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Yokai Monsters: Spook Warfare




O nome em japonês desse filme é "Yokai Daisensou", mas se confunde com outro filme sobre youkais (que eu também pretendo resenhar) que tem o mesmo nome. Então, pra não ter perigo de confundir, vou usar o nome adotado nos EUA, Spook Warfare.

O filme é o segundo da trilogia "Yokai Monsters", sendo o primeiro baseado na Guerra dos 100 Youkais.

A pergunta é: é um bom filme?





A história é...
...ok, não tem jeito fácil de fazer isso. É um negócio muito viajado. Se prepare.



Um monstro se liberta e vai pro Japão pra dominá-lo. Ele começa possuindo o corpo do senhor feudal, por meio de uma mordida em seu pescoço. As criaturas locais se rebelam contra o monstro, mas descobrem que ele é muito OP por ser um monstro babilônico-mago-voador-vampiro-com cajado que cospe fogo e que sabe golpes de ninjutsu.
...
Por onde eu começo?

É fantástico.



Sim, o plot é ridículo, mas a história é tratada de uma forma muito densa e séria. Poucas coisas acontecem, tem um ritmo meio lento, mas é parte da estética de histórias samurai e de faroeste. Não há exatamente um herói. O monstro invade a casa de um senhor feudal japonês, e tanto os youkais quanto os moradores da mansão e das redondezas tentam ajudar para expulsar a criatura invasora.



O foco do filme não é exatamente no desenrolar da história, nem tanto dos personagens (já que eu pressuponho que eles tenham sido melhor desenvolvidos no filme anterior, fora que são criaturas populares), mas sim na situação da invasão da criatura.


"Mas Pão de Fogo, se o filme não tem desenvolvimento de plot ou de personagem, pra que eu vou querer assistir?"
Porque ele tem um clima muito bom.



Veja bem, eu sou um cara muito medroso, isso já ficou claro. E youkais são criaturas tradicionalmente assustadoras. E nesse filme, há um grande esforço da equipe pra fazer um clima assustador e misterioso, mas que não assusta de fato, mas é algo mais próximo visualmente às obras de Tim Burton (sem o elemento gótico).

Mas ao mesmo tempo que ele tem essa atmosfera sombria, não é algo que dê medo. Exceto em crianças, talvez. Alguns youkais podem impressionar algumas. O que é estranho pensar, uma vez que
aparentemente esse filme foi feito com foco em crianças...



É notório que o orçamento pra efeitos visuais não era muito grande, mas mesmo assim eles conseguem criar uma ambientação verossímil, prática, e que mostra muita engenhosidade no jogo de luz e ângulo (que, como eu falei antes, são coisas que fazem falta hoje).

Aparece uma penca de youkais principais. Eu não sei se eles são fidedignos às histórias (o youkai com uma tv na barriga é diferente dos resultados de minhas pesquisas), e mostram um excelente trabalho da equipe de confecção de criaturas, que conseguiram um resultado muito bom.



Mas se tem algo que eu poderia reclamar, seria do final. Sim, tem um clima épico; sim, os efeitos estão muito bem feitos; mas o clímax e o final em si tem um feeling tão... Vazio.
Não sei descrever bem, mas é como se estivesse faltando algo.



Mas, como experiência, é uma boa escolha. Relaxar um pouco, aproveitar a vista, os personagens que se encontra no caminho, e acompanhá-los, é isso que é. Entretenimento bom, que causa sensações.

Recomendado caso você tenha interesse em cultura/folcrore japonês, ou queira algo diferente, meio trash, e criativo.

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Sakuya Youkaiden




Youkais estão fortemente presentes na cultura japonesa desde sempre, mas ganharam mais popularidade depois da (por lá) popular série em quadrinhos Ge Ge Ge no Kitaro.

Pra quem não sabe, youkais (ou yokais, também chamados de ayakashis) são, a grosso modo, criaturas do folcrore japonês. Como Saci-Pererê, Mula-Sem-Cabeça, Boitatá, e por aí vai.

Em 2000, foi lançado Sakuya Youkaiden, um filme pra todas as idades que aborda esses seres fantásticos.





A história é bem simples, ela conta que o espírito do Monte Fuji vez ou outra se irrita e manda pragas para punir os homens. Pragas como terremotos e youkais.



Apenas a família Sakaki pode derrotar youkais, pois possui a espada forjada especialmente para os matar. No entanto, a espada suga a energia vital do possuidor.

A história começa com um samurai da família Sakaki (que é interpretado por ninguém menos que Hiroshi Fujioka, conhecido como Kamen Rider Ichigo e Segata Sanshiro) que está lutando contra esses monstros, até que é morto por um Kappa e passa o bastão para sua filha Sakuya, cuja primeira vitória é sobre esse mesmo Kappa. Ela, então, vê um Kappa bebê por perto e o adota como irmão.


Numa reunião, os líderes chegam à conclusão de que para impedir o avanço dos monstros é necessário derrotar o líder deles, a Rainha Aranha. Samurai-fuinha, velho conhecido de quem viu Kamen Rider Decade e Kamen Rider Blade, acha muito perigoso pra uma garota ir pra lá, manda como ajuda dois ninjas para escoltá-la.
Então Sakuya começa sua jornada para o Monte Fuji e seu irmão kappa aproveita o embalo pra ir também.




A propósito, se passaram 6 meses mas ele tem a aparência e mentalidade de um menino de 10 anos. Se você quer crescer forte e inteligente, esqueça os vegetais, legumes, e Sustagen, seja um youkai.


O roteiro é de fato muito bom, ele não é excelente mas ele consegue prender sua atenção o suficiente, fora que continua sendo divertido. O desenvolvimento não é dos mais brilhantes, mas consegue dar certa profundidade aos personagens, o suficiente pra nos importarmos com eles.



Mas Sakuya ainda não tem muita expressão, deixando ela fria em momentos que ela deveria mostrar um pouco de emoção, ou simplesmente... Parecendo estranha.  Ela parece não ter muita direção do que fazer, simplesmente escolhendo não colocar emoção em seu rosto enquanto fala, nem quando os caras do vilarejo tem seu irmão como refém.

No entanto, em alguns momentos a expressão fria da atriz combina com os momentos, pois a expressão vem acompanhada de algumas nuances que enriquecem a atuação.



Mas a atuação do garoto-kappa, Taro, é bem convincente e ele parece realmente um garoto de 10 anos animado mas ao mesmo tempo sofre porque não se sente aceito nem pelos humanos nem pelos youkais.



As fantasias são muito boas, mesmo que algumas (como o Gato de Duas Caudas) pareçam estranhas, acreditem, ficaria pior se fosse em CG, que, aliás, aparece apenas nos momentos necessários e não é feia, combinando harmoniosamente com as cenas.



Alguns toques de desenho animado, como fechar na cara do personagem (como mostrado acima), ou mostrar o esqueleto durante um choque, destoam um pouco do clima de aventura e sobrenatural do filme. Não chegam a incomodar pois são poucos momentos, e provavelmente era necessário pro clima do filme não ficar sempre sério demais.

E as cenas de ação são mais estratégia que movimento, mas contém uma boa dose de ação e são interessantes de assistir. Destaque para a cena da luta final onde fizeram valer o que aprenderam com os filmes recentes de Gamera.

Em resumo: Sakuya Youkaiden é um bom filme, especialmente para crianças, mas que não é exclusivo delas, sendo divertido pra qualquer idade ou quem seja curioso em folclore japonês. Mas há títulos melhores que exploram mais o lado do folclore, como a série Nurarihyon no Mago (que inclusive está sendo publicada no Brasil).

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