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Faeries (1981)



Antes de Dark Crystal e Labirinto, Brian Froud teve um de seus livros adaptados pra um especial de TV. Pra quem não sabe, Brian Froud e Alan Lee produziram um livro de arte com a temática de fadas, mas na real era sobre criaturas fantásticas da floresta em geral.
Se tiver um tempo e se interessar, dê uma olhada no Google, vai achar belíssimas peças de arte.

Caso queira ver uma adaptação feita em cima das coxas e com um orçamento equivalente a um episódio de Chaves, venha comigo.



Rapaz, que raio de curta nós temos aqui. Essa foi uma das experiências mais estranhas que eu já tive.
Não top 5, talvez top 10. Mas mesmo assim, estranha.



Comecemos pela história. Oisin é um aprendiz de caçador. Durante uma caçada com os outros caçadores, ele flecha um cervo, que se transforma na princesa das fadas. Ela o leva pro seu reino (que aparentemente é como se fosse uma outra dimensão no mesmo espaço, que é um conceito bacana), onde eles enfrentam um perigo.



A florsta das fadas costumava ser alegre, cheia de música, danças, e churros de Nutella. Mas o rei, provavelmente bêbado com Sprite, deu vida à própria sombra, que criou consciência própria e estabeleceu uma noite eterna na floresta e a domina com mão de ferro.

Isso é que é ter medo da própria sombra.
HA!


E agora, somente o humano Oisin é capaz de derrotar a sombra (por algum motivo), e vai acompanhado de Puck (sim, aquele bicho de Sonhos de uma Noite de Verão) e o LeFou de Bela e a Fera.

Deixa ir... Deixa ir...


A primeira coisa que nota-se é que a animação é barata. Muito barata. Não só ela é extremamente rústica, rabiscada, sem acabamento, mas até nos frames ela economiza. A melhor forma de descrever a animação é que a equipe recebeu um orçamento pra fazer uma animação estilo japonesa, com poucos frames mas que funciona bem assim. Mas os caras tentaram dar mais movimento, e na metade do caminho perceberam que não podiam terminar os frames necessários e resolveram só repetir os frames já usados.

Não, sério, olhem essa imagem.


Notem que exsitem "clones" dos personagens em posições analógicas, pra que eles fiquem rodando ao redor do centro e não se perceba a diferença. É basicamente um dos princípios dos gifs animados modernos.
E eles reutilizam essa mesmíssima cena não uma, não duas, mas três vezes.

Isso deve te dar uma idéia do quão barata foi essa animação.

Quanto a história, eu queria lembrar de algo.


Eu nunca vi personagens tão, mas TÃO planos desde... sei lá, a última propaganda de carro que eu vi.
Por ser um curta de 20 minutos, as coisas simplesmente acontecem sem muito desenvolvimento. Personagens vem e vão, e basicamente servem pra explicar certos pontos da narrativa. O que é uma pena, porque os designs das criaturas e especialmente os backgrounds são muito bem-feitos. Provavelmente metade do orçamento foi pra fazer os backgrounds e a outra metade pra conseguir os direitos autorais do livro, o que restou aos animadores e dubladores um grill, um pacote de pão de fôrma e um refrigerante sem gás.



E sim, se tem um motivo pra assistir esse filme, é simplesmente pelos designs das criaturas, que são de fato bastante fiéis aos desenhos de Froud, adaptando apenas pra algo mais fácil de animar. Na cena de flashback dá até pra encontrar personagens na mesma pose dos desenhos do livro.


Minha teoria é que esse filme na real era um episódio piloto de uma série, ou algo pra motivar investidores a injetar verdinhas em algo maior, como um especial de 40 minutos ou mesmo uma série animada.
Se for isso mesmo, é uma pena que esse especial tenha sido tão fracamente produzido, porque o livro e os conceitos da animação tem um potencial imenso.

Agora, outro livro de Froud com o mesmo tema teve outra adaptação pra TV, dessa vez em live-action.
E... Só. Eu não consigo achar nada, nenhuma informação, nenhum trecho, DVD ou VHS pra vender, nem em torrent. A única coisa que temos é uma página no IMDB com o trailer (que aparenta ser bem promissor). O fato de não ter nota nem nenhuma resenha é um sinal de que esse filme basicamente cessou de existir. O que, de novo, é uma pena, parece promissor.

Ou ao menos parece ser baseado no livro, tem tão pouca informação que é capaz de terem errado a capa dele no IMDB.




Enfim, Faeries de 81 não é nada além do básico (raios, eu diria que é menos que o básico) e você pode ficar irritado com a falta de personalidade dos personagens ou mesmo da narrativa apressada. Mas pelo menos você terá bons designs de criaturas e os conceitos (e até o plot) aproveitáveis pra uma partida de RPG. Recomendo e ao mesmo tempo não recomendo.
Sim, é estranho, só aceite.

the muppets. (2015)


Desde os anos 70 houveram duas encarnações televisivas dos Muppets, o Muppet Show original e Muppets Tonight, que atualizava alguns elementos.
E em todas as encarnações Muppets, uma coisa era certa: eles eram personagens pra família. Eles tinham suas piadas que só os adultos entendiam, mas não era o foco deles e nem sempre tratavam de temas maduros.

Isso mudou quando a ABC deu sinal verde para a série "the muppets.", que mostrava os personagens em seus dia-a-dias comuns, e causou recepções mistas, por ser algo novo e com potencial, mas ao mesmo tempo desagradando aqueles que esperavam algo mais tradicional.
Mas afinal, qual o veredito?





O plot todo da série envolve os bastidores do talk show de Miss Piggy, chamado de Late Night with Miss Piggy. As tramas envolvem coisas como convidar celebridades pra serem entrevistadas, ou alguma ideia a ser usada em um episódio do programa, e tudo isso mesclando-se às tramas pessoais.
O primeiro episódio trata justamente do status quo do Late Show e do relacionamento entre Kermit e Piggy, e introduz a nova personagem, Denise. Mais tarde entro em detalhes.

O foco da série é realmente o lado pessoal dos personagens. Como eles agem, o que eles fazem, como trabalham dentro do estúdio, e tem elementos bastante identificáveis, como Bobo vendendo biscoitos pros colegas; ou Gonzo, Rizzo e Pepe dividindo um apartamento; ou Robin indo visitar o trabalho do tio. Esses são elementos do mundo real que são interessantes de vermos e que são interessantemente explorados, mas é necessário analisar o histórico dos bastidores.



Nos primeiros episódios os roteiristas/produtores ainda estavam naquela fase de engrenação (essa palavra existe? enfim.). Tínhamos piadas que não eram exatamente engraçadas, mas que faziam sentido. Como por exemplo, antes do brainstorming do dia, acontece um diálogo entre Pepe e Scooter:

Scooter: Então, Pepe, como foi o casamento da sua prima?
Pepe: Ah, o vestido dela estava "eh". Mas cê sabe, não tem muitas opções quando se está grávida de 4 mil bebês.

Mesmo que tu não entenda de biologia (como eu), sabe que alguns animais marinhos realmente tem quantidades semelhantes de reprodução. Aliado ao fato de que ela casou grávida (que é algo comum em nosso mundo), mostra a junção ideal entre o humor típico para adultos mas que pode passar desapercebido entre algumas crianças (como eles costumavam fazer, mas em outro nível); e o fato de que eles são animais que agem como humanos, o conceito que permeia o universo Muppet.



Mas então temos piadas como essa:

Yolanda: Ei! Vamos chamar Josh Groban semana que vem! Ele é solteiro, tem uma voz incrível, e me deixa louca.
Pepe: Ele me deixa louco também!
*silêncio constrangedor enquanto todo mundo olha pra Pepe*
Pepe: O quê? Ele é um cara bonito, e gênero é fluido.

A piada não funciona bem porque não é uma piada, mas todo o timming da cena nos dá a entender que é uma piada. Você assiste esperando dar uma risada, nem que seja de canto de boca, mas aí eles vem com um papo e tons sérios.
Eu juro que quando eu vi, eu pausei e fui pesquisar sobre a biologia dos camarões (King Prawn), no caso), porque eu pensei que em um certo ponto da vida eles mudavam de sexo ou algo assim.
Nada. Ficou um momento forçado e desperdício de timming pra piada.



Com o tempo eles foram aprimorando o estilo e temática das piadas e situações cômicas, mas pra isso foi necessário um período em que pouca coisa ou nada acontecia. Felizmente, foram os primeiros 4-5 episódios, aproximadamente. Mas que é muito se considerarmos que a série tem 16 episódios, e que os episódios iniciais contam muito no quesito "audiência".

Lá pros episódios 6-7, eles finalmente acertaram a mão e começaram a desenvolver melhor os personagens e o plot principal: o relacionamento de Kermit e Piggy. Curiosamente, foi mais ou menos o período em que houve a troca de showrunner.
A cada episódio foi-se limando mais os cortes pra entrevistas diretas, sem abandonar os outros traços de mockumentário, e focando-se mais em conduzir a trama da vez.


Entre Dezembro e Fevereiro a série passou por um hiato mais do que necessário, tanto pra dar uma folga pro Late Night quanto pra iniciarmos a reta final da série. É provavelmente minha parte favorita, pois desenvolve o núcleo do plot principal, Kermit, Piggy, Denise, e de quebra Uncle Deadly, mas sem esquecer dos outros personagens. E ainda introduzindo um vilão muito bem construído, Pizza.

Mas se fala "Pache".

...é sério, assistam que é melhor do que eu explicar.


A série terminou numa nota belíssima entre Kermit e Piggy (não é spoiler uma vez que todos nós sabemos que eles nunca vão se separar em definitivo), e aparentemente a série poderia iniciar uma nova fase, em que o relacionamento entre os dois iria ajudar o Late Night, e eles teriam que se ajudar em alguns stresses e mal-entendidos que a vida de celebridade provoca.
Até que a ABC cancelou, junto com outras séries como Agent Carter e Castle.

Não que não fosse previsível, mas eu pessoalmente esperava que eles considerassem melhorias na série. Mas não, aparentemente a doce e singela nota final do último episódio foi o suficiente pra eles. O motivo principal foi a queda de audiência, e a seguir eu listo alguns motivos que poderiam ter ocasionado essa queda de audiência:



-O tom e assuntos adultos

De longe, o que mais causou discórdia foi o tom que não é family-friendly que sempre foi a marca dos Muppets. Como eu disse, eles sempre fizeram menções a alguns temas, mas sempre se manteram num nível e modo que ainda era family-friendly, dependendo da ocasião. Em talk-shows ninguém sabe bem o que pode acontecer, ainda mais ao vivo.
Entretanto, como eu já mencionei, algumas piadas estavam muito forçadas e pareciam fazer parte de uma "cota" de piadas adultas que eles deveriam botar na série, pra mostrar (ou testar) o humor.
Ao meu ver, isso não é um problema. O propósito da série era mostrar os Muppets como gente como a gente, pagando contas, saindo com os amigos (tem um episódio inteiro sobre isso, aliás), se relacionando, comprando casa. Mas tudo funcionando na lógica caótica dos Muppets, guardadas as devidas proporções, já que é pra se passar no mundo real.



E não só isso, o timming pra fazer algo do tipo também foi uma mão errada da Disney. Eles acabaram de lançar dois filmes rebootando os Muppets, ambos focados na família, e se saíram perfeitamente bem neles. E fizeram promoções dos filmes em jogos como Club Penguim, que é totalmente direcionado a crianças, fora jogos de smartphone. O público mais novo estava conhecendo esses personagens, aí a Disney vai e lança uma série com esses personagens focada em adultos. Poderia ter uma transição melhor, como por exemplo, um programa de variedades no estilo de Muppet Show e Muppets Tonight.



-Denise

Ignorando as reclamações de alguns grupos feministas por Kermit ter trocado Piggy por uma porca "magra, jovem e bonita" (sic), a maior reclamação de Denise era porque ela tinha, teoricamente, separado Kermit e Piggy, o que não é verdade.
Logo no primeiro episódio nos é mostrado que Kermit não aguentava mais os pitis e a atitude frescurenta e narcisista diva-like de Piggy. E durante a série, nem mesmo eu. Eu passei a não gostar das atitudes de Piggy durante a série, o que, de novo, combina com a proposta.


Aquela celebridade que tu ama, quem sabe se na vida real ela não é uma pessoa insuportável cheia de trique-trique? É esse o lado que a série quis mostrar, o lado real das celebridades. Já imaginávamos que Piggy seria uma diva narcisista, mas o que ela faz na série é ainda mais exagerado, e justificado pelo contexto, não sendo uma quebra de personagem.
Denise é compreensiva, alegre, fofa, competente no trabalho, e almeja melhorar e crescer na empresa (ela tenta fazer umas piadas vez ou outra), sem deixar de ser gente como a gente e ter surtos quando vê a CRISTINA CHENOWETE, por exemplo.
E em todos os momentos em que o relacionamento dela com Kermit foi posto em debate na série, ela agiu de maneira racional e lógica. Notavelmente emocional, mas ainda assim, racional e lógica.



A série como um todo tem MUITAS falhas, mas o que é interessant notar é que em nenhum momento ela sai dos personagens já estabelecidos e os desenvolvem de formas interessantíssimas. Junto com o filme The Muppets de 2011, talvez essa seja uma das produções que mais mostra os personagens como pessoas e os desenvolve dessa forma. Eu realmente torcia e achava fofo Fozzie namorando com Becky e como com o tempo ela se torna mais compreensiva, Rizzo tentando conquistar Yolanda, Uncle Deadly como suporte geral de Miss Piggy, e como com o passar do tempo eles entendem o que faz o Late Show e o que faz os Muppets tão interessantes: os relacionamentos entre os personagens.

São um bando de sapos, porcos, ursos, ratos, wathever, galinhas, e o cara de TI. Mas de uma forma lenta tanto os personagens como a própria série percebem que são essas coisas que nos fazem querer voltar a eles. É o que pode sair dessas combinações loucas, e até nos fazem torcer pra eles não só como Muppets, mas como personagens.



Eu quero ver os próximos passos de Kermit e Piggy; eu quero ver Gonzo, Rizzo e Pepe dividindo um apartamento e tentando se entender; eu quero ver Sam tentando conquistar Janice; eu quero saber como ficou o relacionamento de Scooter com Chelsea Handler, eu quero ver os novos quadros do Late Night. Não apenas do ponto de vista de puro entretenimento, como no Muppet Show, mas de um nível de personagem. Mesmo com algumas piadas fracas e forçadas, a série sempre tratou bem os personagens e nos fez nos importar com eles e suas histórias. Alguns mais, outros menos, mas é isso que acontece.

E aliás, parabéns pra dublagem brasileira, manteve o mesmo nível de qualidade dos filmes e ainda se superou.



Recomendo a série (inclusive dublada), e se a Disney quiser me contratar pra fazer parte da produção de uma nova temporada, aceito meu pagamento em coxinhas.

E Netflix, vamos conversar.


"São Longuinho, São Longuinho,
se a Netflix renovar a série
eu sou 100 pulinhos."


Shi15ya - TV





"Sh15uya" (lê-se "Shibuya Fifteen") é uma série tokusatsu um pouco diferente. Assim como "Garo", é um tokusatsu alternativo, mas ainda é algo puxado para o drama, não tendo tantos elementos fantasiosos que a série do Cavaleiro Dourado tem.
Foi baseado em um mangá praticamente desconhecido, e foi exibido durante a madrugada da TV Asahi, em 2005. Sendo assim, têm-se uma ideia do clima da série, que é mais sério e voltado a jovens e adultos, com um ambiente mais urbano e temas mais realistas.






A história se passa em Shibuya (que é um bairro comercial de Tokyo), mas uma Shibuya fictícea. Acompanhamos a trajetória de um rapaz desnorteado que acorda em um beco do bairro, e ele cospe um papel escrito "Fuja de Shibuya. Revu.". Ele descobre que há 3 gangues na cidade, que se enfrentam constantemente em busca do controle de áreas do bairro, e que ele faz parte da maior gangue, os Palhands (lê-se "Pal-Hands"), que tem como líder o exagerado Ryuugo.

Para alguns jovens, essa Shibuya é um Paraíso: às vezes trabalham, às vezes estudam (HA!), e às vezes brigam. Mas nem tudo são flores: se você desobedecer as regras (isto é, matar outro membro ou tiver a itenção de matar), você será punido pelo vocalista do Red Hot Chilli Peppers que é incapaz de não falar por meio de metáforas, chamado de Peace. Mas não tema, porque Ema, a manicure que se transforma numa espécie de Justiceira de Armadura, neutraliza Peace.

O garoto está atordoado diante de tudo isso, mas faz amizade com Asagi, líder da gangue rival, Lovegen, que é formada só por garotas. Mas ele parece ter alguma relação anterior com Ema.



É difícil falar dessa série sem dar muitos spoilers. A história, a princípio, parece extremamente confusa, e com várias pontas soltas. Felizmente, boa parte delas são resolvidas, e as que não são, em geral servem para o espectador pensar por si próprio. Mas há sim algumas falhas no roteiro, como alguns personagens que mudam de atitude sem muita explicação.



A narrativa em si é muito interessante. A iluminação das cenas em geral é escura ou fria, com alguma manchas pretas na borda da tela, dando uma impressão de sufocamento, de desnorteação, sensação essa que é diminuída a medida que o protagonista se envolve na história e na guerra de gangues.

A história é envolvente e te faz querer assistir o próximo episódio. Ou pra saber o que vai acontecer com os personagens, ou pra saber os motivos das coisas sem explicação que acontecem, ou ambos. O resultado é que acaba sendo uma espécie de ficção científica que nos faz pensar sobre o sistema educacional tanto de jovens delinquentes como do sistema penal para os mesmos, coisa  que não é problema apenas do Japão.



Mas há um problema que eu julgo grande. Em todo episódio, o narrador começa dizendo que é um "mundo virtual". Desde o primeiro episódio temos esse spoiler gigantesco batendo em nossa testa. Sim.

Os personagens secundários que tem maior destaque são mesmo os líderes de gangues, como Ryuugo (Palhands), Asagi (Lovegen) e DJ (Bunkamu), e o dono do estúdio de tatuagem que serve comida, estúdio esse que serve de Zona Neutra das Gangues. Esses personagens, incluindo Ema, funcionam como o Mentor para o protagonista, que, assim como o público, aprende com cada um, um pouco do sistema de Shibuya.



As atuações são boas. O protagonista parece realmente perdido, mas aos poucos adquire confiança de si mesmo e passa de observador para atuante. Como uma criança que se torna um jovem na vida real, aumentando gradualmente as responsabilidades e a confiança. Asagi (interpretada por uma conhecida de quem viu Kamen Rider Kiva, Yuria Haga) muda de personalidade durante a série, e em ambos os casos ela não fica exagerada a ponto de parecer deslocada da série.



Mas eu acredito que o destaque em atuação vá pra Ryuugo. Alguns provavelmente não vão gostar dele, e eu realmente os entendo. Ele é muito caricato e exagerado, mas quer saber? Faz sentido. Ryuugo é o tipo de chefe que possui uma mentalidade de estrategista militar, mas com uma personalidade infantil, que se diverte e aproveita de tudo que seja possível. Ele luta, engana, trapaceia, defende sua gangue, e se diverte ao máximo enquanto faz isso, é como se ele estivesse jogando Zoo Tycoon Dinossaurs e quando o parque estivesse cheio de gente, ele bloqueasse a entrada com as mesas de piquenique e soltasse os dinossauros para vê-los assustar as pessoas, além de pegá-las com a boca e as arremessarem, e tirar todo o proveito disso.
...exemplo um pouco exagerado, mas válido.

As brigas de gangues são espetaculares. Não é bem o tipo de luta que estamos acostumados a ver em tokusatsus normais, tampouco brigas de rua de verdade. É como uma síntese de ambas, são brigas de rua se os envolvidos tivessem mais força e velocidade. E é possível até ver um nível de luta, tendo Peace e Ema acima dos outros, com movimentos mais avançados, mas sem sair no estilo do resto.



O que posso concluir de "Sh15uya"? Provavelmente não vai agradar a todo mundo. Alguns vão achar um pouco confuso, ou vão se incomodar com alguma ou outra coisa; mas outros irão entender a mensagem. Seja de um lado, seja de outro, é uma boa pedida pra quem quer "fugir" um pouco dos tokusatsus convencionais.

Sola - TV

Protagonistas

Eu tenho um método pra ir atrás de algo pra ver: vou pelo nome mais estranho.
Os nomes mais longos e cheios de sílabas, ou os mais simples mas que não fazem o menor sentido. Isso quando alguém não me recomenda.
"Sola" foi um dessas séries.
O que eu ouvi dessa série é que era um romance. Bem, eu vi uma vez, e não captei muito bem. Vi duas e... Bom, é bem sutil. Mas é uma série agradável? Me acompanhe.






Aono e Yorito. Irmãos...? Então tá.

Pra começo de conversa, uma pequena explicação. "Sola" é, na verdade, é um "mixed media", ou seja, é um trabalho com mídias variadas. Foi lançado o mangá, com conceito concebido por Naoki Hisaya (que trabalhou mais jogos de simulação de encontro) e character design de Naru Nanao (que também trabalhou em jogos de simuladores de encontros). O mangá foi desenhado por Chako Abeno (que não fez nada muito conhecido). Depois do mangá, foram lançados CD Dramas, e enfim foi lançado o anime. (Se puder, resenho as outras mídias também.) Estarei resenhando apenas o anime por hoje.

O Design Character é simples, mas bonito e funcional.

A história mostra a vida de Morimiya Yorito, que é um cara que ama o céu e tira fotos do mesmo a todo momento. Não importa o que esteja acontecendo, seja uma aula, horário vago, no metrô, um ataque do Godzilla ou qualquer outra coisa, ele vai estar olhando pro céu.

Yorito tem uma irmã doente chamada Aono, que não parece ser irmã dele, mas enfim. Ela é muito fraca, e está no hospital desde que eles se mudaram pra cidade. Nas visitas do hospital, Yorito conhece uma garota chamada Mana, que é a irmã mais velha de Koyori, que também está no mesmo hospital de Aono e fez amizade com a mesma.



Mas o nosso protagonista Yorito entra no Mundo Especial apenas quando, em uma madrugada, vai bater a tão sonhada foto do mais belo pôr-do-sol. Nisso, ele vê uma garota que está chutando uma máquina de sucos/chás/refrigerantes/energia do Megaman. Daí ele ajuda ela, eles começam a conversar, e ficam amigos. Mas a garota (que se chama Matsuri) some misteriosamente. Yorito faz umas pesquisas e descobre que ela mora numa igreja.

Ao chegar na igreja, ele se depara com Matsuri lutando com um cara de espada chamado Takeshi. Após a luta, Yorito leva Matsuri pra casa pra cuidar dela.

A partir daí se desenrola toda a história da série.


O enredo em si é muito bom. Tem um certo romance no ar, mas é algo muito (MUITO) sutil, em alguns pontos. Mas não é só isso, ele inclui drama também, com Aono e Yorito e o relacionamento entre os dois. (sério que eles são irmãos?)

Yorito é... Como posso falar... Ele parece um cara... Perdido... Não sei bem como dizer. Também não sei se é bom ou ruim. Digo, ele se importa mais em tirar fotos do céu do que qualquer outra coisa, ele deve ser meio desleixado, mas isso fica pouco claro em alguns momentos.



Matsuri é o tipo de personagem idiota mas adorável. Aquele personagem que não sabe lidar bem com certas coisas comuns para nós (como usar o microondas, por exemplo), mas que acabamos dando um risinho de canto por ela ser extremamente adorável. Ao mesmo tempo, é uma personagem forte.

Mana... Ela meio que cuida do Yorito. É ela quem geralmente faz a comida e faz companhia a ele. (A propósito, isso é comum? Não é a primeira vez que vejo esse tipo de coisa acontecer. Alguém que tenha mais informações, por favor, responda.)

Koyori é a irmã menor adorável da Mana. Não é muito útil, mas tem lá sua utilidade.

Aono... Ok, na primeira metade ela não faz raio nenhum, nem sequer demonstra muitas emoções, a ponto de me irritar. Não que eu não goste de personagens quase sem emoção. Eu gosto quando são bem usados. Yuki Nagato e Felli (Koukaku no Regios) são exemplos. Mas é que... A Aono é muito monossilábica. Yuki também era, mas ela era um alien cibernético ou algo do tipo. A partir da metade, Aono melhora e passamos a entender melhor a personagem.



Takeshi é o carinha que quer matar a Matsuri. Não posso revelar o motivo, porque já dei spoiler demais, mas digamos que ele quer salvar uma amiga (Mayuko) que ficou presa num corpo de criança. (Sim, o relacionamento entre os dois é meio estranho algumas vezes.)

Ainda sobre os personagens, há os personagens que são quase figurantes, que são as colegas de classe da Mana. Elas só vão ter importância grande em um dos OVAs, mas uma delas tem importância maior... Infelizmente. Pra cê ter ideia, eu nem lembro o nome dela, mas ela é meio que fundamental pra continuar a história a partir de certo ponto. O que é chato, porque ela é uma personagem irritante, com uma voz irritante, com um jeito irritante de falar e de agir, e que, ao que parece, deveria ser mais desenvolvida mas é tão profunda quanto um pires.


A animação é muito boa. Na maior parte do tempo, é mais diálogo, mas ainda assim são cenas bem-feitas. As cenas de luta também são muito bacanas, em especial quando se aproxima do final. Algumas vezes o desenho fica estranho, como alguns ângulos onde o nariz fica maior que o normal, mas pouquíssimas cenas são assim. Destaco também as cenas que mostram o céu. Não me importa se são desenhadas ou reais, essa série me ensinou a ver a beleza do céu (além de que comecei a gostar de fotografia) e as imagens são realmente belas.

Ângulo deixou o nariz de Aono estranho.

Destaque também para as canções, muito belas e cheias de sentimento semelhante aos dos personagens e que casam bem com as cenas (elementos fundamentais pra uma série com tema próprio)

Como já falei, a história tem muito drama e um pouco de romance, e é interessante porque o drama se funde com o sobrenatural, e os mistérios vão se resolvendo aos poucos. Porém, tem algumas falhas de roteiro.
O romance é bem sutil, mas é bem criativo e
foge um pouco do padrão.
Alguns pontos são questionáveis:
-Onde raios estão os pais de Yorito e Aono? Os pais de Mana e Koyori temos uma explicação (meio fraca e com seus questionamentos, mas ainda assim é uma explicação), mas e quanto aos protagonistas? A propósito, já falei que eles nem parecem irmãos?
-De onde Takeshi tira dinheiro pra sustentar a Mayuko? Ele vive comprando comida pra ela, mas nunca o vemos trabalhar.
-Mayuko diz que Takeshi foi um tipo de agente. Que tipo de agente? Porque não nos dizem nada?
-O que raios acontece na cena onde Matsuri mostra a verdade sobre a origem de Yorito? Sério, não faz muito sentido.

Uma das coisas que não gosto na narrativa são alguns flashbacks meio que inúteis. Digo, acontece algo, daí pulamos um tempo, temos umas 2 ou 3 falas, flashback da primeira cena, voltamos ao presente. Não que deixe confuso, mas alguns desses são tão inúteis que não há motivo para fazê-los. Nada que tire o brilho, claro, pois esses flashbacks são muito poucos, mas ainda assim incomoda ao assistir.

"Sola": um drama romântico com papéis voadores que cortam.

Enfim, a série é boa?
Bem... Eu diria que sim. Digo, é uma série que tem seus erros de roteiro, seus furos, mas ainda assim é agradável de assistir. É algo legal pra ver pra fugir da rotina dos Shonens, e é uma série curta (13 eps.), dá pra ver rapidinho.
E o legal é que ainda traz uma pergunta: o que significa estar vivo, existir, ser humano?
Enfim, é uma boa dica se quiser ver algo mais diferente do que o normal.