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É Fada!







Sim, isso foi minha introdução.


A história começa com Geraldine, uma fada madrinha incompetente que causou o 7x1 de 2014 (a especificação é necessária, já que todo dia tem um 7x1; esse filme incluso). Sua última chance de ganhar suas asas de volta é ajudar uma guria com problemas familiares e sociais, Júlia. O problema é que ela é uma fada ornitorrincamente Millennial, e com morais totalmente confusas. O que claro, ocasiona em vários problemas pra Júlia e seus pais divorciados.


E... Basicamente o filme é isso.



São as tentativas de Geraldine pra ajudar Júlia, aparentemente conseguindo transformar a vida da guria mais fácil. O problema é como ela faz isso.
A solução de Geraldine é deixar Júlia o mais parecida possível com as garotas populares do colégio, a ponto dela ignorar o amor e preocupação de seu pai e do único guri que de fato se importa com ela. Sim, você já viu esse filme na Sessão da Tarde, provavelmente. Nada de novo é feito aqui, exceto que ele se passa no Brasil.

A mensagem é bastante clara: seja quem você é, não queira se espelhar nos outros. O que eles não deixam claro são os padrões morais dos personagens, a mensagem pára no "seja você mesmo", mas não ressaltam é que as gurias que Júlia queria se espelhar eram pessoas que faziam coisas más e que prejudicavam a si mesmas e até aos outros, além de serem estereotipadamente fúteis e mesquinhas.
Meu Deus eu fico com agonia só de ver um bando de pirralha que mal teve tempo de tirar as fraldas querendo agir como adulto, que merda de geração a gente vive.

E o problema da moral não para por aí, porque Geraldine, a suposta heróina, personagem principal, que estampa os pôsteres também não tem um pingo de bondade.


Tudo que ela faz por Júlia é por benefício próprio, pra conseguir suas asas de volta. Fica claro quando tu liga o fato dela dar uma solução rápida pra Júlia como ela tá pouco se lixando pra guria. E como Geraldine quer suas asas de volta o mais rápido possível, todas as atitudes que ela toma ignoram todos os efeitos que elas vão ter na vida da guria. Fora que o plano dela é que ela faça amizade e se pareça com as gurias fúteis e mimadas da classe, apelando inclusive pra sexualização delas mesmas.

Eu juro tem uma cena que ela manda Júlia apertar os peitos "pra criar teta" ELA TEM 15 ANOS SEU PROJETO DE MOSCA DAS FRUTAS COM ANEMIA!


E caso você tenha esquecido desse detalhe, o filme faz questão de te lembrar perto do terceiro ato, esfregando na sua cara toda a babaquice e egoísmo de Geraldine.


Esse filme é um achado. Foi uma das piores experiências que eu já tive, com diálogos excessivamente clichês e irritantemente datados, com morais erradas a torto e a direito, mensagem confusa e passada rapidamente como se não fosse grande coisa, uso constante de palavrões em um filme que deveria ser family-friendly (já que o foco são pré-adolesentes de 15 anos) e uma trilha sonora cujo efeito é como se eu tivesse ligando uma furadeira num ouvido com aquelas bolinhas Bate-Bate batendo no outro.


O único personagem gostável é o pai da Júlia, que é legitimamente preocupado com a guria e esforçado. Meu instinto paternal claramente se identificou com ele. Mas ele não é o suficiente pra salvar esse filme.

Esse flme é um resumo de tudo que tá errado nessa era, em especial no Brasil. Morais são maleáveis, crianças que se acham adultos (e não é uma atitude devidamente repreendida ou punida), e a falta de conteúdo real são simplesmente irritantes, a ponto de eu mal conseguir fazer uma piada pra essa resenha.
É praticamente a nossa versão de Jem e as Hologramas (2015).

É ruim assim.


E uma pequena história pessoal. Eu queria muito ver Kubo e as Duas Cordas nos cinemas. Pelos trailers parecia ser um filme fantástico, com cenários e designs criativos, com animação soberba e conceitos interessantes. E embora o roteiro não seja exatamente desenvolvido (como eu expliquei na resenha), ele faz bem o seu trabalho de divertir e até te dar algo pra pensar.

Eu não pude ver Kubo no cinema pelo simples motivo de que não havia mais uma sala ou horário decente pra Kubo porque a maioria tava ocupada passando É Fada!.
E não, eu não odiei esse filme simplesmente porcausa disso. Qualquer um com o mínimo de noção poderia ver pelos trailers que esse filme seria um amontoado de fezes de cavalo.


Eu poderia terminar com uma piada, mas eu não consigo. Simplesmente não consigo. Eu não me sinto pessoalmente ofendido por um filme desde 2013, quando eu vi The Cat in the Hat de 2003. É um filme estúpido, irrelevante, sem nenhuma mensagem que de fato funcione, e é um desperdício de tempo, dinheiro, e esforço.


Se eu um dia ter o DVD desse filme em mãos, será pra pendurar numa estaca e botar fogo.



(Essa resenha foi sugerida por JCarlos, se tiver alguma sugestão pode mandar.)

O Grilo Feliz





Eu gosto de ver coisas pra criança, e quando são brasileiras tem uma coisa especial a mais.
...às vezes.

Parece que por estarmos muito acostumados às produções vindas de fora, quando se faz algo 100% nacional tem alguma coisa diferente. Eu não sei bem explicar o que é, mas às vezes alguns produtores não sabem bem como encaixar elementos nacionais numa história que faça sentido ou que seja ao menos divertida. (Isso porque normalmente se pensa que se tem uma obrigação de botar pelo menos um personagem mitológico no meio)

Ou quando tentam mesmo criar algo que não apele aos elementos nacionais ou ao elemento educativo, falta um certo refino de... Tudo.

Mas quando eu resenhei Cassiopeia, eu não pude deixar de me lembrar de outro filme que ficou gravado na minha mente. Não porque eu assisti na época (levou uns 4 anos até eu ver esse filme na TV Globinho), mas porque era assunto de uma edição da revista Recreio.


Então, hoje falaremos de O Grilo Feliz.






A história é absurda, mas nada tão diferente dos padrões de filmes pra criança. Feliz é um grilo que compõe e canta músicas em sua viola sem cordas, porque "a música vem da alma".

...nem pense em fugir.

Um belo dia, quando ele termina uma música sobre ecologia (porque é um filme que tem insetos como protagonistas, é claro que eles vão exaltar a mata) que foi inspirada por uma estrela chamada Estrela Linda (fique firme), um lagarto chamado Maledeto invade a floresta e se autodeclara rei. E como ele não gosta de música, a proíbe.


E não só isso, mas também rouba a Estrela Linda, e Grilo parte com seus amigos pra regsatar a estrela e se livrar de Maledeto.





A primeira coisa que se nota é que a animação não é das melhores. Orçamento apertado de quase 25 mil FHCs, os personagens se movem de forma estranha e pouco orgânica. E não só isso, eles parecem ter uma obrigação de se mexer, sendo quase impossibilitados de ficarem completamente parados. E como são usados poucos quadros, os movimentos parecem ligeiramente forçados ou totalmente anaturais.


A melhor descrição que eu posso dar é Ferngully. Não só na animação, aliás.
Ferngully tentava emular o estilo Disney, enquanto o Grilo Feliz tenta buscar algo mais próprio; o que é bom, na verdade, mas o resultado ficou estranho. Acostumável, mas estranho.




O que realmente não combina de jeito nenhum são os modelos 3D que vira e mexe aparecem no meio. Algumas não tem muito motivo pra existir (como um bichinho peludo sem nome) ou a própria estrela quando cai. Mas pode-se passar por experimentação, afinal o desenho do Homem Aranha de 94 já usava isso.

Não, sério! Porque o
porta-retratos é feito em 3D??

O tom do filme é beeeem pra crianças, o tipo de coisa que tu veria no canal Gloob, por exemplo. Ele tenta pegar uma faixa etária dos 5 a 8 anos, mas o modo que os personagens falam e a forma que eles mandam a mensagem ambiental parece ter saído de um desenho do Discovery Kids. Não é tão forçado, mas é algo que poderia ter dado um polimento melhor.


Mas o que destronxa o filme mesmo são os diálogos e a edição. Oh, que dor!


O tamanho dessa joainha
me deixa confuso.

Os diálogos são o mais clichê possível, fruto de uma possível inexperiência em ler o roteiro e pensar "hm, eu acho que dá pra reescrever isso aqui". Piadas fracas, personagens mal desenvolvido cuja impressão final é de um token, e simplesmente uma falta de tentativa de fazer algo que nos faça se importar com o que acontece.


O Maledeto vai cortar as árvores pra mandar cupins fazer estátuas dele? Wathever. Feliz perdeu a viola? Ok. Feliz e Bituquinha vão ser esmagados por espinhos vivos? Como raios isso funciona, aliás?


Os cortes de uma cena pra outra geralmente acontecem sem timming nenhum. Normalmente quando há a passagem de cena mudando o ambiente, tem-se um pouco de tempo para nos situarmos (a menos que a sensação de claustrofobia seja intencional). Fora os personagens falando um atrás do outro, e com efeitos sonoros, e as vozes agudas demais ou caricatas demais sem precisão. Às vezes eu me sentia assistindo The Magic Voyage ou Felix the Cat: The Movie. Graças a Deus isso não era frequente, mas ainda assim dava um certo desconforto.


É isso aí, majestade,
Vai na minha!

Mas há uma cena específica, quando Maledeto consegue a estrela. Literalmente DO NADA, os capangas dele começam a cantar um rap ostentação, com direito a metade do orçamento indo pra modelagem de uma mansão em 3D, e assim como veio, se foi. Sem nenhuma explicação. Um exemplo legítimo de um Big Lipped Aligator Moment.
...ou calango, eu sei lá o que o Maledeto é. Se sinta satisfeito porque eu lembrei o nome dele, oras.

As músicas (que deviam teoricamente ser o ponto forte do filme) acabam caindo no mesmo ponto dos diálogos: são fracos, sem inspiração, e parecem músicas cantadas na escola na primeira série, só que piores.

No entanto, eu vou dizer isso. O rap dos capangas é tão grudento, que após quase uma década que eu assisti esse filme, essa era uma das únicas coisas que eu conseguia lembrar bem.



Eu realmente entendo que naquela época ainda se pensava muito mais em animação como algo literalmente infantil, mas esse é um daqueles filmes que provavelmente nem crianças próximas da faixa etária se interessariam. Tem uma ou oura coisa interessante em termos de arte, os cenários são bem-feitos, o conceito geral não é ruim. Mas é tudo atropelado por uma confusão de estilos, derails, e simplesmente uma falta de sensação de divertimento.


Eu gosto de coisas genuinamente pra crianças. Turma da Mônica teve seus dias estranhos e ruins, mas os desenhos recentes são muito bons e com roteiros criativos. Doraemon também é um ótimo exemplo de como fazer algo pra crianças do modo certo.


Um tucano mágico que pode mudar de forma.
Eu nem

Eu não consigo culpar tanto esse filme pelas falhas, ele tem boas intenções, o cara aparentemente fez pros filhos dele (algo meio na linha de Pequenos Espiões 3D), e o filme ganhou uma sequência em 2009, em parceria com a Fox (que sim, está na lista).

Eu pessoalmente recomendaria apenas pra propósitos de estudo, assim como Cassiopeia. É uma parte da história da animação no Brasil, afinal.







The Innocent




Avi Arad é um israelense naturalizado estadunidense que durante muito tempo, foi presidente da Marvel Studios e tirou a empresa de situações críticas com licenciamento de personagens.

Um de seus projetos pessoais era fazer uma HQ nos estilos orientais. Com a ajuda de Junichi Fujisaku (Blood +, Ghost in the Shell, Moshidora) e Yasung Ko (Lost Seven, Stigmata), seu projeto pôde ser finalizado e o resultado é The Innocent, que foi lançado pela JBC no Brasil.





A história começa com Ash J. Wright, que é setenciado com a pena de morte injustamente, e o Comitê Angelical decide que ele poderá viver de novo, se ajudar outras pessoas na mesma situação. Para isso, designa Angel, um anjo que a primeira vista parece uma cópia da Rukia (e em parte é...), mas o modo com que Angel lida com Ash é totalmente diferente de Rukia com Ichigo.

À medida que a história se segue, descobrimos mais sobre os motivos que levaram Ash à cadeira elétrica, assim como a personalidade do mesmo, que é um anti-herói que tá pouco se lixando pras leis do Comitê e quer resolver seus problemas do próprio jeito.

Falemos primeiro da impressão. Não é comum ver one-shots à venda no Brasil, então a JBC quis chamar atenção pra este, colocando inclusive páginas coloridas. São apenas duas, referentes a uma arte e a aprentação dos autores. O papel não é quase transparente (como One Piece-Panini) e a gráfica não deixa nada a desejar.


A arte de Yasung Ko é tipicamente... Coreana. O design de Ash parece uma releitura de Raito (Death Note) com um cabelo levemente diferente. Não que seja um problema, o visual dele condiz com a personalidade de um cara sério. Os outros personagens estão mais caracterizados no estilo oriental, com olhos grandes. Fora o vilão, que tem um design mais realista, e Wal, que é o antagonista de Ash.

Mas eu não posso deixar essa chance escapar. O Ash da capa tá parecendo um personagem do Nas Garras da Patrulha, com ombros grandes e beiços grossos.

O grande destaque da arte provavelmente é também um problema em alguns casos. Ela é bastante detalhada e bela, sim, mas em alguns momentos é exagerada demais. Na tentativa de mostrar coisas demais acontecendo com poucos elementos, acaba-se causando uma certa confusão visual. Mas no geral, a arte é condizente com a proposta da história.

Detalhe pra balonagem, onde Angel tem um tipo de balão diferente dos outros personagens, o que ajuda quando Ash e Angel estão falando e não aparecem.

O desenvolvimento da história é... Corrido. Não que haja muita coisa acontecendo, mas os fatos nos são mostrados um atrás do outro, mostrando que poderia ser melhor executado em dois ou três volumes.



Outro problema da narrativa derivado deste primeiro é a péssima inclusão de certos elementos, como outro anjo chamado Holly White que aparece apenas pra explicar algo sobre a falta de asas de Angel, mas o assunto não é bem apresentado, nem mesmo pelo próprio Angel. Muito menos o citado Pacto de Sangue que Ash faz e nem os poderes overpower dele são bem explicado. É algo como "Caraca, o Ash pode fazer o Pacto de Sangue igual outra pessoa que também era overpower igual protagonista de Shonen", sem explicar exatamente quem é essa outra pessoa ou o que é o Pacto de Sangue. O que podemos deduzir é apenas que essa pessoa está ligada de alguma forma à perda das asas de Angel, mas não é um elemento bem trabalhado, o que é uma oportunidade desperdiçada.



Outro personagem mal-explorado é o guarda-costas do vilão, Wal. Ele serve de antagonista para Ash, em todos os sentidos: as roupas, o contraste entre o preto e branco, os cabelos e a personalidade.
...infelizmente também contrastam seus desenvolvimentos.

Vejam bem, sabemos pouco de Ash, mas principalmente porque ele é um cara fechado e frio, mas que no decorrer na história vamos conhecendo melhor a personalidade dele e seu passado.

Wal é um zé qualquer muito doidão cujo propósito de vida é matar um homem com nome de mulher.
E... É basicamente isso. Não sabemos porque ele pode ver Ash, qual a relação dele com Ash, nem ao menos sabemos se ele tem uma personalidade fora "assassino louco de pedra".
O que é chato é que ele parece ser um personagem muito bacana. Digo, um cara com problemas psicológicos e tendência pra matar, fora que ele aparece no verso do livro numa pose badass e que  condiz com a personalidade de assassino psicopata. No entanto, não tem muita função fora nos dar lutas maneiras e suas motivações são praticamente nulas.



Já que eu falei nos nomes, há algo que quero comentar. Sim, o nome "Ash" vem de "Ashley" e ambos servem tanto pra homem quanto pra mulher, mas aqui há analogias bem diretas, como o fato de Ash ser feito de cinzas ("ashes", em inglês) e poder manipulá-las; o vilão se chamar Flame Burns ("chama" e "queima") e a advogada Rain ("chuva"). Ao lerem, espero que entendam, não quero dar spoiler. E a propósito, o nome de Angel poderia ser mais criativo.

Há erros mínimos de roteiro, que mais uma vez mostram que a história poderia ter sido melhor desenvolvida com um ou dois volumes a mais, como a irmã do cara que Ash tem que ajudar que chega na advogada e mostra que sabe sobre Ash, mesmo sem antes nos mostrar como ela sabia. O que não é um problema, mas se torna um furo quando depois, não se explica como ela sabia. Ela podia muito bem ter pesquisado sobre a advogada e a relação dela com Ash antes e nos mostrar essa cena depois dela mostrar que sabia sobre Ash.

E finalmente, há uma discussão bem interessante sobre justiça e punição. Quem me conhece sabe que eu adoro esse tema e acho interessante colocá-lo em pauta.

Somando os prós e os contras, vale a pena?

Se você está procurando algo pra ler, quer sair da pancadaria normal, e ao mesmo tempo não quer gastar muito, eu recomendaria The Innocent. Mesmo com os erros de roteiro apontados, continua sendo uma história divertida e com elementos bem construídos, e que vão te dar alguns momentos de distração.

Castelo Rá-Tim-Bum - O Filme



Ah, Castelo Rá-Tim-Bum! Belas lembranças de quando eu era um pirralho inocente e que estudava de manhã, e como perdia os desenhos de manhã e de sábado (porque eu nunca acordava no horário certo, e quando acordava, passava outra coisa), e me contentava em assistir as séries com a péssima transmissão da TV Cultura pra cá. Castelo Rá-Tim-Bum, Rupert, Pequeno Urso, Viva Pitágoras, Bill e Bem, Turma do Pererê, e tantos outros programas feitos pra crianças abaixo de 7 anos que ensinavam alguma coisa e que era o que eu tinha e aproveitava isso. Provavelmente uma das série que eu mais gostava era Castelo Rá-Tim-Bum, junto com Rá-Tim-Bum e Rupert.

Quando era pequeno, eu não gostava e não conseguia assistir o filme do Castelo. Finalmente, após tantos anos, resolvi dar uma olhada.
Acompanhe-me nessa visita e se você não souber acertar A SE-NHA, não direi as palavras mágicas e você não poderá entrar NO CAS-TE-LO! PRIIIII!



Antes, um pouco de história. “Castelo Rá-Tim-Bum” foi uma série idealizada por Cao Hamburger. Antes de “Castelo”, Cao dirigiu dois curtas de animação, apenas. Depois da já citada série pra crianças, foi que a carreira de Cao começou a subir, e ele trabalhou no “Disney Club”, “Cidade dos Homens”, e escreveu e dirigiu “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” e “Xingu”. Provavelmente “Castelo Rá-Tim-Bum” é a sua obra mais conhecida e amada, e talvez por isso tenha ganhado um filme em 1999, com argumento e roteiro final do idealizador da série, Cao Hamburger


O filme começa com Nino nos dizendo que a história que vai nos contar pode parecer estranha, mas é a mais pura verdade. Por um momento achei que ele iria contar a história da Segunda Guerra Mundial como o meu professor de História, mas depois ele volta aos trilhos.

A propósito, George, se estiver lendo isso (e sei que não estará, porque você trabalha demais), abraço aí, jóvi!

A história começa quando três crianças que perdem uma pipa dentro da área do Castelo, e entram pra pegá-la, quando são surpreendidos pelos moradores do local, Victor, Morgana e Nino, todos feiticeiros da família Stradivarius.

Logo depois, Victor explica ao seu sobrinho/aprendiz Nino sobre o alinhamento dos planetas. A cada 400 anos, os planetas se alinham, e os livros de magias deles recebem mais energia do cosmo. [inserir piada com Padrinhos Mágicos] Dr. Victor deposita muita esperança no Livro de Nino, porém o garoto enrola o tio para que a fiscalização do livro seja adiada, que é respondido com o clássico “Raios e Trovões!” do Dr. Victor.


...a propósito... Sabemos que Victor trabalha em algo, e é chamado de Doutor, até mesmo na série. Mas até onde me lembre, na série, nunca foi explicado qual exatamente é o trabalho dele... Aqui, ao que parece, ele é um professor de Universidade ou algo do gênero.

Enfim, após arruinar os sonhos de Dr. “Josso Ares Mago” Victor, Morgana tenta animar o garoto, ensaiando a Dança do Alinhamento, ou algo assim. Mas só faz o garoto se lembrar do seu Livro e que precisa trabalhar no mesmo.

Então somos apresentados ao Pompeu Pompílio Pomposo (ou Abobrinha) e seu fiel escudeiro, Rato. Desde que era pequenino, Abobrinha tem um sonho mau: derrubar o Castelo e fazer um prédio no lugar. (Quem entendeu a referência me abraça.) No entanto, seus esforços sempre são em vão. Mas ele faz uma aliança com Losângela, uma vidente que pode facilitar seu desejo.

Acontece que Losângela era da Família Stradivarius, mas foi banida da família e perdeu todos os poderes que possuía. O plano dela é simples: tornar Abobrinha o Prefeito e assim, ele pode expulsar os donos do Castelo e tomar a propriedade.

Claro, porque na cidade não existe outro terreno melhor pra construir esse prédio.

Abobrinha consegue adentrar-se no Castelo devido a um descuido de Nino, e agora que a confusão está armada, esse garoto terá que juntar seus amigos e viver altas aventuras pra sair dessa encrenca!
A narrativa do filme é bem orquestrada, mostrando os acontecimentos em um ritmo agradável. A história também é muito interessante, com detalhes como disputas na família, Conselho Universal de Bruxos, e até mesmo politicagens, mesmo que sutis.


O cenário é extremamente diferente da série. O Castelo é mais sombrio, mais gótico, com uma arquitetura mais complexa, e arrisco dizer que até mais psicodélico em certos aspectos. Essa mudança foi necessária pra combinar com a história ao estilo de narrativa do filme. Aliás, até a trilha sonora ajuda a criar esse clima de magia e mistério, com uma releitura da abertura clássica da série.

A trilha sonora em geral é competente, dando o tom certo no momento certo. Mas em determinados momentos ela parece ser genérica demais, e fica muito parecida com tantos outros filmes, perdendo um pouco de identidade própria. Felizmente são pouquíssimas as vezes que isso acontece, e não atrapalha o filme de forma alguma, e é compensada com uma belíssima trilha cantada.
Um dos aspectos positivos do filme é que eles mantiveram alguns atores originais da série, como Rosi Campos (Morgana), Sérgio Mamberti (Dr. Victor) e Pascoal da Conceição (Abobrinha/Pompeu Pompílio Pomposo).


Alguns personagens foram cortados, como Etevaldo, Caipora, Celeste, Tíbio e Perônio, dentre outros. Claro, porque nem todos seriam bem encaixados na trama do filme, podendo apenas criar elementos desnecessários e desprezíveis, mas alguns apenas foram adaptados, como o Relógio, o Porteiro e a Penélope, e as crianças Biba, Pedro e Zequinha, ou simplesmente foram levemente referenciados. Deixo vocês procurarem essas referências.
Foram criados personagens 100% exclusivos pro filme, como Losângela e Rato. No entanto, eles são essenciais pra que o filme tenha uma identidade própria e que o mesmo possa correr normalmente. Porém, um dos furos do roteiro é que depois, Rato desaparece sem mais nem menos, e esse fato não é explicado em momento algum.


As atuações são muito bem executadas, em especial de Marieta Severo como Losângela, que entra na personagem e parece se divertir ao máximo enquanto atua. Também destaco Matheus Nachtergaele como Rato. Ele e Abobrinha são tão exagerados que chegam a ser engraçados, e Rato chega a ser ainda mais engraçado que o PPP, mas sem roubar a cena do mesmo, ficando apenas complementando o vilão. Ele, aliás, tem algumas das cenas mais engraçadas lá pela metade do filme. Também adorei a atuação do garoto Diegho Kozievitch como Nino. A própria personalidade original do personagem foi totalmente modificada para algo mais sério, mais solitário, e até mesmo tímido, coisa que Diegho fez e não tornou Nino um total anti-social chato.

A propósito, Diegho fez Disney Cruj em certo tempo, como o personagem Sputnik. Sim, o carinha que chega misteriosamente num balão. Se você se lembra, provavelmente está velho. Bem vindo ao clube.


E também, eu adoro a Losângela como vilã. Ela é aquele tipo de vilão extremamente arrogante que faz toda a pose de poder e “AAHAHAHHA VOCÊ ESTÁ NA PALMA DA MINHA MÃO, SEU VERME!” mas mal sabe lutar, ou no caso usar os poderes, e pra isso rouba os feitiços dos outros. Isso acaba marcando o Nino, o que poderia ser do futuro dele.

Os efeitos visuais não são exatamente muito complexos, alguns deles são bem simples e a computação gráfica é pouco usada. Mas as CGs apresentadas, não são feias.

Da esquerda pra direita: Cacau, João e Ronaldo.
As crianças que "substituiram" Biba, Zequinha e Pedro.

Outro furo no roteiro, lá pela metade, onde Nino dorme na casa de João, e no outro dia João o apresenta à família. MAS QUE RAIO DE FAMÍLIA PERMITE ISSO, MEU DEUS? Deixa o guri dormir em casa... Aliás, O CARA NEM AVISOU! ERA PRA ELE LEVAR UMA MÃOZADA NO MEIO DA CARA! E no outro dia ainda DEIXAM O NINO SOZINHO NA CASA! CLARO, PORQUE UMA CRIANÇA NÃO TERIA CAPACIDADE DE ROUBAR ALGO DE LÁ, NÉ? BANDO DE ABESTADOS!

Há também outro lá pelo final, e que poderia ter sido facilmente consertado, mas provavelmente é um spoiler.


O que posso concluir desse filme? Bom... É um bom filme. Uma boa releitura de uma série clássica pra crianças. Tem lá os seus defeitos, mas também tem vários pontos positivos que os compensam. Cao Hamburger conseguiu pegar os elementos necessários pra contar a história que queria de uma série educativa, que não deixava de ser divertida. Mas ainda tem algo no ar, pra mim. Digo, parece muito a história de Shoutarou Ishinomori com seu “Skull Man”, depois tornado em “Kamen Rider” pra ser mais vendável. Quando assisti o filme, pareceu que a idéia original de Cao para “Castelo Rá-Tim-Bum” era essa do filme, cheia de mistérios, Conselho de Feiticeiros, disputas na família, politicagem, e um toque de cultura gótica. Mas se tornou em algo alegre e educativo. OU eu posso simplesmente estar “esticando demais a baladeira”, e Cao simplesmente quis contar a história do Castelo por outro ângulo, como em um universo paralelo ou algo assim. Como até agora não ouvi nada de Cao sobre esse tópico, esse fica sendo meu headcanon pra esse assunto.

Quando pirralho, não gostava muito desse filme, porque não lembrava em nada a série, e eu amava, e ainda amo a série. Mas agora que cresci, vejo que é uma releitura bastante inteligente, e que deve ser apreciada como tal. Mesmo com uma roupagem meio gótica/dark e talvez até adulta, tenho certeza de que crianças vão gostar. Assim como adolescentes ou adultos com uma alma de criança, assim como eu.

Agora, com licença, eu tenho um Castelo para derrubar.

One Piece Vol.1

One Piece é uma série de mangá e anime que tem um sucesso monstro no mundo todo. Criado por Eiichiro Oda, a história conta sobre um guri de uma vila que quer se tornar o Rei dos Piratas encontrando o One Piece, maior tesouro do mundo, deixado por Gol D. Roger.

O mangá já estava/está sendo publicado aqui no Brasil pela Conrad, e agora passou pra Panini. Então, a Panini resolveu relançar os volumes 1 e 2! HURRAY!






Eu juntei dinheiro que ganhei matando porings, trolls, orcs e noobs no PVP, então consegui comprar o primeiro volume.

...é uma longa história.




Primeiro vou falar da história.

A história básica todo mundo já sabe. Existiu um pirata chamado Gol D. Roger que conseguiu tudo que queria: dinheiro, fama, dinheiro, poder, dinheiro, automóveis, dinheiro, iates, dinheiro, mulheres... Peraí, acho que essa é outra história.
Enfim, o tio Roger conseguiu ficar podre de rico, e na plataforma de execução, ele disse que todo o dinheiro que ele acumulou deixou num lugar escondido e deixou pra quem quisesse procurar. Daí o mundo entrou na Grande Era dos Piratas, e todos os piratas do mundo foram atrás do One Piece.

Se tivesse mandado essa mensagem pro espaço, os Gokaiger já estariam gastando esse dinheiro.

Enfim, daí somos mandados pra uma ilha onde conhecemos o jovem Luffy, que admira um pirata chamado Shanks. Luffy quer porque quer entrar no bando, mas acaba descobrindo que a vida no mar é muito dura, quando Shanks o salva de um monstro marinho e perde um braço no processo.

Ah, sim. O Luffy também come uma fruta chamada "Fruta-do-Diabo" (Akuma no Mi), que dá poderes pra quem a come. Luffy comeu uma do tipo "Gomu-Gomu no Mi", que o permitiu se esticar, porém, a preço de não poder mais nadar.

Daí, depois que cresce, Luffy vai juntar uma galerinha do barulho pra viver altas confusões procurando o One Piece.

Não vou contar o resto da história no volume, porque algumas pessoas ainda não leram. Eu resumi um resumo resumido do primeiro capítulo, então não me venham reclamar.

Amostra de página

O traço do Oda é muito bom, algumas vezes tende a ficar meio exagerado demais (como na primeira vez que o Luffy pirralho aparece), mas normalmente o exagerado dele é mais normal. E mesmo assim ele não faz só o estilo cartunesco, mas também belas mulheres, homens fortes, crianças pequenas e bonitinhas, momentos de puro badass e por aí vai.

Enfim, a qualidade do papel é boa, resistente, e a capa parece plastificada. Enfim, normal.

O que eu gostei é que mantiveram a ordem original no volume. Digo, pela Conrad, eles vinham pela metade. Vol 1 japonês era o vol.1 e 2 brasileiro, se não me engano. Aqui não, está o volume japonês completo.
Ah, sim, a palavra do autor a cada intervalo de capítulo também está lá, e uma palavrinha do autor antes de começar o volume, inclusive com uma foto dele usando uma máscara de alien.
...não vou discutir, eu tenho uma máscara do Ultraman e sou aspirante a desenhista. Deve ser algum mal da profissão.
"Eu só quero que... Busquem conhecimento.
E comprem os produtos de One Piece."

O que não gostei, foi que algumas páginas vieram meio manchadas, como as contra-capas e uma página dentro. Isso diminui o trabalho? De forma alguma, eu estou resenhando baseado no produto que comprei, não tenho certeza se outros também vieram do mesmo jeito. Não posso criticar essa parte muito bem, mas é um ponto a se considerar.
Também não gostei de não ter páginas coloridas. Digo, elas estão lá, mas em preto-e-branco. É um erro comum aqui no Brasil, mas espero que isso possa mudar em títulos futuros.

Um pouco de manchado, mas nada que atrapalhe.

Enfim, a compra vale a pena?
Eu diria que você deveria desligar seu computador, ir pra alguma banca e comprar.
Se não tiver dinheiro, faça como eu, mate monstros e noobs no PVP, que dá mais dinheiro que estudo.
...Sério, vale a pena.