse filme e achou algo aceitável. Eu sinceramente acredito que esse filme seja algum modo de lavagem de dinheiro, na mesma linha do Uwe Boll.

Se bem que no caso do Boll não era bem lavagem de dinheiro e... Ora, vocês me entenderam!

Ao menos alguns backgrounds são interessantes.

[Tio Walt - Parte 6] No Topo do Mundo


Tio Válter finalmente conseguiu estabelecer o estúdio como queria. Seu próprio estúdio de animação, migrando pra live-action, própria distribuidora de músicas, venda de brinquedos, e logo em breve ele abriria a própria distribuidora de filmes, a Buena Vista.


E o próximo projeto a ser concluído após o fim da Segunda Guerra, foi um que Walt queria fazer há muito tempo.

A essa altura isso já é um pleonasmo, né.




Peter Pan é uma das histórias que Walt mais gostava quando criança. Foi uma das peças que assistiu quando pivete, e chegou a interpretar o personagem-título em uma peça na escola. Obviamente Walt queria que o filme fosse perfeito, porque era uma memória preciosa de sua infância, e a temática era justamente sobre crescer e se esquecer das alegrias da juventude. Que foi o que o fez dispensar novamente David Hall, por suas artes serem muito sombrias.

Depois pesquisem por concept arts dele no Google.


A história narra sobre Alice, que contou sobre o País das Maravilhas pra sua família e a internou no mesmo hospício de Dorothy em Return to Oz. Ozma salva a garota, muda sua identidade, e a manda pra uma nova família, pra assim começar uma nova história, uma nova vida!


"Mas Kapan, O Mundo Fantástico de Oz se passa nos Estados Unidos, não na Inglaterra!"


Hein?


"O Mund-"


Como eu ia dizendo, Alice (agora chamada Wendy) não perde a mania de contar histórias fantasiosas como se fossem reais, e entrete seus irmãos contando sobre um menino que voava e nunca crescia, chamado de Pedro Pão. Seu pai acha ABSOLUTAMENTE ULTRAJANTE, como uma menina de 12 anos se limita a ouvir e contar histórias fantasiosas? O que ela pensa que é, uma criança? UBBLARHABLHABRAHG!

Até que uma noite, Pedro retorna à casa de Wendy pra pegar sua sombra de volta, e acaba levando a menina e seus irmãos pra Terra do Nunca, onde eles vivem as aventuras que sempre quiseram.


A estrutura narrativa do filme é curiosa. Embora ela pareça ter um foco (e de fato tem uma estrutura narrativa em 3 atos), na prática ela acaba divagando demais nos seus ambientes. O que na real é muito bom, pro propósito do filme. A Terra do Nunca é baseada nas fantasias dos moleques, então nada mais natural que deixar que eles aproveitem e se divirtam nesse mundo.

E de fato, é divertido à beça. Raios, piratas, índios, sereias, e um moleque elfo que voa? Fora que tem FADAS!

...eu tenho uma coisa com fadas, desculpem.


E ele te deixa passar tempo com eles, e até explica certas regras do mundo. Por exemplo, eles explicam que a rivalidade entre os índios e os Garotos Perdidos é só um jogo, e que os piratas eram piratas comuns.

O que não explicam é como raios os piratas chegaram lá, mas né. Fantasia juvenil.

PA-DRI-NHOS MÁ-GI-COS!

Novamente, Catarina Bom Monte (sim, eu tou com preguiça de digitar o nome dela) faz um trabalho exepcional com Wendy, dando profundidade e carisma pra personagem. O romance entre ela e o Pedro Pão é um típico romance de criança, e é atuado como tal. Ao contrário daquele filme que teve dublagem da Bernadete do Chocolate com Pimenta, que eu nem posso falar muito porque faz eras que eu não vejo.

Mas até a parte de ciúmes entre os personagens é executada de uma forma realista. Wendy não entende bem esses sentimentos, mas sabe que os tem e quer botar pra fora. Ela adora Peter, e não tem medo de mostrar isso, enquanto Peter só fica confuso, como a maioria dos meninos e nerds com um nível de convívio social resumido a jogar The Sims.

...não que eu seja um desses nerds, claro.

RATINHO-O-O-O-O-O-O-O-O

Os designs dos personagens são bonitos, mas ao mesmo tempo são claramente um produto de seu tempo. O que acaba ajudando a estabelecer o período que a história se passa, que por sua vez reforça certas características do pai de Wendy. Eu adoro o design do chefe índio, é grande, imponente, sério, mas ao mesmo tempo consegue ser divertido. As personagens femininas, em especial Tiger Lily e as sereias são ridiculamente adoráveis, mesmo que tendo pouco tempo de tela.

Mas de fato, quem rouba todas as atenções é o Capitão Gancho.


Poucos vilões são tão ameaçadores e ao mesmo tempo tão engraçados e carismáticos. Ele não é um pirata comum, que anda sujo, bêbado, com a barba cheia de comida, e assistindo filme no Popcorn Time. Ele é refinado, um homem de classe, sutil, mas que sabe a hora em que precisa ser mais bruto e deixa suas emoções aflorarem. Ele, Tic-Toc, e Smee protagonizam algumas das melhores e mais engraçadas cenas de slapstick que eu já vi.

Por algum motivo, há poucas músicas no filme, mas em geral elas servem pra dar o tom necessário que a cena pede. São relativamente memoráveis, o suficiente pra tu ficar cantarolando depois de uma sessão, o que é suficientemente bom pra mim.

Da esquerda pra direita:
Cheryl Blossom, Betty Cooper, e Veronica Lodge.

E sim, esse filme gerou uma certa polêmica racial em torno dos índios, e nas minhas pesquisas eu vi que um dos termos usados é considerado ofensivo, mas assim como Song of the South, ele tem motivos históricos. Os índios foram retratados desse mesmo jeito na peça original, então não dá pra reclamar muito. E o filme não faz necessariamente nada de ruim, os índios não são vilões, são só mais um povo que vive na Terra do Nunca, e que ocasionalmente tem disputas amigáveis com os Meninos Perdidos.

Que, aliás, no livro Peter mata os Meninos que crescem, e em algumas guerras muda pro lado pros índios só por diversão.

Pois é!

"LISTEN HERE, YOU LITTLE SHIT"

Esse não foi o primeiro filme a mostrar uma Sininho (ou Tilim-tim, sei lá a versão que tu viu; só tou botando essa informação aqui senão a Gunther me bate) com formas humanas, mas foi a definitiva. Ela é uma personagenzinha fascinante, talvez por ser tão simples. Aqui, fadas são criaturas extremamente emocionais, e como são pequenas, só conseguem mostrar uma emoção de cada vez. E a forma que animaram ela, fiel a esse conceito mas ainda dando uma profundidade a ela é incrível.

E não, ela não foi desenhada com base na Marylin Monroe, a essa altura ela nem era bem conhecida.


E pela primeira vez, Pedro Pão é interpretado por um homem, na voz e modelos do moleque de Song of the South, porque ele era basicamente o jovem "oficial" do estúdio.


Peter Pan é um filme que se sustenta até hoje, e numa época onde crianças querem ser adultas rápido demais, é um bom filme pra refletir. O pai de Wendy não quer que a guria fique presa muito tempo na infância, quer que ela cresça logo. Mas ao final do filme, ele muda de idéia, e vê um navio no céu, que ele diz não se lembra de ter visto desde que era pirralho, reforçando a idéia de ciclo que o filme abre. Às vezes, adultos esquecem de certas alegrias da infância, e com medo de que as próximas gerações não consigam se levar a sério, querem que logo cedo elas aprendam sobre a seriedade da vida. Embora eu seja totalmente a favor de conversar e mostrar essas coisas a crianças, é necessário ter uma medida.

Criança não é burra, elas entendem das coisas. Mas é preciso que se saiba falar com elas ao nível delas, ao mesmo tempo em que não as trata como idiotas. É difícil, sim. Mas o que temos hoje é uma geração de crianças que querem ser adultas cada vez mais cedo, e isso é muito preocupante, ao menos pra mim. Que memórias elas vão ter quando crescerem? Quando olharem pra trás vão ver que desperdiçaram uma parte importante e ótima da vida, onde se fazia valer o ditado "a ignorância é uma bênção".

Mas às vezes é algo que simplesmente se esquece, como o pai de Wendy. Mas aí já é um fator externo.

São três horas da manhã e eu já tou divagando sobre gerações e nostalgia, que massa.


Mas é o tipo de coisa que Peter Pan te faz pensar. Pensar na época da infância, onde tudo era possível, onde piratas podiam se encontrar com índios, onde meninos podiam voar e sereias e fadas existiam. Essa época mais livre de regras de criação, sem um método criativo, que dá a criança o gosto por imaginar, que é uma ferramenta essencial no mundo adulto. 

Mas mesmo sem essa reflexão, ainda é um filme ridiculamente divertido, com cenas bem ritmadas, excelentes cenas de ação e slapstick, e uma direção de arte fantástica. Não é à toa que Sininho é tida como a "chave" pro mundo mágico de Disney.


Ok, agora eu preciso fazer uma pausa pra explicar um pouco sobre a História do Walt Disney Studios.

Como deu pra notar, mesmo que Válter tivesse um prestígio em Hollywoodland, animação era um negócio caro (especialmente pro padrão que ele tinha), e o estúdio constantemnte precisava de mais mini-retratos de presidentes americanos.

Depois que Válter acordou pros live-actions (que eram relativamente mais baratos de se fazer, fora todo o caso com o dinheiro preso na Zoropa), ele decidiu montar estúdios de gravação pelos EUA mesmo. Jack Webb se ofereceu pra financiar a construção desses galpões, onde ele gravou muito da série Dragnet.

E a partir do final dos anos 50, os estúdios fizeram muitos live actions.

Tipo, MUITOS mesmo.

É sério

Imagine um número grande. Pois é, esse número é a ponta do iceberg. A Walt Disney fez tanto live action que chegou a um ponto dos anos 80 e 90 que eles simplesmente começaram a fazer remakes desses live actions, alguns que até já tinham sequências.

Como podemos ver, a História se repete.



Então, se eu fosse falar de todos os live-actions eu iria passar praticamente minha vida toda dedicada a isso. Assim, eu decidi resenhar aqueles que são mais notáveis, que deixaram uma marca maior, e são mais bem lembrados. Ou que simplesmente são interessantes.

Não se preocupem, eu pretendo mesmo ver e resenhar o maior número possível, mas tudo a seu tempo. Alguns vão entrar na Batalha de Versões (como The Parent Trap e Freaky Friday), outros vão ter suas edições especiais. Não se preocupem, não esqueci de falar sobre os quadrinhos e sobre a Disneyland.


Mas por enquanto, vejamos o primeiro filme da Buena Vista (a recém-criada distribuidora Disneyana), 20 Mil Léguas Submarinas.




Mas antes, uma história curiosa sobre como o diretor foi escolhido.

Antes de dirigir filmes como Conan e Tora! Tora! Tora!, Richard Fleischer era só o filho de Max Fleischer, grande rival de Walt. Eu mencionei eles brevemente na primeira parte da retrospectiva, enfim.

Quando Richard soube que Walter o tinha escolhido pra dirigir um filme seu, ele perguntou "Mano, cê tá locão? Tu não tem noção de quem eu sou?", ao passo que Walt respondeu "Mah, eu sei tudo sobre ti e um pouco mais, tem cuidado não. Eu vi teu histórico da internet, então eu acho que tu deve ser o cara perfeito pra dirigir esse filme, tem um polvo no final e tal". Richard foi perguntar a seu pai se ele podia ir brincar com Walt, e Max disse que podia, desde que ele voltasse a tempo pro jantar e perguntasse a Walt o que raios era "eh-ter-nete".



A história conta sobre rumores de um monstro marinho que despedaça navios. O professor Arronax acaba se envolvendo numa viagem de pesquisa científica em busca do monstro, e junto de seu aprendiz e do caçador Ned Land, eles descobrem que o monstro é um submarino criado pelo Capitão Nemo.

Nemo se cansou da humanidade e faz o que acha certo, se isolando no fundo do mar e agindo como justiceiro de vez em quando. Mas a impetuosidade de Ned e as desconfianças de Arronax podem colocar em risco os segredos de Nemo.


Eu confesso que nunca li o livro integral, só uma versão que vinha naquela revista Gênios. Meu outro contato com a obra foi com um filme pra TV que tinha a Arlequina de Birds of Prey,  o Alfred do Nolan (também conhecido como Scrooge dos Muppets), e o advogado de Encantada.

Eu não faço idéia qual versão foi mais fiel, mas eu diria que essa foi a mais interessante. Ao menos, com uma história mais fácil de seguir e o espírito da obra mais preservado, bem como poder andar sozinho.

Esse é o primeiro filme live-action Disney que se sente que foi feito pra adultos, além de nos lembrar que algo não precisa ser grotesco, sangrento, ou usa palavrões pra ser considerado adulto. É um filme fascinante, por conseguir ter personagens complexos, humanos e tridimensionais, que sim, apelam pra um público mais maduro, mas ao mesmo tempo consegue ser acompanhável por crianças. Ao menos na faixa de 10-12 anos pra cima, e que tenham interesse por steampunk ou ficção científica.



Os outros dois live actions (Ilha do Tesouro e Robin Hood), embora claramente feitos pra um público mais maduro, também apelava muito pra crianças, tendo mais momentos bobos e bregas; o tipo de coisa que normalmente se associa a "Disney" (especialmente nessa época). Em 20 Mil Léguas, até os momentos que poderiam ser bobos (como Ned cantando, ou as cenas com a foca) são tratados com certa seriedade e não muda tanto de tom em relação ao resto do filme. Pelo contrário, é genuinamente um momento de descontração dos personagens, mas que nunca fica exagerado.

Grande parte disso se deve à fotografia e direção aos atores. Kirk Douglas é o personagem mais memorável, de longe. Ele é impetuoso, mas tem boas intenções. Ele tem lábia, mas também sofre as consequências por isso. Ele é aquele marinheiro que é quase um pirata, quando pode se aproveitar de uma situação, ele vai com tudo, mas ao mesmo tempo, ele não violaria a lei.

Capitão Nemo é ameaçador e imponente. Eu adoro a forma como ele fala, ele parece estar sempre certo de tudo que acontece, mas isso se deve pela sua vasta cultura. Cê sabe, quando fala com alguém que quer mostrar que sabe demais, é totalmente diferente de alguém que de fato sabe demais, estudou demais. Nemo é o segundo grupo.
Embora o modo de falar lembre muito o Doug Walker imitando o Tim Curry.


E embora não haja muitas cenas de ação, há uma dose brilhante de detalhes de como o submarino funciona, como eles colhem peixes e algas, bem como o desenvolvimento de personagens. De novo, é um filme muito adulto, e os personagens são identificáveis na medida necessária pra continuar a história e passar a mensagem que ele quer.

Mas as cenas de ação que tem, rapaz...


Quem assistiu esse filme não se esquece da cena com o polvo gigante. Ou é lula, sei lá, eu não sou geógrafo. Esse bicho tem um bico de pássaro, até onde eu sei ele poderia ser um pokémon.

Enfim, a cena é o melhor que se pode fazer na época, com um boneco gigante e a primeira vez que vemos toda a tripulação de fato em risco. A sequência era pra ser de dia, mas não parecia realista o suficiente. Então, Walt sugeriu (outras versões dizem que foi um roteirista) de gravarem a cena à noite, durante uma tempestade. Regravaram a cena, e não só escondeu bem os defeitos do truque em si, como também adicionou dramaticidade que a cena exigia.

Embora seja um filme lento, ele não é maçante como Ilha do Tesouro e Robin Hood. Pelo contrário, sua lentidão tem o propósito de criar a atmosfera do filme, bem como dar espaço pros personagens conversarem e criarem os conflitos. Definitivamente recomendado tanto a fãs do estúdio como a fãs de steampunk e sci-fi.



Paralelamente, Walt tinha planos de fazer uma espécie de parque temático. Em suas viagens pelo mundo, ele visitou parques sujos, mal cuidados, e que não ofereciam uma boa experiência a seus visitantes. Ele também recebia cartas de fãs, que queriam visitar os estúdios de animação, e ele pensou "Ora bolas, eu posso fazer as duas coisas! Roy, me empresta o cartão!".

Seu irmão e tesoureiro Roy deu um tapa em Walt, e segurando-o pelo colarinho, e esbravejou "PELO AMOR DE DEUS, NÃO ME DIZ QUE TU TEVE OUTRA DAQUELAS IDÉIAS! O QUE RAIOS TU VAI QUERER AGORA, UMA ANIMAÇÃO INTERATIVA?"

Sim, Walt era mais o cara criativo e businessman, mas Roy era o cara que pagava a conta, e Walt vez ou outra tinha umas idéias meio caras e loucas. E essa seria provavelmente a maior delas.

"Tudo isso aqui que eu aponto, é o meu reino."

Walt queria um lugar que fosse um típico passeio familiar de domingo, limpo, com um carrossel, algumas atrações, e claro, seus personagens icônicos. Mas à medida que o projeto foi se expandindo, foi ficando cada vez mais caro. Então ele resolveu criar uma parceria com a emissora ABC, onde a metade de Disneyland seria da Walt Disney, e a outra da emissora. Em troca do financiamento, Walt iria apresentar um programa chamado Disneyland, que exibia curtas novos e pré-existentes, mas também servia pra promover os novos filmes, mostrando cenas de bastidores, bem como exibição de filmes editados pra caber em blocos de uma hora, ou filmes completos divididos em mais episódios.

Walt também fez o The Mickey Mouse Club, mas isso já é outra história.

Nessa época surgiram séries live-action, baseadas em personagens conhecidos como Davy Crockett e Zorro. Essas séries receberam adaptações em filme, que na verdade eram episódios das séries reunidos.

Davy Crockett teve dois filmes nesse esquema, mas por questões de tempo, vamo dar uma olhada só no primeiro.

A música já tá tocando na minha cabeça.

Davy Crockett, The King of the Wild Frontier (Davy Crockett, O Rei das Fronteiras), era uma mini-série de episódios de uma hora exibidos na TV, e esse compilado reúne as partes mais importantes dos três primeiros episódios.

Haveriam mais, mas Walt não sabia que a série ia ser tão popular, já que o último episódio termina na morte de Davy.


O filme basicamente conta as aventuras de Davy Crockett, enquanto ele enfrenta índios, estabelece relações de paz entre índios e o homem branco, se elege senador ou algo assim, pra então culminar na derrota do forte Alamo. Sempre ao lado de seu fiel amigo, que quase morreu quando foi interpretar o Homem de Lata em 39.

E... Bom, nota-se que foram três episódios editados pra um filme. Cada história tem sua própria narrativa, que, embora a edição faça um bom trabalho tentando linkar as histórias, depois de um tempo tu nota que o plot não vai pra lugar nenhum, e pode acabar cansativo.


Eu não tenho muita vivência com western, o contato mais forte que tive foi com Bonanza, que eu tinha alguns DVDs e via no TCM, quando passava. E o clima é bastante semelhante, até pela época próxima. E em algum futuro próximo eu talvez assista os episódios em si, porque rapaz... Esse filme fica cansativo rápido.

Quando Davy foi pro Congresso eu me dei conta de quantas vezes eu simplesmente pausei o filme e fui fazer outra cosa. Claro, eu creio ter DDA em algum nível e não consigo me concentrar em ver um filme no computador, mas é uma situação crítica quando eu começo a ver o filme às 13h51 e termino às 18h31, sendo que o filme tem 1h30 de duração.


Não me entendam mal, são boas histórias. Davy é uma figura histórica, mas a série é claramente romantizada, tentando pegar o aspecto mais de lenda e ser mais divertido que informativo.

E, lenda por lenda, é divertido à beça. As cenas de luta são relativamente empolgantes (a cena final é de fato empolgante e bem narrada), os personagens são gostáveis o suficiente, e o clima de faroeste é agradável, pra quem gosta.

Davy Crockett foi parte da identidade Disney na época, afinal, sendo parte da inspiração pro Frontierland. Então sim, é válido dar uma olhada, especialmente se tu gosta de faroeste. Pra mim, pessoalmente, a edição me faz passar longe.

Talvez eu goste mais do segundo, que é puramente lenda. Mas só num futuro próximo eu resenharei, porque agora, Walt Disney tá no topo do mundo como sempre quis, sem ter que brigar tanto pra ganhar uns trocados, e a Era de Prata Disneyana precisava crescer, e um mega parque temático não iria se pagar sozinho.