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[Mês do Dr. Seuss] The Grinch Grinches the Cat in the Hat


Tivemos vários crossovers recentemente, né? Com a escassez de criatividade e a facilidade pra fazer filmes, uma jogada fácil dos estúdios é juntar personagens amados na tela grande e nadar nos rios de dinheiro que isso vai gerar. Você pode fazer isso do jeito certo, como a Marvel, ou pode fazer Batman vs Superman.

Mas eu aposto que o crossover de hoje nunca foi tão bem debatido. Mario versus Sonic? Mickey versus Pernalonga? Superman versus Goku? Todo mund já debateu sobre eles um dia


E que tal o Grinch versus The Cat in the Hat?




A propósito, o Superman vence. Não tem como contra-argumentar.



O especial começa com uma bela manhã de sol, onde o Grinch acorda feliz e saltitante, tal qual um moleque que acorda às 7h da manhã pra assistir TV Globinho, antes de descobrir que a vida é cruel, sombria, devastadora, onde Michael Bay ainda tem crédito pra fazer algum filme.

Até que o reflexo do Grinch aparece e diz "ow tu tá alegre demais, bora aqui recitar o juramento dos Grinch", e após isso, ele sai disposto a infernizar a vida de alguém.


E por algum acaso este alguém era The Cat in the Hat, que fazia um piquenique de boas, sozinho em uma colina.


Como nesse universo não existem estradas com mão dupla, o carro do Grinch bate no do Gato. O felino, tentando ser um camarada, diz que vai tirar, mas comete o erro fatal de chamar o Grinch de cara verde.

Como resposta ao gato racista, o Grinch o persegue e começa a atazanar a vida do pobre animal (que não é o Quico), literalmente trollando ele com uma máquina que muda sons e outra que muda cores.


E... É basicamente isso. É mais uma desculpa pra ver dois personagens que são muito diferentes, mas ao mesmo tempo bastante semelhantes.

NAITOFAYA!
Ambos querem o caos, mas o Grinch quer ver o circo pegar fogo, quer ver o mundo se adequar a suas idéias; enquanto o Gato só quer se divertir, no fundo ele não é uma má pessoa. É como se o Grinch fosse o Coringa e o Gato fosse o Deadpool.

E em teoria funciona muito bem. Ambos os personagens são interessantes o suficiente pra ao menos nos dar imagens e conceitos divertidos, e até uma moral porque, bem, Dr. Seuss.

Entretanto, a palavra-chave aqui é essa: teoria.


Dr. Seuss não é bem um cara de fazer crossover. Raios, ele sequer costuma fazer sequência dos livros. Normalmente suas histórias possuem um começo, meio e fim bem determinados, e são bastante rasas, servindo como mera desculpa pra fazer trocadilhos, rimas engraçadas, e nos dar conceitos e desenhos criativos. O que funciona muito bem pra ele, Seuss conseguia fazer isso como ninguém. Mas essa história talvez requeresse um pouco mais do que só passar uma moral. Ou ao menos, uma vez que o foco seria o combate surrealista entre os personagens, que fosse full locão e focasse só nisso. Mas provavelmente demandaria mais tempo de exibição, o que não era possível.

Mas o que temos aqui, funciona?

Sim e não.


Sim, ele é divertido. Ver o Gato e o Grinch contracenarem é surreal, a história não se sente forçada, e a forma que cada personagem lida com o outro flui muito naturalmente. O Grinch apela pro caos, pro extremo, enquanto o Gato tenta ser mais racional. Embora eu acredite que se o especial tivesse o dobro do tempo, seria uma batalha mais igual de ambos os lados, já que o Gato tem a Caixa e os Coisas 1 e 2.
E o final poderia ser exatamente o mesmo, com o Gato realizando que a forma de combater o troll é com gentileza, e eles o fazem de uma forma tocante, até.

E claro, temos uma cena de Elefantes Rosa proporcionada pelo Grinch, que é sim criativa e divertida.


Entretanto, por mais criativa e divertida que seja, por ser um especial de apenas 25 minutos, ele te deixa com aquela impressão de "já acabou? Uééé" ao final de tudo. É um evento grande, os dois maiores e mais reconhecíveis personagens do Dr. Seuss se enfrentam, e você espera grandes coisas disso.


Agora, é interessante notar como há coisas aqui que os produtores do live-action muito provavelmente se inspiraram. Por exemplo, o Grinch aqui inventa máquinas, tem uma oficina, e no filme vemos que ele mora em uma espécie de oficina e até monta o próprio trenó motorizado. E há uma rápida menção a bullies aqui, que o Grinch nega ter sido a origem de sua malvadeza. Mas ele poderia estar mentindo também né. Continua sendo um toque.


É um conceito interessante, mas foi mal desenvolvido. Talvez nem por culpa do Seuss, mas por restrições orçamentárias mesmo. Pouca duração, a animação é claramente low-budget, mas os caras merecem reconhecimento por serem tão fiéis ao estilo do Dr., é como se as ilustrações do livro tivessem sido animadas sem nenhum ruído, é impressionante.


Assista se tiver curioso, mas a menos que você seja um fã hard do Dr., se não ver, não perdeu muita coisa.

A Felicidade Não se Compra



Essa vai ser a última resenha do ano, e há bons motivos pra isso.



Esse filme falou comigo de uma forma forte, e reflete bem o que eu passei esse ano, a um nível pessoal. Então achei mais do que justo do que deixá-lo como um lembrete e um agradecimento, mas primeiro vamos ao que interessa.


Esse é um filme que aos poucos se tornou um clássico, especialmente depois de cair no domínio público durante um tempo e ser exibido à exaustão nas TVs durante o feriado de Dia de Ação de Graças e Natal (o que, parando pra pensar, parece ser o caminho que todos os filmes que acabam mal de bilheteria trilham pra se tornarem clássicos atemporais). Obviamente foi parodiado por todo o tipo de mídia, de desenhos japoneses aos Muppets, de um quadrinho dos Flintstones ao Nostalgia Critic. Assim como Christmas Carol, essa é uma história que aparentemente todo ser humano com condições decentes de televisão conhecem quase que por osmose, e que é um plot que não se torna cansativo, colocando em diferentes histórias.


Então, fechemos esse Natal com algo pra pensar.










A história começa com um anjo que, para ganhar suas asas, é incubido da missão de ajudar um homem, George Bailey. Mas, pra isso, ele precisa conhecer o sujeito, e passamos quase 2 horas de filme vendo como a vida do cara resultou em uma tentativa de "tirar o dom mais valioso que Deus nos deu".

Ao final de tudo, o anjo impede George de se suicidar, e faz o que ele, inocentemente, pede: mostra o mundo sem George, e como todas as pessoas que ele conhecia estão em estado péssimo porque George nunca nasceu pra ajudá-los.





Embora a narrativa e atuação sejam um pouco datadas pros padrões de hoje, ainda é perfeitamente assistível. A história do jovem cheio de sonhos de explorar o mundo, conhecer lugares exóticos, estudar fora, pra então voltar e ajudar sua cidadezinha a crescer com sua arquitetura é extremamente identificável e honrável, tendo até um breve debate sobre o que faz um trabalho ser útil, com o pai de George. Que é o que o leva a tomar conta do banco do pai, mesmo a contragosto.


Também ajuda o fato de vermos desde a infância de George, estabelecendo futuros plotpoints e criando simpatia pelo rapaz. (Aliás, o lance de Mary falar que sempre vai amar George no ouvido surdo dele é incrivelmente funcional e fofo.)

A atuação também é supimpa, com James Stewart (que meu pai instantaneamente reconheceu de Janela Indiscreta) como um carismático e simpático jovem, que sempre tenta ser o mais útil possível ao próximo. De certa forma, é isso que acaba acarretando o seu surto próximo ao final do filme, que, comparando ao que tínhamos conhecido do personagem, é bastante chocante.






O filme consegue ter seus arcos narrativos bem contados, sem que se torne cansativo, o que é um trunfo, considerando as duas horas e pouco de exibição. Provavelmente o segredo seja que sabemos o final, sabemos que George vai acabar querendo se suicidar, e queremos saber o que vai levar ele a isso. Especialmente porque basicamente tudo vai de boas com ele durante o filme, de um jeito ou de outro. Tanto nos rumos da vida dele quanto ele como indivíduo.


Vemos George tirar dinheiro que seria gasto numa belíssima e luxuosa lua-de-mel pra pagar clientes do banco durante o Crack de 29, e quando ele volta pra casa, sua esposa e alguns amigos arrumaram a cozinha pra que os dois tivessem o melhor jantar romântico possível. É esse o tipo de coisa que eu vejo e não consigo fazer nada, exceto sorrir feito um bocó. 

O esforço que Mary e os amigos botaram nesse jantar, sabendo das condições infortúnias que foram colocados, é simplesmente heartwarming.

Sim, é uma palavra inglesa que eu não consigo traduzir direito, me deixe.





Toda a trajetória de George nos mostra alguém atencioso, carinhoso, gentil, preocupado com sua comunidade. Mas ao mesmo tempo com seus defeitos (a cena onde ele visita Mary ainda me confunde, o que raios ele queria agindo daquela forma?), mas as qualidades se ressaltam. E provavelmente esse foi o que o levou a surtar daquela forma.


Ele ajudava os outros, era carinhoso, e não esperava nada em troca, e isso é louvável. Mas ao mesmo tempo, quando vieram as dificuldades, ele se esquece de que nem tudo está nas costas dele, que ele não tem que tentar resolver tudo, que ele pode tentar se apoiar em alguém, especialmente na sua família, que era quem devia, em primeira instância, fazer esse papel de apoio.


Mas o que me quebrou foi o final do filme, com toda a cidade, todos aqueles a quem George ajudou, se juntaram e pagaram a dívida dele e ainda mais do que precisava; e o anjo ainda deixou o seguinte recado numa cópia de Tom Sawyer:





Pra você que não entende inglês, "heartwarming" significa, "emotivo" ou "emocionante", ou literalmente, "aquecedor de coração", mas eu não consigo achar uma palavra que seja equivalente.

E o texto ali é algo como "Lembre-se: nenhum homem é um fracasso se ele tem amigos".

Eu tenho quase certeza de que essa gramática do anjo tá meio zoada, mas sei lá se era coisa da época. Enfim.



O negócio é que, esse ano, eu tive uma crise FORTE de desânimo, não necessariamente porque eu fui abandonado pelos meus amigos, não não. Mas simplesmente porque era uma coisa atrás da outra dando errado, que acabava me fazendo desistir de fazer certas coisas por achar que não iriam dar certo. Uma dessas sendo a faculdade, eu cheguei num ponto que basicamente eu ia pra faculdade pra treinar meu desenho, enquanto tentava desenvolver algum projeto próprio, já que as únicas aulas que tavam me servindo pra algo eram as de design de jogos.


E pra comer chocolate que eu comprava no caminho vez ou outra.
E Disney GoGo's.



Sim, foi um período bem... sombrio, eu diria. Eu terminei o semestre conseguindo fazer menos do que eu queria e adquirindo péssimos hábitos que eu tou tentando deixar (como dormir estupidamente tarde). E nesse período, foi quando eu comecei a considerar mais o SRT.

E foi nesse período que me apareceu a GunterSenshi, pedindo pra eu ensinar ela a resenhar.


Eu sou um merda nisso, eu nem sei como raios ela foi gostar dos meus textos. Mas assim como ela, outros gostam, e é um dos motivos que eu continuo com isso.
Ela se tornou minha aprendiz, mas, na real, eu é que sou ajudado por ela.



Gunther e Professor Carvalho tem me ajudado muito aqui no SRT, mas também me ajudado muito no pessoal. Você nem fazem idéia. E eu só posso me envergonhar porque eu sinto que tou fazendo muito menos do que deveria e vocês muito mais. Eu amo vocês. Obrigado.


E também amo meu pai e minha mãe, que tem me ajudado e cuidado muito bem de mim durante esses períodos, incluindo no mínimo dois mini-surtos. E também minhas duas irmãs postiças, cuja mera presença delas faz com que eu me sinta melhor.



E obrigado você, que continua lendo meus textos de merda. Obrigado por me fazer me sentir mais útil. Tudo o que eu quero é te fazer rir por um momento, esquecer o mundo lá fora por uns minutos, pra relaxar. Às vezes é tudo que precisamos pra encarar o dia-a-dia, e eu prometo que vou tentar melhorar cada dia pra que meu trabalho seja melhor.


Obrigado, de coração.




E vamo que vamo, 2017.

Uma História de Natal



Sabe o que é um saco? Não ter um Natal como dos filmes no Brasil. Claro, a gente tem Papai Noel de shopping, as luzes, e é tudo muito supimpa e daora; mas aquele Natalzão com neve, chocolate quente, biscoitos de gengibre, lareira, e reprises anuais de Como o Grinch Roubou o Natal. O desenho, não o filme live action.
E o que temos no lugar? Calor, arroz com passas, salada com maçã/morango, ventilador, e o Especial do Roberto Carlos.

Outra coisa que é um saco é começar um artigo com uma paródia tosquíssima do James Rolfe, mas divago.


Enfim, quando eu vi o Nostalgia Critic falar sobre Christmas Story e dizer que era a representação da infância de todo mundo, eu naturalmente achei que seria algo mais pra eles. E é verdade, tem muita coisa que só eles entenderiam, por viverem nesse contexto. Mas será só isso mesmo?



A Chritstmas Story se passa em algum momento entre 1939 e 1942, e acompanhamos o jovem Ralphie. Ele é um guri normal de 9 anos, e o Natal está próximo, e como todo garoto da sua idade, a única coisa que permeia sua mente é conseguir o presente que quer: uma arma de brinquedo pertencente a um herói de faroeste.




E basicamente o filme segue um slice of life de Ralph, onde vemos vários momentos que precedem o Natal, tais como a redação de fim de ano; a família indo comprar a árvore, a parada de fim de ano, etc. E embora em alguns momentos ele de fato divague muito e foque em outros aspectos, não tira tanto tempo e logo volta ao plot. É só a história de um guri num Natal, mas o que torna esse filme especial, é a forma que ele é narrado.


Assim como Todo Mundo Odeia o Chris, o Ralph crescido narra os acontecimentos aqui. E embora o estilo de comédia seja diferente, funciona lindamente.

Chris usa um estilo que valoriza o timming da piada, há uma preparação, um clímax e uma conclusão, enquanto Ralph simplesmente descreve os acontecimentos de uma forma engraçada, tal qual... Sei lá, o Izzy Nobre.




É engraçado porque ele exagera certas coisas, mas que de fato são coisas que pensamos e sentimos quando crianças, mas talvez não tivéssemos o vocabulário ou habilidades de escrita que temos agora. E ele descreve situações extremamente corriqueiras, como escapar de uma punição, ou decodificar uma mensagem num ARG. Ou quando imaginamos certas situações que são cartunescamente irreais e começamos a sonhar acordados.

Eu mesmo, por algum motivo, imaginava as coisa quase como um desenho animado, quando era criança.

Assim como tinha quase a mesma sensação descrita quando me safava de um castigo.





E é essa narração típica de crônica que faz o filme, e até me assustou. Eu achei que só quem vivenciou esses Natais nos EUA iria se identificar, mas eu me peguei me identificando com várias coisas, mesmo nunca tendo pisado na terra do Tio Sam. E não é coisa tipo "eu conheço porque eu vi nos filmes e nossa cultura acabou absorvendo", é do tipo "eu vivi isso quando era pirralho".

E do nada eu comecei a sentir falta dos Natais antigos. Mas isso é assunto pra outro artigo.





A atenção aos sets também é fantástica, a fotografia captura muito bem as luzes, as decorações, a neve, é tudo muito lindo. Eu acho fantástico também como alguns momentos eles tentam nos botar na pele de Ralph, em especial quando eles vão ver o Papai Noel. Usam a câmera em primeira pessoa, que evoca muito o mesmo sentimento que muitos de nós tivemos quando éramos crianças e íamos pro shopping.


É um filme lindo, de verdade. Tem um ritmo lento e às vezes parece não ter foco, mas tudo colabora pra criação do clima de nostalgia e slice of life. Deveria ser um clássico natalino por aqui, e por bons motivos. É engraçado, inteligente, e universalmente nostálgico.


Férias Frustradas de Natal




Férias Frustradas de Natal é um filme que por qualquer motivo, eu nunca vi quando pirralho. Aliás, se for parar pra pensar, eu acho que os filmes natalinos que eu vi quando pirralho nunca foram exatamente conhecidos ou celebrados. Ou minha memória que é ruim mesmo, sei lá.

Enfim, nunca vi nenhum filme da série National Lampoon's, e talvez seja um dos motivos que eu não consegui, a princípio, entrar de fato na idéia do filme. Mas isso não é motivo pra eu simplesmente não gostar dele, certo?


Vejamos.



Muito bem, National Lampoon's era uma revista de comédia, que era na verdade um spin-off de outra revista de comédia dos anos 60, mas divago. O escritor John Hughes escreveu algumas histórias pra ela e as usou de base pros filmes de National Lampoon's Vacation, incluindo European, Christmas e Las Vegas. Há duas sequências, uma de 2010 e outra de 2015, que sofrem do mesmo mal que afligiu Home Alone, mas eu ainda não assisti então nem posso dizer se são de fato bons.

Quem diria que o lore de National Lampoon's seria complicado assim.





Nesse filme, o pariarca da família GRIMWABLD, Clark, quer fazer o Natal perfeito em sua casa, tentando unir as duas partes da família. Acaba com os pais dele, os sogros dele, a família da irmã, dois tios tão velhos que a tia dele dublou a Betty Boop e a Olívia Palito, e o tio dublou o cientista de Nightmare Before Christmas, bem como o dono da fábrica de lã de O Ratinho Encrenqueiro. Fora os filhos dele, a vilã daquela batida de trem das Jem e as Hologramas e o Leonard de Nerd Blackface.

E eu só extendi demais a sinopse porque de fato, ela é bastante simples. O cara quer ter um Natal em família perfeito, mas absolutamente TUDO atrapalha ele de celebrar a festividade, das formas mais cartunescamente trágicas possíveis.


E da mesma forma que o Universo conspira contra Clark, o timming conspira contra as piadas neste filme.






Comédia slapstick não é fácil de fazer, é uma ciência muito exata. Você não pode simplesmente jogar uma torta na cara de alguém e esperar que funcione, tem que haver uma preparação, um momento rápido, e uma reação. E o timming é uma parte crucial disso.

As piadas nesse filme são constantemente lentas demais. Por exemplo, tem uma cena que Clark pisa em tábuas de madeira, que resultam na pancada na testa, isso repetidas vezes. Mas é tão lento que você consegue prever o que vai acontecer, e as reações de Clark não ajudam a sustentar a piada.


Mas até as piadas verbais demoram muito a se desenvolver e aplicar, que pode se tornar maçante. Só não se torna porque, entre uma cena e outra, há algo interessante acontecendo. Clark tentando descer uma ladeira na velocidade da luz; Clark tentando arrumar as lâmpadas de Natal de casa e falhando miseravelmente, ou o cunhado dele fazendo alguma merda.


E, na real, alguns desses momentos mais lentos funcionam a favor do filme, uma vez que tu entende o propósito dele.




A comicidade dele não tá presente necessariamente nas piadas, mas nas situações do cotidiano. Todo mundo já passou pela mesma situação de Clark, de tentar fazer uma festa, uma comemoração, ou pelo menos um dia perfeito pra alguém, e tudo dar errado. Raios, no nosso dia-a-dia é capaz disso acontecer! Aconteceu comigo dois dias antes de assistir esse filme, de fato. Ver as reações de Clark, e como ele se contém diante dessas reações é extremamente identificável entre nós, especialmente em situações onde a resolução do problema não tá nas nossas mãos, e nos sentimos frustrados e impotentes diante de tudo.


E quando a gota d'água surge, ele entra em modo beserk e surta geral, e de certa forma, é até catártico, se você já passou por algo parecido.





O filme acaba se sustentando mais pelo clima familiar, pelas situações do cotidiano, e pelas proporções cartunescas que tudo tomou. Há um clima de sinceridade e até de nostalgia pelo passado. E o diálogo, embora não seja sempre engraçado, é cômico e divertido o suficiente pra te manter interessado, embora os cortes repentinos da edição tentem te confundir.


Não é um dos meus favoritos, mas eu seria tolo se dissesse que é ruim. Ele talvez só não tenha falado comigo forte, mas definitivamente, vale a pena rever.


Titio Noel




Essa é outra grata surpresa desse ano. Quando eu vi o pôster e vi que Vince VÁUN e Paul JIAMATE tavam nesse filme, eu revirei os olhos e fiquei "oh, boy, aqui vamos nós de novo". Mas o que eu encontrei foi um filme com coração e com várias idéias criativas.

Talvez não tão bem executadas, mas criativas.


Vem comigo.



Alguém fez um Clausverse, por falar nisso? Juntar o canon de Santa Clause, Santa Baby, Fred Claus, e outros do tipo? Se fizeram um dos filmes do Adam Sandler, porque não um do Noel?

Aliás, qualquer um que veja todos os filmes do Adam Sandler e ainda por cima tente unir todos eles num mesmo universo merece um prêmio. Eu terminei Pixels com meus olhos sangrando Fanta Uva, pelo amor do raio.


Enfim. Tudo começa há trocentos anos atrás. Os animais viviam em harmonia com os lenhadores, a vida era boa, crianças brincavam de esconde-esconde na floresta e voltavam duas semanas depois sem as roupas e falando a língua dos lobos, e a revista Recreio ainda custava 3,90. Quando nasce Nicholas Claus, um bebê gordo e que não chora ao nascer, ao invés disso ele fala "Ho, ho ho". Seu irmão mais velho, Fred, promete ser o melhor irmão mais velho do mundo.

Eu esqueci de tirar print deles moleques,
então aqui vai Vince dando uma cotovelada
num Papai Noel de enfeite.

Mas Nicholas tinha um dom pra agradar às pessoas, e presenteá-las. Instantaneamente, ele começa a agradar todo mundo, exceto Fred, que começa a ser comparado demais a Nick pelo pais, e sente que vive na sombra do irmão menor.


Passam-se os anos, e Nick é... Canonizado? Eu sei lá o termo, mas ele vira o Papai Noel. Aparentemente ser extremamente generoso te garante um lugar num dos lugares mais inóspitos da Terra, pra ter uma fábrica de brinquedos usando mão-de-obra semi-escrava de criaturas fantásticas, e te dá a liberdade de entrar na casa dos outros pra entregar presentes e comer biscoitos com leite.

Mas eu divago, esse filme não é sobre Nick, mas sim sobre Fred.


Frederico Noel em mais uma
quarta-feira comum.


Como ser fantástico, agora Nick e sua família são imortais, o que inclui Fred, que hoje trabalha no ramo de mudanças ou algo assim... Nunca é bem explicado, eu acho. Mas ele tem grandes planos de abrir um cassino na rua em frente a um banco, mas precisa pagar uma dívida, e recorre ao seu irmão Nick, que resolve que só vai pagar caso Fred passe uns dias com ele no Pólo Norte, já que nunca foi visitado pelo caçula.

Mas Fred é interpretado pelo Vince VÁUN, o que implica que ele tem não só problemas financeiros, mas também problemas com sua namorada, que até um dia desses nem sabia que ele tinha um irmão.





No entanto, Nick tem seus próprios problemas, quando um executivo de sabe-se lá daonde diz que a produção da fábrica do Noel caiu, e caso Noel cometa 3 erros, ele tem autorização pra fechar a fábrica.


Pff, amador. YouTubers passam por esse problema diariamente, sem sequer ter culpa.
PTÚ! PTÚ, eu digo!

Aliás, esse cara trabalha pra quem? Pro Lobo?

...duas pessoas vão entender essa referência.
...que foi malfeita, anyway e... ah, seguindo, vamo.





Eu não sou muito acostumado com as comédias envolvendo Vince. Eu vi um pedaço de Os Estagiários e vi De Repente Pai, o qual eu gostei bastante, na verdade. O estilo de tragicomédia permanece em Fred Claus, e embora Vince tenha muitos traços do personagem do filme semi-Disneyano, ele ainda consegue andar com as próprias pernas e ter uma personalidade própria. Só é extremamente parecida.

E sim, eu falei sério, Delivery Man foi distribuído pela Touchstone/Disney, então tecnicamente conta.
O filme de Need for Speed também, caso queira saber.


Vince consegue um equilíbrio entre ser um cara relaxado e com mágoas de infância e ainda ter alguns valores que criam uma simpatia com o público. Ele tenta ajudar o Elfo-chefe, ele tenta fazer o trabalho dele o melhor que pode, mesmo atrapalhando a produção... Ele tem genuinamenteboas intenções, ele só tá perdido.

Que, aliás, é um tema interessante e que eu não ouso spoilar pra vocês.






Paul Diamante também tá ótimo como Noel. Eu tinha medo de que ele ficasse caricato demais (já que a imagem mais forte que eu tenho dele é em O Grande Mentiroso e Planeta dos Macacos do Burton, mas eu sei que ele consegue fazer um papel sério, como em Saving Mr. Banks). O Noel dele é bastante amável, mas ainda é um cara estressado com seu trabalho. Ao mesmo tempo, tenta sempre fazer o melhor possível pra sua família e funcionários, e talvez seja justamente isso que o tenha deixado estressado.

Ambos os personagens são perfeitamente compreensíveis e identificáveis, e seus plots de fato conseguem ser interessantes.





E claro, os sets são magníficos. A CG usada por várias vezes é tão falsa que você conseguiria notá-las de olhos fechados, mas quando funciona, realmente funciona, e às vezes a sensação de falsidade ajuda a criar um clima de sonho no ambiente.

Exceto nos elfos, aquilo tá feio mesmo.




Embora tente ser uma comédia, é o drama dos dois irmãos que faz com que o filme seja grande. Há um amor entre os irmãos e uma confusão não-resolvida desde a infância (aliás parabéns pros atores pirralhos, eles fizeram um trabalho fantástico no começo do filme). Algo que é resolvido de forma adorável e calorosa.




Eu assisti esperando uma tragicomédia meio slice of life fantasiosa, encontrei uma excelente história entre dois irmãos, fantasia, reconciliação familiar, e a eterna busca pra compreender o outro. Definitivamente vale a pena assistir.



Um Sequestro de Natal



Reino Corações: Acorda pra Cuspir é o título da franquia Reino Corações pra PSP. Nosso amigo Tetsuya Nomura, que ainda acha que a fanbase é composta por membros da família Lodge, conta os eventos de 10 anos antes de Kingdom Hearts 1, mostrando três keybladers em treinamento, que seguem histórias que se encontram e se completam. Mais ou menos como em Sonic Adventure e Sonic Heroes.


Nele vemos toda a origem dos futuros vilões da saga, bem como salvamos algumas Princesas do Coração (Branca de Neve tá lindíssima aqui, por falar nisso); tudo regrado a um novo sistema de combate que te dá altas possibilidades de combinações de combos pra você chutar a bunda de vários inimigos ao mesmo tempo e com estilo.


Esta resenha não é sobre este jogo.



"Ora Kapão, então porque cê começou falando do jogo? Seu verme com déficit de atenção!" Que bom que perguntou, leitor que conversa comigo mentalmente! Deixe eu explicar.


Eu fiz uma lista de 25 filmes pra ver até o Natal, e fui escrevendo sobre eles. Não vou conseguir resenhar todos, mas eu gosto de ter uma meta e tentar alcançá-la. Sem falar que, ano que vem, dá pra falar mais de Rankin/Bass.

Enfim, esse filme tava no meio, e não só ele é o pior filme de Natal que eu vi esse ano, mas também o mais chato.


E é muito difícil de falar de um filme sem graça, porque uma hora cê acaba sem material de crítica e/ou piada. Tipo O Especial de Natal de Star Wars.

E após muito deliberar com o Prof. Carvalho (menos de 3 minutos no Discord) eu resolvi que iria resenhar esse filme, mas unicamente porque eu sinto que é meu dever te dar uma noção do que é bom evitar, pra tu não perder o tempo.

Eu poderia estar jogando Acorda pra Cuspir neste exato momento, mas estou fazendo esse sacrifício por vocês.

Espero que apreciem.

Okay, okay, sem mais lenga-lenga. Vamo falar desse filme.






Sabrina Spellman é uma guria que mora em um kitinete na Barra do Ceará, e seu pai acaba dando um jeito de ela arranjar uma entrevista de emprego. Mas claro, morando em Fortaleza, ela se atrasa porcausa de alguma briga de trânsito porque um motorista se abaixou pra pegar um pendrive ou algo assim, bateu no outro, e o Juiz de Medabots saltou de detrás de um poste vestido de guabiru e declarou o início de mais uma cyberluta pra decidir quem tinha razão.


Mas há outro problema: os pais de Sabrina querem que ela passe o Natal nas montanhas nevadas no interior dos EUA. Como ela vai da Barra do Ceará pros EUA de carro a tempo é algo que me faz lembrar de Natal em Família, que parando pra pensar ainda é melhor que esse filme, mas divago.

Mais ou menos como eu me senti
assistindo isso.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas, e no dia que ela teria que viajar pro meio do mato, o namorado termina com ela. Ela surta e acaba sequestrando o cliente mais bonito do restaurante e leva ele pro Natal dizendo que é namorado dela.


E eu tenho que dar crédito a esse filme por ao menos tentar fazer o relacionamento entre os dois interessante. Sabrina diz pros pais que o cara gosta de brincar que ele odeia festas familiares ou algo assim, se sente sequestrado, e funciona. Mas aí começam nossos problemas.





Vejam bem, Sabrina obviamente passou por um surto pra não parecer uma fracassada diante dos pais, o que é identificável. Mas ela sustenta as consequências do ato o tempo todo, como se não se arrependesse do que fez, e só bem mais tarde isso vai acontecer. Eu não consigo simpatizar com ela porque ela acaba sendo muito babaca com o cara e consigo mesma.

E o cara, após conseguir ligar pra noiva dele pra resolver tudo, resolve seguir com o plano só pra dar mais satisfação a ele quando os pais de Sabrina descobrirem que ela mentiu e sequestrou o cara. Eu entendo a motivação dele, mas ainda não consigo torcer por ele.


E não só isso, o filme é ENTEDIANTE. Imagine que está numa festa de família, onde você não conhece ninguém, nenhum dos parentes faz nada particularmente interessante, e embora tenha um ou outro momento que seja legitimamente engraçado, cê não consegue ter nenhuma reação porque tu tá quase dormindo, tamanho o tédio na festa.

Esse filme é parecido.

Oh sim, e a Sra. Robinson
é a avó da Sabrina.

As piadas são fracas, o timming é horrendo; acontecem coisas que deveriam ser Climão Manero™, mas não são porque cê não conseguiu botar fé em nenhum dos personagens, e você só quer que tudo acabe logo.

Se quer ver um filme que usa esse mesmíssimo conceito de forma superior, veja Sobrevivendo ao Natal, com Ben Affleck. O roteiro é melhor desenvolvido, os personagens são mais carismáticos, e os momentos constrangedores acabam tendo mais peso na história.





Agora, se me permitem, Sua Majestade, o Rei Mickey, precisa de mim.

A Filha do Papai Noel




O tema de paternidade relacionado ao Papai Noel não é coisa nova, bem como a questão entre a tradição e o progresso. E esse é mais um filme que trata disso, de uma forma única.


Como, você pergunta? Vem comigo.




A história nos conta sobre Mary Class, uma consultora de gestão de negócios (ou algo do tipo) que recebe uma chamada de sua mãe em pleno Dia de Ação de Graças. Acontece que seu pai teve um infarto, e ela prescia urgentemente voltar pra casa.

Cê quer contar o filme ou vai me deixar falar?
Hunf


Para surpresa de todos (e por "todos" eu quero dizer "a assistente de Mary"), Mary é filha do Papai Noel, e já que o velho tá impossibilitado de trabalhar, ela resolve assumir as rédeas do trenó.

E do negócio da família.

....

Entenderam? Porque renas usam rédeas pra serem... dirigidas... Também é uma expressão popular e... É...

...

perdão.




...Enfim, só que Mary pretende modernizar a fábrica, colocando máquinas e usando relatórios e TI e essas parafernália toda. O problema é que os elfos são mais incompetentes que você depois de bater aquele almoço maroto no PF a cinco conto, e tem tanto conhecimento sobre tecnologia e relatórios quanto aquela sua tia que fica mandando corrente no WhatsApp sobre seringas com o vírus da AIDS no meio da rua.

Além de tudo isso, ela ainda vai reencontrar o amor de adolescência, e o mesmo vai se encontrar com o atual namorado de Mary, causando alguns Climão Manero™ que não pode faltar nas festas de família.





Se livrando logo dos poucos problemas, a fotografia é horrível. Não, sério, é uma das piores fotografias que eu já vi num filme natalino. Os ambientes são escuros e sem vida, cores fracas e chapadas. Mesmo quando há muita luz, é como se não fizesse muita diferença, o ambiente continua escuro e sem vida. Isso é um problema especialmente porque os sets são bem construídos. O design da fábrica, embora não seja muito diferente do que estamos acostumados, é bem vivo e é interessante ter um escritório como se fosse uma estufa dentro da fábrica, pro Noel ficar organizando alguma coisa burocrática e ao mesmo tempo ficar de olho nos elfos. Que, como já mencionei, são tão habilidosos e inteligentes quanto uma iguana com um maçarico.

E fora isso, a atuação geral também não é lá essas coisa. Não que seja ruim, mas também não tem nada de particularmente bom nelas. Eles fazem o que lhe é pedido, e funciona.




Mas de longe o grande ponto do filme é o conflito de gerações, que foi melhor abordado em Operação Presente. Mas mesmo aqui são tomadas decisões interessantes.
Noel quer continuar a fazer as coisas do jeito certo, porque funciona. Mary quer organizar melhor tudo, informatizar e capacitar os elfos pra atenderem uma demanda que, como ela diz, aumentou consideravelmente. Mas embora seja uma excelente idéia e seja tratado dessa forma mais realista, eles na prática não fazem muito em relação a isso. Há um momento em que Noel se gaba de fazer todos os trenzinhos de madeira à mão, e Mary indaga qual foi a última vez que ele fez um trenzinho manualmente. Esse tipo de debate funciona perfeitamente, mas acaba não tendo uma participação maior.

Mas, é um especial pra família, é pra ser uma coisa mais leve. Eu consigo deixar passar esse tipo de coisa.



O resto do filme foca não só na Mary querendo melhorar o Natal, mas também em redescobrir a si mesma. Voltar à terra Natal (HHHÁ!), rever pessoas queridas, às vezes isso é necessário pra lembrarmos quem nós fomos e quem nós queríamos ser. Assim como proteger as tradições, mas sabendo o que se passa ao nosso redor e tomar aquilo que pode nos servir.



É um filme perfeito? Nnão. É emocionante? Definitivamente não. É engraçado? Olha, eu ri nos momentos que ficava constrangedor, mas nem tanto por ser engraçado. Ele é mais um filme leve pra ver com a família, sem se preocupar muito, aproveitando algumas idéias e ocasionalmente um lance bem feito da fotografia, como algumas cenas exteriores na neve.




Se tiver um tempo livre, pode ser interessante assistir, mas não espere nada de mais.