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[Opitorial] Porque amamos o Tio Patinhas?




Quem é Tio Patinhas? Porque amamos tanto ele? O personagem, embora seja considerado um Herói, possui traços de Anti-Herói, como ser avarento, mau-humorado, além de colocar o lucro e satisfação pessoal acima de outras coisas e pessoas.

Nestas linhas pretendo definir o personagem baseado em histórias e informações acerca dele e procurar o motivo principal que faz do Tio Patinhas um personagem tão amado e querido.





Tio Patinhas foi criado por Carl Barks pra uma única história, chamada "Natal nas Montanhas". A história mostra Donald e os sobrinhos conhecendo um tio distante, e que era apenas razoavelmente rico.
Barks então pensou que poderia aproveitar melhor o personagem e passou a usá-lo como personagem regular, lapidando tanto tanto o visual como a personalidade, e inclusive o passado de Tio Patinhas, que na terceira aparição ganhara o título de Pato Mais Rico do Mundo.



Desde então ele ganhou muito destaque e muitas histórias, mas muitas delas não seguem à risca o que Barks colocou no personagem. O motivo disso é que muitos autores colocam um pouco de suas próprias ideias nele, o que não é ruim, pois podemos ver o personagem de outros ângulos (fora que é assim que funciona esse mercado de quadrinhos).

A grosso modo, Tio Patinhas é praticamente o Donald, já que por vezes ele faz o papel de herói e em outros o de vilão. Mas nunca a ponto de ser odiado, muito pelo contrário, o desenvolvimento dos personagens durante a história só nos faz mais curiosos a respeito deles.

Vamos à história de vida do Patinhas. Nasceu pobre em Glasgow, na Escócia, e, pra ajudar a família, começou a trabalhar de engraxate, onde no seu primeiro serviço ganhou a Número Um, uma moeda americana de 10 centavos. Desde então, passou a tentar ser mais esperto que os bandidos.

Segundo Don Rosa, a moeda foi dada indiretamente pelo pai de Patinhas para que o pequeno aprendesse o valor do dinheiro e do trabalho e não se enganado.

Em toda sua trajetória, usou de astúcia e trabalho duro pra poder fazer fortuna, e apenas uma vez usou de métodos desonestos, que fez com que um feiticeiro da África botasse um zumbi pra perseguí-lo durante anos.


Após fazer fortuna, ele volta pra casa, mas seu coração se tornara duro como pedra, e com o tempo, toda aquela fortuna já não valia tanto pra ele. Até que ocorrem os eventos de Natal nas Montanhas e O Pato Mais Rico do Mundo (na Saga do Tio Patinhas) e o velho muda totalmente sua visão e renova seu espírito de aventureiro.

E aqui provavelmente chegamos a um dos pontos-chave: Tio Patinhas é Aventureiro.


Ele quer realmente encontrar tesouros, descobrir coisas, desvendar mistérios de civilizações perdidas, enfrentar inimigos com astúcia, e enriquecer um pouco mais.

E isso tendo 90 anos ou mais. Ele tem mais disposição que eu, você, e a população do Texas.

E não só isso, ele ainda tem as histórias que ele já viveu, e imagine o quanto ele pode ensinar a você sobre ser esperto, sobre finanças, sobre história, civilizações perdidas, línguas? Tio Patinhas é aquele tio que não faz piadas de pavê nas festas, mas ao invés disso tem muitas histórias interessantes de serem ouvidas e que tem uma boa carga de ensino nelas, e que podem ser aplicados mesmo nos dias de hoje.


Então, Tio Patinhas é o membro velho da família que te ensina sobre história, filosofia, tesouros e civilizações perdidas, línguas que você nunca vai usar na vida a menos que seja numa expedição arqueológica ou pra impressionar uma garota, e finanças, o que nos leva ao próximo ponto.

Tio Patinhas pode ser um sovina, avarento, mão-de-vaca, mas ainda tem um coração.


Toda a fortuna que ele tem ele conseguiu com muito esforço, dedicação, e astúcia (com exceção do ocorrido na África). É totalmente natural que ele tenha um carinho por esse dinheiro, por mais estranha que seja essa frase.

Há inclusive duas histórias de Don Rosa que nos mostram que o amor do Tio Patinhas pelo dinheiro da Caixa-Forte vai mais do que simples valor monetário. Uma, é A Moeda, onde Patinhas lembra-se de Dora Cintilante ao ver uma moeda e arrepende-se de tê-la gastado. A outra é Um Vencedor Sem Moedas, onde Patinhas mostra o valor que o dinheiro tem pra ele, já que ele não as vende pra nenhum colecionador, mesmo elas valendo um PS4 cada uma, devido serem muito raras. Além de que, os meninos passam a entender o sentimento do Tio em relação às moedas.



Claramente Tio Patinhas representa o sistema capitalista opressor, e Donald, o proletariado. Dada essa informação, era óbvio se pensar no Patinhas como vilão, ou no mínimo antagonista. E em algumas histórias, realmente é assim, nós torcemos para o Donald. Mas ainda sentimos um certo carinho pelo velho, até porque em outras histórias ele é o herói.

Em diversos momentos vemos Patinhas abrindo mão de lucro ou de dinheiro pensando na vida de seus sobrinhos ou de outros parentes. Então, ele representa sim o capitalismo, mas não necessariamente o capitalismo selvagem, mas um capitalismo com um pouco de coração, como vemos no filme de Duck Tales, onde [SPOILER-ele abre mão do último desejo pra fazer Geninho virar um garoto de verdade]. O que nos leva a...

Tio Patinhas é humano.



"Mas ele é um pato!" Foco, leitor(a)! Eu sei que Tio Patinhas é um marreco, mas analisemos a construção do personagem: assim como em MLP:FiM, mesmo sendo um animal, Tio Patinhas e Cia. são psicologicamente humanos, com suas virtudes, falhas, ambições, e waifus.

O que diferencia, por exemplo, o Mickey do Donald. Mickey (na maioria das histórias) não existe, é muito perfeitinho nas suas atitudes, muito inteligente, e mesmo que demosntre caráter humano, ele os mostra menos que Donald, que volta e meia nos faz refletir um pouco sobre nossa própria natureza e a forma que tratamos uns aos outros. E Tio Patinhas não é diferente.

Sim, algumas das estratégias que ele usa podem soar improváveis (porque realmente são impossíveis), mas geralmente estão embasados em algo que ele aprendeu ou usou no passado, o que dá um pouco de veracidade. (E é uma história, em alguns momentos você deve jogar a lógica pela janela.)

Mais do que humano, Patinhas consegue ser um humano identificável, pois passamos a nos identificar com sua sede de aventuras e o gosto da conquista, especialmente se for conquistada por nosso esforço e nos lembrar de algo bom, como momentos agradáveis ou simplesmente nostálgicos.



Eu o entendo perfeitamente. Sem querer parecer materialista, mas uma das minhas aquisições favoritas é meu fedora branco, que, mesmo sujando muito fácil e eu não tendo tempo para fazer manutenção, foi a primeira coisa que comprei com o dinheiro do meu trabalho. Poder dizer isso te faz entender o valor do dinheiro e como deve gastá-lo.



Não é apenas ter o dinheiro, ou o tesouro: é o que você fez pra conseguí-lo, que táticas usou, como foi mais inteligente que o adversário ou adversidades, isso te faz valorizar ainda mais o trabalho duro e a recompensa.

No final das contas, Tio Patinhas tem muito em comum com outro personagem amado: Seu Madruga.
Fora que ambos são velhos, eles são rabugentos, mas ao mesmo tempo tem coração mole, e quando podem, fazem uma boa ação. Sem contar que ambos tem simples prazeres, como estar com quem ama e recordar momentos.



Nadar em uma piscina de moedas é o equivalente Patinhesco para olhar um álbum de fotografias.

...ou nadar nele, enfim.

Antes de encerrar, fazer uma observação. O último ranking dos personagens mais ricos da ficção botou Tio Patinhas abaixo do seu rival Mac Mônei. Lembro de ter visto um rankin lá por 2006, que botava Papai Noel em 1° e Patinhas em 2°, se não me falha a memória.

Se não, é pra ser assim. Papai Noel tem condição de dar brinquedos a todas as crianças do mundo, logo, dinheiro infinito. Tio Patinhas tem 3 acres cúbicos de grana. Só na Caixa-Forte. Lembremos que foi necessário criar valores monetários pra contar o dinheiro da Caixa-Forte. E há MUITO mais que isso em empresas por toda Patópolis e pelo mundo, isso sem falar que colecionar bancos é um dos hobbies de Patinhas. E eu mencionei que ele herdou o Tesouro Templário, onde cada moeda por si só já é um tesouro? (Obrigado por me lembrar @GuilhermeDea)



O último ranking que vi botava Smaug em primeiro. Enfim, eu, pessoalmente, ignoro.

Em resumo, quem é Tio Patinhas? É só um velho rabugento e pão-duro? Um velho rabugento e pão duro com coração mole? Um velho rabugento, pão-duro mas com coração mole que foi o resultado de sua vida extremamente dramática e sofrida, onde ele tem muito a nos ensinar sobre justiça, economia, filosofia, História, e, quem sabe, amor?



Vai saber. Há vários Patinhas, de vários autores, com várias ideias, nem sempre concordando entre si. Mas continua sendo um personagem amado e querido por gerações não só pelos contrastes que se completam, mas principalmente, por divertir e ensinar uma coisa ou outra a várias gerações.

Super Review Time 02 - Gibis (Parte 2)

Voltamos com mais um vídeo sobre minhas coleções! Sim, demorou um pouco porque a TIM não colaborou, mas finalmente saiu!




SRT Episódio 1 - Gibis (parte 1)



Mais um episódio do Super Review Time! Dessa vez, se baseando em um vídeo da Fernanda Bender (duasepocas.blogspot.com), eu resolvi mostrar alguns quadrinhos da minha coleção que marcaram minha infância.





A Saga do Tio Patinhas




Sejamos francos, quem não adora o Tio Patinhas ou a Família Pato?
Estão conosco há gerações, e continuam divertindo adultos, crianças e adolescentes. Mas o que eles tem de tão especial? Por que gostamos tanto de acompanhar as histórias de animais que usam roupas?
Porque eles são humanos. Isso claro, dependendo do escritor.

O mais notável escritor dos Patos foi Carl Barks, ele criou praticamente toda a mitologia: Os Metralhas, Os Escoteiros-Mirins, Professor Pardal, Patópolis, a Caixa-Forte, e o Tio Patinhas. Em suas histórias haviam várias tiradas engraçadas, mas também haviam elementos que eram realmente um estudo do comportamento humano, e também um modo de mostrar as ideias pessoais do escritor.
Uma das coisas mais interessantes é que o Sr. Barks não se preocupou em dar uma ordem cronológica aos fatos, as coisas simplesmente aconteceram. Porém, espalhou pistas em diálogos e histórias.

Alguns cidadãos tentaram reunir e criar uma ordem cronológica, e um deles é Keno Don Rosa, que escreveu A Saga do Tio Patinhas.





A Saga do Tio Patinhas teve início há muito tempo atrás, ainda em 1974, quando um escritor de ficção científica chamado Jack Chalker tentando botar uma ordem, mas teve pouca repercussão. Mais tarde, Mark Wooden faria uma árvore genealógica baseada em um esboço de Barks. No início da década de 90, após pedidos de fãs do mundo todo, a Disney decidiu que o Pato mais Rico do Mundo deveria ter sua biografia revelada, e o Egmont Group (que publica quadrinhos Disney em boa parte da Europa) pegou o projeto. 2 anos e meio de trabalho árduo depois, os 12 primeiros capítulos estariam completos. Nos anos seguintes, foram lançadas histórias que complementam ou fazem muitas referências à Saga, algumas delas publicadas como capítulos extras.



Primeiro falarei da história em geral.

A história focaliza a infância, juventude e idade adulta de Patinhas MacPatinhas, o último MacPatinhas do clã. O seu clã um dia foi grande e poderoso, mas acabou caindo, e as terras e o castelo ficaram pra pastores de ovelhas. Patinhas, pra ajudar a família, começa a trabalhar de engraxate em Glasgow, na Escócia. Porém, seu pai combina com um limpador de fossa pra ele dar uma moeda de 10 centavos ao pequeno Patinhas, pra que o mesmo ficasse mais atento aos que quisessem passar a perna nele.

Essa história é antiga, e provavelmente seu pai já lhe contou isso. Mas é muito legal ver como Don Rosa narra esse episódio.

Depois disso, Patinhas começa a vender turfa, que era usado pelos ricos como lenha. Essa turfa era pegada nas terras do castelo do clã MacPatinhas, mas como as terras não eram mais deles, era proibido ir lá. Ele acaba tendo que se esconder dos pastores de ovelhas, e com uma ajuda de um MacPatinhas ele expulsa os pastores das terras.

Após esses eventos, o último membro do clã MacPatinhas decide ir aos Estados Unidos, ajudar seu tio Patico no Mississípi.

A partir daí, começam as aventuras de Patinhas MacPatinhas ao redor do mundo.


Don Rosa tinha um grande trabalho em mãos. Pegar todas as histórias de Carl Barks, todas as referências, e tentar colocá-las numa linha do tempo que seria igual o do nosso mundo. É interessante notar também o grande número de personagens reais que aparecem na história: Theodore Roosevelt, Gerônimo, Os Daltons, Buffalo Bill, Wyatt Earp, dentre vários outros. Alguns são exagerados, como o Steele, outros mais realistas, como o Teddy.

Por exemplo, em uma história de Barks, Tio Patinhas diz que andou na bolsa de um canguru na Austrália. Isso está na Saga, inclusive tem uma história inteira sobre Tio Patinhas na Austrália. Admiradores e leitores compulsivos e detalhistas de Carl Barks irão se realizar procurando referências aqui. Referências essas que são explicadas e guiadas nos comentários no final de cada volume, já já chego lá.

Aliás, coisa pra procurar é o que não falta. Costumo dizer que Don Rosa é um excelente quadrinhista, pois escreve e desenha de maneira excepcional. O estilo dos desenhos é quase como "mundo real encontra mundo Disney". Roupas, prédios, cenários, personagens, expressões, tudo é muito bem detalhado e rebuscado. O roteiro também é genial, incluindo referências históricas e piadas de segundo ou terceiro plano, muitas vezes tendo mais de uma piada por quadro. As piadas em diálogo também costumam pelo menos dar um sorriso de canto.

Detalhes de desenho em que você pode perder bons minutos em apenas um quadrinho procurando coisas cômicas ou simplesmente apreciando o desenho. Sério, comprei a Saga em 2008 (se não estou errado), e desde aquela época leio e releio, a ponto de praticamente saber a história decorada, e ainda descobri detalhes de cenário semana passada, e outras que um amigo meu que percebeu. E não somente isso, mas ele desenha muito bem quadros normais mesmo. Se duvidam de mim, vejam o primeiro quadro do cap. 12 e o último quadro do cap.11, só como exemplo. Aliás, melhor, leiam QUALQUER história de Don Rosa, e irão concordar comigo.

Além disso, tem uma narrativa muito legal, incluindo algumas quebras de quarta parede, algumas bem sutis, e outras bem à vista, mas muito inteligentes.

Sobretudo, uma das coisas que mais gosto de Don Rosa é que seus personagens são humanos.

Vejam bem, essa é uma das vantagens dos quadrinhos feitos do modo ocidental: ter várias versões de escritores.

Na mitologia original, a moeda Número 1 do Tio Patinhas era seu amuleto da sorte. E isso funciona muito bem pro personagem, devo admitir. Porém, segundo Don Rosa, a moedinha é apenas uma moeda comum. Tio Patinhas mesmo admite que ela não dá sorte (e é endossado pelo Vovô Metralha). A Moeda Número um foi o primeiro salário que o pequeno Patinhas ganhou, então é algo quase sentimental. Imagine o seu primeiro pagamento por algo que você fez por esforço próprio. É isso que o Patinhas sente pela moeda.

Após terminar a leitura dos capítulos, há textos que explicam a história de cada capítulo, trazendo curiosidades, referências à obra de Barks, dentre outras coisas, sem contar os textos grandes que explicam a história da Saga, sobre a outra Saga e imagens de árvores genealógicas.


Pontos negativos? Bem, eu diria só que em algumas páginas a impressão deixou a desejar, mas foram 2 ou 3, nada que estrague o brilho da obra. Se quer um conselho, vá atrás. Como é meio antigo (de 2007 ou 2003, houveram duas impressões), provavelmente você ache em lojas especializadas.

Pra finalizar, quero dizer que a Saga é uma prova de que não importa o que você use, seja uma franquia destinada a crianças, ou animais meio-humanos, se a história for bem-escrita, então ela deve ser tratada como tal. A Saga do Tio Patinhas é a série de histórias mais dramática e realista que eu já vi, usando os personagens Disney.

E outra coisa, há uma história na Saga que fala dos Cavaleiros Templários. A história anterior a essa, A Coroa dos Reis Cruzados, você encontra na Disney BIG número 3, onde também tem uma história que faz referências à Saga.

A propósito, se você quiser um pouco mais de desafio, aqui estão algumas coisas pra vocês procurarem, depois digam se acharam ou não.

Cap.2: Um homem discutindo com um cavalo.
Cap.6: Um Mickey.
Cap.10: Uma galinha fazendo a pose "Draw me like on of your french girls". 


A propósito, ignorem a péssima qualidade das fotos, eu fiz há algum tempo, e minha máquina digital é um Decepticon que age por conta própria.