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[Mês do Dr. Seuss] Private Snafu


Dando prosseguimento ao Mês do Dr. Seuss, trago aqui algo muito interessante. Talvez não muito especial por si só, mas é interessante. Digo, nem envolve tanto o Dr., mas ainda é uma parte interessantíssima da Segunda Guerra.


Cês lembram que na época da Segunda Guerra os estúdios foram intimados a fazerem curtas de guerra certo? A maioria deles servia pra levantar a moral da população, além de informar sobre algumas coisas sobre a guerra em si(como o Victory Trough Air Power de Disney ).

Entretanto, o tema de hoje não deveria ser visto por civis. Era uma série de curtas feitas exclusivamente pros soldados, o que torna tudo mais interessante.


E claro, Dr. Seuss tava envolvido no meio da produção de Private SNAFU.


Pra início de conversa, SNAFU é uma sigla irônica pra "Situation Normal, All Fouled Up". Claro que "Fouled" é originalmente outra palavrinha com F que você deve conhecer, mas a partir daí dá pra se ter uma noção do público-alvo e o que eles pretendiam fazer com a série.


Os curtas mostravam as aventuras de Snafu, o pior soldado do exército. Ele foi conceituado pra ser o perfeito exemplo do que não fazer, o que funciona muito bem pra curtas instrucionais. Snafu ignora regras de combate, proteção pessoal, etc. Por exemplo, ele não passa repelente nem usa rede de proteção, ficando propenso a pegar malária; em outro momento ele espalha segredos de guerra a episões, etc.

Em alguns momentos aparece o Fada Técnica, que é basicamente um protótipo do Jorgen Von Estranho. Vez ou outra Snafu reclama do serviço e o Fada vai lá e realiza o desejo dele de tentar outro trabalho, pra que o soldado com a voz do Pernalonga veja como os outros trabalhos também são difíceis. Ou então só transformar Snafu no super-herói Snafuman, achando que assim venceria a guerra mais fácil.

Isso até Snafu cometer algumas falhas mínimas, como jogar uma bomba na Casa Branca por acidente.


Mas além de ensinar o que não se deve fazer na guerra, os curtas também tocavam no patriotismo e senso de dever dos soldados. Em The Home Front, Snafu reclama como os soldados passam por situações precárias e difíceis na linha de batalha, enquanto seus parentes estão matando o tempo em segurança. O Fada aparece e mostra que eles estão sendo apoiados pelos seus parentes, onde eles trabalham construindo tanques e navios; e dão suporte plantando alimentos.

E basicamente os curtas são isso. Animações de em média 4 minutos ensinando como se deve se camuflar, limpar armas, se proteger de doenças, e os resultados desastrosos de não tomar essas precauções.


Os curtas ainda aproveitam pra tirar sarro dos inimigos, mostrando-os em designs e situações humilhantes, ou até mesmo empoderados, dependendo da situação. Em Spies, vemos que há espiões por todos os lados e são uma força a ser reconhecida, por exemplo. Outros como No Buddy Atoll e Operation Snafu são mais pra zoar mesmo, focando nos esteriótipos e mostrando-os como palermas incompetentes. Talvez mostrando pros soldados como eles eram ridículos e fáceis de serem derrotados, sei lá.

Eu não sou especialista em Segunda Guerra e são 3h da manhã de uma quinta-feira, o que vocês querem de mim?


Sendo animações exclusivas pro exército, o estúdio não precisava ser tão puritano. São soldados, oras, bota umas mulher bonita e umas piada que envolvam peitos que eles vão se satisfazer por um tempo, bem como ficar atentos às armadilhas envolvendo hormônios que os inimigos poderiam criar pra eles.

Sim... "Booby Traps".
Originalmente, o estúdio Disney que iria produzir os curtas, até que Leon SHILESHINGER ofereceu um terço do que a Casa do Rato propunha, e levou o trabalhor pra Warner Bros. O personagem foi idealizado por Frank Capra (sim, aquele Frank Capra), e foi dirigido por mestres como Chuck Jones, Friz Freleng, Frank Tashlin e Bob Camplett. Não botei o que eles fizeram porque são listas imensas e nada do que eu disser vai fazer jus a eles, então pesquisem vocês mesmos.

Basta saber que eles trabalharam muito com Looney Tunes, alguns curtas de Dr. Seuss, Pantera Cor-De-Rosa, e Preta de Carvão e os Sete Anões.

Como assim? Como vocês não conhecem Preta de Carvão?
...ok, me lembrem de fazer um artigo sobre o Censored Eleven.

Um exemplo onde vemos o amálgama
do cartunesco com o instrucional.
Os desenhos precisavam ser divertidos e didáticos.
Enfim, a contribuição de Seuss pode ser vista em alguns curtas, especialmente os que tem algum tipo de rima. Como os roteiros não são assinados, é difícil saber com exatidão os que ele trabalhou, mas qualquer um familiarizado com seus versos consegue apontar onde Teddy botou seu dedo Springfieldiano.

Springfieldense...? Sei lá.


Então, Snafu tem algum valor pra hoje? Sim e não.


Como os curtas da época, eles ficam antiquados rápido. Tu logo nota as marcas do tempo e as piadas que, embora extremamente bem ritmadas, não são mais tão engraçadas.
Por outro lado, ele tem muita marca do tempo, o que o torna especialmente interessante.
As caricaturas obviamente esteriotipadas, a comédia, os simbolismos, tudo é um estudo interessantíssimo de um ponto de vista totalmente diferente.

Uma coisa é tu pegar, sei lá, Education for Death, que era pra audiência comum, outra é tu pegar animação instrucional especificamente pra soldados. São visões, necessidades, e propósitos diferentes.


E é engraçado como Snafu, mesmo sendo extremamente obscuro, ainda apareceu em um episódio de Animaniacs, e um trecho de um episódio na abertura do episódio I Dated a Robot de Futurama.

Talvez porque todos os curtas estejam em domínio público e podem ser assistidos da página da Wikipedia, né.


E quer uma prova melhor ainda de como Snafu é um excelente estudo de época?

De todos os episódios, apenas 2 tiveram problemas com exibição. Secrets of Caribbean foi terminado, mas provavelmente pelo fim da Guerra, nunca foi exibido (logo depois fizeram um curta sobre um dos irmãos de Snafu, que era marinheiro, mas o projeto não foi pra frente) e o rolo original foi dado ao Exército. E desde então nem um frame apareceu.


Entretanto, um episódio que depois foi solto ao público não chegou a ser exibido na época. Seguindo a lição de Spies e Censored, o episódio Going Home não foi exibido na época, e há várias possíveis razões pra isso.


O curta mostra Snafu voltando pra casa e contando pra todo mundo segredos do front, até que ouve no rádio a informação de que sua legião foi bombardeada, ele deseja que um trem passe por cima do imbecil que vazou as informações, e um trem atravessa a sala, atropelando o soldado.

Um dos motivos mais prováveis é a representação do chamado "home front" (os cidadão que davam apoio aos soldados, como já mencionado). Em Spies, Snafu soltava as informações secretas e espiões captavam; aqui, é subtendido que os cidadãos passaram essa mensagem meio que inconscientemente ao inimigo.


Outro motivo é a idéia de ter uma unidade militar bombardeada, que com certeza iria ferir a moral do Exército, bem como talvez desmotivar os soldados.

Mas o motivo que eu acredito ser mais forte é por mostrar um projeto de bomba muito parecida com a da bomba atômica.



Ou seja, os caras meio que sem querer fizeram algo que poderia ter colocado o resultado da Segunda Guerra em risco.

É! Pois é!


Se a informação da bomba atômica vazou pra algum dos roteiristas, eu não faço idéia e talvez ninguém saiba. O fato é, Private Snafu pode não ter resistido ao teste do tempo, mas com certeza é um fascinante estudo de um pedaço de época. Se for curioso, vale muito a pena dar uma olhada.

Ou se tiver fazendo um trabalho pro colégio, eu aposto como a chance de algum de seus colegas pensarem nesse tema é mínima.

[Mês do Dr. Seuss] The Grinch Grinches the Cat in the Hat


Tivemos vários crossovers recentemente, né? Com a escassez de criatividade e a facilidade pra fazer filmes, uma jogada fácil dos estúdios é juntar personagens amados na tela grande e nadar nos rios de dinheiro que isso vai gerar. Você pode fazer isso do jeito certo, como a Marvel, ou pode fazer Batman vs Superman.

Mas eu aposto que o crossover de hoje nunca foi tão bem debatido. Mario versus Sonic? Mickey versus Pernalonga? Superman versus Goku? Todo mund já debateu sobre eles um dia


E que tal o Grinch versus The Cat in the Hat?




A propósito, o Superman vence. Não tem como contra-argumentar.



O especial começa com uma bela manhã de sol, onde o Grinch acorda feliz e saltitante, tal qual um moleque que acorda às 7h da manhã pra assistir TV Globinho, antes de descobrir que a vida é cruel, sombria, devastadora, onde Michael Bay ainda tem crédito pra fazer algum filme.

Até que o reflexo do Grinch aparece e diz "ow tu tá alegre demais, bora aqui recitar o juramento dos Grinch", e após isso, ele sai disposto a infernizar a vida de alguém.


E por algum acaso este alguém era The Cat in the Hat, que fazia um piquenique de boas, sozinho em uma colina.


Como nesse universo não existem estradas com mão dupla, o carro do Grinch bate no do Gato. O felino, tentando ser um camarada, diz que vai tirar, mas comete o erro fatal de chamar o Grinch de cara verde.

Como resposta ao gato racista, o Grinch o persegue e começa a atazanar a vida do pobre animal (que não é o Quico), literalmente trollando ele com uma máquina que muda sons e outra que muda cores.


E... É basicamente isso. É mais uma desculpa pra ver dois personagens que são muito diferentes, mas ao mesmo tempo bastante semelhantes.

NAITOFAYA!
Ambos querem o caos, mas o Grinch quer ver o circo pegar fogo, quer ver o mundo se adequar a suas idéias; enquanto o Gato só quer se divertir, no fundo ele não é uma má pessoa. É como se o Grinch fosse o Coringa e o Gato fosse o Deadpool.

E em teoria funciona muito bem. Ambos os personagens são interessantes o suficiente pra ao menos nos dar imagens e conceitos divertidos, e até uma moral porque, bem, Dr. Seuss.

Entretanto, a palavra-chave aqui é essa: teoria.


Dr. Seuss não é bem um cara de fazer crossover. Raios, ele sequer costuma fazer sequência dos livros. Normalmente suas histórias possuem um começo, meio e fim bem determinados, e são bastante rasas, servindo como mera desculpa pra fazer trocadilhos, rimas engraçadas, e nos dar conceitos e desenhos criativos. O que funciona muito bem pra ele, Seuss conseguia fazer isso como ninguém. Mas essa história talvez requeresse um pouco mais do que só passar uma moral. Ou ao menos, uma vez que o foco seria o combate surrealista entre os personagens, que fosse full locão e focasse só nisso. Mas provavelmente demandaria mais tempo de exibição, o que não era possível.

Mas o que temos aqui, funciona?

Sim e não.


Sim, ele é divertido. Ver o Gato e o Grinch contracenarem é surreal, a história não se sente forçada, e a forma que cada personagem lida com o outro flui muito naturalmente. O Grinch apela pro caos, pro extremo, enquanto o Gato tenta ser mais racional. Embora eu acredite que se o especial tivesse o dobro do tempo, seria uma batalha mais igual de ambos os lados, já que o Gato tem a Caixa e os Coisas 1 e 2.
E o final poderia ser exatamente o mesmo, com o Gato realizando que a forma de combater o troll é com gentileza, e eles o fazem de uma forma tocante, até.

E claro, temos uma cena de Elefantes Rosa proporcionada pelo Grinch, que é sim criativa e divertida.


Entretanto, por mais criativa e divertida que seja, por ser um especial de apenas 25 minutos, ele te deixa com aquela impressão de "já acabou? Uééé" ao final de tudo. É um evento grande, os dois maiores e mais reconhecíveis personagens do Dr. Seuss se enfrentam, e você espera grandes coisas disso.


Agora, é interessante notar como há coisas aqui que os produtores do live-action muito provavelmente se inspiraram. Por exemplo, o Grinch aqui inventa máquinas, tem uma oficina, e no filme vemos que ele mora em uma espécie de oficina e até monta o próprio trenó motorizado. E há uma rápida menção a bullies aqui, que o Grinch nega ter sido a origem de sua malvadeza. Mas ele poderia estar mentindo também né. Continua sendo um toque.


É um conceito interessante, mas foi mal desenvolvido. Talvez nem por culpa do Seuss, mas por restrições orçamentárias mesmo. Pouca duração, a animação é claramente low-budget, mas os caras merecem reconhecimento por serem tão fiéis ao estilo do Dr., é como se as ilustrações do livro tivessem sido animadas sem nenhum ruído, é impressionante.


Assista se tiver curioso, mas a menos que você seja um fã hard do Dr., se não ver, não perdeu muita coisa.

[Mês do Dr. Seuss] O Lorax (2012)


Olá, meus queridos leitores chocolatantes e entupidos de empanado de frango. Sim, todos os 2. No ano passado, como bem recordam, eu iniciei o Mês do Dr. Seuss, tradição que pretendo manter até não ter mais o que falar do nosso amigo rimador.

E esse ano irei abrir com um filme curioso, o qual nem necessitou meu estudo em Dr. Seuss pra perceber que esse filme é uma bela porcaria.
Sim, antes mesmo de eu começar a ler os livros, estudar a vida do cara, eu já percebi que era um filme ruim, em vários sentidos.


Então, vamos dar uma olhada em O Lorax, de 2012.




Após os eventos de O Dia em que a Terra Quase Se Matou (também conhecido como a estréia de The Cat in the Hat de 2003), a viúva de Dr. Seuss proibiu que fizessem outro live-action baseado nas obras de seu marido. E depois do sucesso de Horton e O Mundo dos Quem (o qual eu ainda não vi), ela resolveu tentar mais uma vez, se aproximando da Illumination Entertainment, cujos únicos filmes eram Meu Malvado Favorito e Hop. Mas o chefão da Illumination é ex-presidente da 20th Century Fox, tendo inclusive supervisionado Horton e O Mundo dos Quem. Então parecia ser o movimento correto da Sra. Seuss.

E nesse momento nós percebemos
que não foi. Mas a Sra. Seuss
gostou do filme, né.

O Lorax de 2012 é ligeiramente baseado no especial de TV de 1972, que por sua vez é baseado no livro de mesmo nome lançado em "eu não tou com saco de ir atrás da data de publicação do livro".


Na história original, um moleque vai atrás de um ser vivente chamado Onceler, pra saber o que aconteceu com as árvores de Trúfula, e ele conta pra ele como ele as usou pra criar uma roupa revolucionária chamada de Thneed.
Ela servia pra tudo, desde camisa, chapéu, rede, e o que você quisesse. Mas ele é visitado por um ser laranja com a voz do Phil de Hércules chamado Lorax, que é tipo o Curupira, só que mais fofinho. O baixinho alaranjado o avisa pra parar de cortar as árvores, e o Once-ler até que tenta ouvir o cara, a té que seu invento vira um sucesso e ele chama sua família pra tocar o negócio.

Isso só foi engraçado em Robôs porque
a mulher de fato ela era feia à beça.
E dublada por um homem.

Mais rápido que você pode gritar "Camisa Volta ao Mundo", o Once-ler começa a fabricar em massa o Thneed, e a cidade muda de nome em homenagem a ele e sua invenção, celebrando sua geniosidade nos negócios. Mas elese esquece de regras básicas de empreendedorismo e acaba com todas as árvores, logo Once-ler  e não pode mais fazer nenhum Thneed.

É isso que dá não fazer Senai.


E então ele deixa a última semente de Trúfula com o moleque, para que ele decida o que fazer a seguir.


Embora o especial de 72 seja levemente datado, ele ainda se sustenta muito bem, com uma mensagem passada de uma forma eficaz e fiel ao livro.
Os produtores se perguntaram "Hm, como podemos estragar mais esse clássico?", e assim se fez O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida.



Que, aliás, se parar pra pensar, é um título imbecil. Digo, o público BR não conhece Dr. Seuss (como Dr. Seuss, isso é. Se perguntar sobre o Grinch todo mundo vai saber; se perguntar sobre The Cat in the Hat ou vai lembrar do desenho que passava no Discovery Kids ou vão passar dois minutos em transe, tendo flashbacks de guerra), então faz sentido botar um subtítulo. Entretanto, NINGUÉM SABE O QUE RAIOS É UMA TRÚFULA. É um chocolate? É um jogo de cartas? Truffula é uma planta inventada com um nome que realçava a qualidade lírica do poema do livro. O subtítulo não faz sentido!


Mas voltemos ao filme.

O filme se passa numa cidade onde absolutamente tudo é industrializado, até as árvores e o ar. Somos apresentados a Ted (Zac Efron), que é um moleque desastrado e sem jeito tentando conquistar Audrey (Taylor Swift). Ela é uma garota sonhadora, meiga, ruiva, e cujo sonho é ver uma árvore de verdade. Então Ted , munido de toda sua idiotice juvenil e sem saber que seu único futuro seria servir de inspiração pra uma futura música de Audrey, vai atrás do único cara que sabe onde arranjar uma árvore: o Once-ler.

E não, não o chamarei de Umavezildo. É um nome grande demais. Mas boa adaptação, soou mais natural que Gatola na Cartola.


Mas há uma pessoa que não quer que as árvores voltem: o vilão rejeitado de Capitão Planeta: O'Hare. Ele é o cara que vende ar fresco em garrafões, o que levanta muitas dúvidas, mas é um desenho baseado no Dr. Seuss. Um pouco de reality-bending não faz mal.

...essa palavra existe né?


Então o Once-ler conta a Ted sobre como ele se tornou ganancioso e destruiu tudo e... Ugh. É ruim.


Digo... Meu Deus, como é ruim.

O primeiro problema é que os protagonistas são extremamente sem graça. Ted e Audrey são o casal adolescente quintessencial de Sessão da Tarde. Ash Ketchum e a Mary Jane em Pequenos Guerreiros tem mais carisma e química que esses dois fantoches digitais. Ted é o moleque que não tem noção nenhuma da vida, mas que tenta impressionar Audrey, que é claramente mais velha que ele (em suas próprias palavras, "Ela é uma mulher, já tá no Ensino Médio. Implicando que se alguém tá no Ensino Médio é automaticamente maduro e responsável, mas eu vou deixar a oportunidade de fazer uma piada ou rant sobre isso, porque eu já divaguei demais hoje). Enquanto Audrey é a típica "girl next door", mas ao contrário de, sei lá, Betty Cooper, ela é completamente... Meh. Não há nada que a marque, nada que a caracterize, ela basicamente só tá lá porque o plot exige que Ted tenha uma motivação pra ir atrás do Once-ler.


Oh, o Once-ler...

Eu provavelmente vou ficar bem pessoal nas próximas linhas.


Se você não viu o especial de TV, o Once-ler (bem como todos os outros parentes e humanos) são retratados com a mesma roupa, de mesma cor, sem nunca mostrar o rosto. Isso funciona brilhantemente, porque a mensagem é que qualquer um pode se tornar uma pessoa horrível, se consumida pela ganância.


Embora eu reconheça perfeitamente que , em uma hora e meia de duração, essa tática não funcione muito bem (a menos que você tenha um diretor/produtor brilhante, porque não é impossível. É difícil, mas não impossível), precisava tornar o cara o mais datado possível? Esse filme foi lançado em 2012 e ele já parece risivelmente antiquado, como raios isso é possível?


Ele foi feito pra ser a quintessência do cantor pop da época, provavelmente pra ser mais próximo dos jovens. E eu totalmente consigo ver esse ponto de vista, se não fosse o fato de que isso elimina o conceito de que o Once-ler pode ser qualquer um, ou que ele deveria representar grandes corporações ao invés de um único sujeito.

E claro, criar um vilão pra receber toda a culpa.


A mensagem do Lorax é que todos nós podemos e, até certo ponto, somos culpados. Todos temos a responsabilidade de cuidar da natureza e blablabla, vamos deixar nossa escola brilhando com esta canção.  Mas toda a responsabilidade e culpa vai pro cara esteriotipadamente vilão, ao invés de mostrar que pode ser qualquer um, eu e você, te deixando em uma posição confortável.


O Lorax original apontava na sua cara e dizia seu erro, mas fazia isso de uma forma madura e racional. No curta, tanto o Lorax como o Once-ler expõem seus pontos de vista, e ambos chegam em um ponto que dizem "eu entendo o seu lado". Não é uma decisão fácil, é necessário respeitar as árvores, mas ao mesmo tempo não impedir o progresso, incluindo demissão em massa dos funcionários.

E o que o filme faz com isso? Joga pela janela e transforma numa luta de bem contra o mal sem um lado cinza, ou mesmo um diálogo.


Eu até consigo aceitar a narrativa singular do Once-ler, ele é um sujeito que começou pequeno (como Walt Disney ou o Sílvio Santos) e agora tem uma mega empresa, e é natural que o sucesso suba à cabeça. E serve de alerta praqueles que estão no topo ou almejam estar lá.

Mas a execução do personagem e da própria narrativa é abarrotada em cenas fofinhas sem motivo, e paródias que seguem a cartilha do Irmão Wayans. Isso tudo, bem como o resto da história de Ted (que também é extremamente formulaica) acaba contribuindo pra que o resultado geral seja "meh".

"Olhem só! Missão Impossível existiu!
POR FAVOR RIAM!"
Eu juro, se não fosse o post-it no meu monitor eu nem lembrava de resenhar esse filme, porque ele não deixou absolutamente nenhuma marca. Nada pra se pensar. Enquanto o especial termina com o moleque com a semente em mãos, nos deixando a reflexão, o filme termina com (mais) um musical extremamente sem graça e feliz.

A única coisa que esse filme faz direito é o design de produção, que acerta em cheio nos designs Seussianos que, ao meu ver, não é fácil de ser replicado com fidelidade. Ainda mais quando se cria cenários e personagens novos. Ele é colorido, cheio de curvas, mas ao mesmo tempo sabe quando precisa ser sombrio e seco, bem como o especial original.


Mas até o design de produção se torna cansativo, maçante, e formulaico, quando você finaliza o produto final. As músicas são sem sal, os personagens são tão interessantes quanto conversar com uma escultura de Lego, e as decisões de adaptação de história, embora necessárias e bem intencionadas, não são completamente desenvolvidas e acabam causando mais prejuízo que benefício.


É um filme com morais erradas? Não, ele só não consegue passar a mensagem dele da forma certa. Se fosse uma história completamente original, eu nem teria muito do que reclamar, seria só mais um filme pra se passar na Sessão da Tarde e manter teus pivetes calados por uma hora e meia. Mas se trata de Lorax, de Dr. Seuss. Um cara que sabia como fazer mensagens relevantes de uma forma necessária e divertida pras crianças. Ele não tratava elas como meros números num gráfico, ele as tratava como seres humanos pensantes, e que talvez precisassem desse choque que o livro e a animação causam.

Eles te deixam desconfortável, mas apenas o suficiente pra que tu reflita. Ele sequer te dá um final, isso é até estranho em se tratando de entretenimento pra crianças.


O filme em si não tem nada moralmente errado que não possa ser mostrado pra crianças, mas se quer que sua criança entenda mesmo a mensagem do filme, mostre a versão de 72. "Ah mas é chato demais, é antiquado demais, a nova é mais coloridinha e alegre" Então você é tão covarde quanto o filme.

Aliás, antiquado uma pitomba, os desenhos de Peanuts foram feitos pelo mesmo estúdio, no mesmo estilo, e continuam atemporais até hoje.


E ALIÁS, daonde raios o Once-ler arranjou a última semente? No curta eu nem reclamo muito porque tudo é simbólico, é pra ser um conto curto. Mas no filme, dava tempo de ter desenvolvido melhor isso. Pelo amor de Oz!


E por hoje é só, aguardem semana que vem onde eu darei prosseguimento ao Mês do Dr. Seuss.

[Mês do Dr. Seuss] The 5000 Fingers of Dr. T



E hoje vamos dar uma olhada no único live-action de Dr. Seuss que envolve uma narrativa semelhante ao que estamos acostumados.

Uma história de fantasia, sonhos, e que de certa forma mostra muito como Dr. Seuss se sentia (e eu tenho quase certeza de que você também passou ou passa por isso).

Então, siga-me, hoje vamos ver The 5000 Fingers of Dr. T!






O filme nos apresenta Bart (interpretado pelo guri de Lassie), um garoto que está estudando piano, sob a tutela do Dr. Terrwilliker (interpretado pelo Capitão Gancho), que tal qual o pai de Michael Jackson, exigia nada menos que a mais pura perfeição. Se Beethoven liberasse o sétimo sentido, o Dr. T ainda acharia meia-boca.

Mas o problema é que o guri não se interessa muito pelo instrumento, mas tanto o Dr. T quanto a sua mãe só querem que ele pratique e pratique. Seu único amigo é o encanador, August Zabladowski (qual era a do Seuss com esses nomes?), que segundo o guri, entende muito mais de piano, mas é tímido. Além disso, o garoto tem a impressão de que o Dr. T hipnotizou sua mãe.



Então, no meio da prática de piano, ele dorme tal qual Dorothy em O Mágico de Oz e sonha que o Dr. T é um músico megalomaníaco com o propósito de ter uma academia exclusiva para crianças tocadoras de piano, literalmente prendendo-as na tal escola, hipnotizando a mãe de Bart para que ela seja sua esposa e secretária e vice presidente da escola (pelo que eu entendi), e Bart descobre que qualquer um que tocar outro instrumento que não seja o piano será jogado nas masmorras.

Agora cabe a Bart e Zabladowski sabotar os planos do Dr. T, arruinando a inauguração da sua escola, com 500 crianças tocando num piano gigante.



O roteiro do filme é bem simplório, na maior parte do tempo. Tudo gira em torno de Bart não querer tocar piano, mas ser obrigado pelo Dr. T a fazê-lo, apenas para alcançar suas exigências megalomaníacas. O garoto se vê sem saída, já que não pode recorrer à própria mãe. Ele vê em Zabladowski uma figura paterna que relutantemente aceita seu papel, depois que descobre que de fato há algo de errado em torno de Dr. T.

O filme não tem grandes reviravoltas, grandes personagens, ou grandes cenas. Acaba sendo uma criança que desabafa os sentimentos num sonho, mais ou menos como Doug fazia. Só que menos assustador.

Sério, Doug era uma série estranha.



Mas hey, Dr. Seuss nunca precisou de personagens extremamente complexos, os livros que ele escrevia eram simples, mas identificáveis, e é o que temos aqui. Bart representa toda criança que é obrigada a aprender alguma coisa que detesta, só pra agradar a alguém (geralmente aos pais, mas também vale pra instituição de ensino). Não é que ele não tenha aptidão pro instrumento (e o final deixa a entender que ele não o abandonará), ele simplesmente quer fazer outras coisas, jogar baseball, brincar com o cachorro, montar uma barraquinha de limonada, etc.

Mas não é um livro de 20 páginas, e sim um filme de 1h30. É aí que entra o roteiro escrito em conjunto por Seuss e Allan Scott, que trabalhou em Top Hat, que ajuda a deixar o filme mais durável em termos de narrativa.



O que chama atenção no filme, logo de vista, é o visual nos sonhos. Ele tem todo o toque visual típico de Seuss, mas ao mesmo tempo mantém o equilíbrio da realidade, como por exemplo no design das masmorras. E é muito bom poder ver um genuíno trabalho seussiano (que não seja inspirado apenas, como os filmes recentes) em forma de live action. A primeira cena do filme, onde Bart é perseguido por guardas exemplifica melhor o que eu digo, e dá um tom pro visual do mundo dos sonhos.



O ritmo do filme é algo que pode incomodar um pouco. Ele começa lento demais, demora pra engrenar a história e os conceitos, mas quando o faz, é uma boa experiência. Sendo um musical que leva o nome do Doutor, ele tem toda a métrica de rima e as palavras semi-inventadas que já estamos acosutmados, aliados ao estilo de produção da época (o filme foi lançado no mesmo ano de Cantando na Chuva), cria uma atmosfera divertida e interessante, nunca sendo desperdiçada 100% dentro do filme.



Por exemplo, a cena onde os prisioneiros começam a tocar seus instrumentos (que é uma das minhas favoritas do filme), não só é usado o estilo visual seussiano nos instrumentos, como também é desprovida de letra, sendo uma sequência baseada unicamente em sons e imagens em movimento. Pode parecer uma perda de tempo, e ser uma sequência demorada demais (não julgarei quem achar, eu entendo perfeitamente), mas serve pra mostrar o tanto de talentos perdidos nas masmorras, pelo fato do Dr.T abominar todos os outros instrumentos, por achar que apenas o piano é a raça ariana dos instrumentos musicais.

Mais ou menos o que os otaquinhos fazem quando abominam qualquer coisa que venha de outro país senão o GRORIOSO NIPPON.

E essas pequenas (ou grandes) coisas servem pra nos lembrar que é tudo um sonho de Bart, nada precisa necessariamente fazer um sentido (como o quase deus ex machina no final).


No geral, é um filme bem ok, mas daqueles filmes que você tem que ver pelo menos uma vez. O roteiro é simples, os personagens são simples mas identificáveis, os efeitos visuais impressionam mais pelo design que pela técnica em si. Se tivesse mais música, seria um equivalente a O Estranho Mundo de Jack. 

É um raro trabalho de Seuss, um live-action que leva sua assinatura. E conhecendo um pouco mais da história de vida dele, podemos entender melhor alguns elementos da história, em especial o Bart como uma espécie de alter ego do Doutor. É um equilíbrio entre animações seussianas com os musicais dos anos 50, que vale muito a pena ver.



E semana que vem, com sorte, voltamos à programação normal.

[Mês do Dr. Seuss] The Seven Lady Godivas


Todos nós conhecemos e sabemos o legado que Seuss deixou para as crianças, mas pouco se sabe (ou sabia) sobre um dos poucos livros para adultos que ele escreveu. Conta-se que, quando o Doutor mudou de editora, ele quis primeiro fazer um livro para adultos, e esse é o resultado.

Publicado em 1939, de 10 mil cópias apenas cerca de 2,500 foram vendidas, mesmo a 2 dólares (preço relativamente alto pra época da Grande Depressão), e se tornou, como dizem os jovens, um flop grandioso.

Mas porque exatamente o livro foi um fracasso? Me acompanha.

(E sim, a postagem pode conter imagens de nudez não explícita, não erótica, cartunesca, mas tem gente que não quer ver, e eu entendo. Clica lá na resenha aleatória que provavelmente tu vai ganhar mais.)



A história do livro é absurda, mas simples e curta, como a maioria dos livros de Seuss. O Lorde Godiva foi pra Batalha de Hastings, mas no momento que montou no cavalo, o animal usou de toda sua petulância e o arremessou,que resultou na morte do véi. Então, as suas sete filhas nudistas fazem um juramento de que cada uma só iria casar com seus respectivos amados (sete membros da família Peeping) depois de avisarem à humanidade os perigos dos cavalos. E então cada uma vai atrás de suas Verdades Cavalares (não achei outro nome melhor), que resulta em ser ditos populares envolvendo os equinos.



Pra quem não sabe, Lady Godiva é o nome de uma figura lendária medieval. Reza a lenda que a aristocrata queria protestar contra os impostos altos do marido, que disse que ia abaixar, mas só se ela desse um rolê pela cidade nua, e mandou que todo o povo não olhasse. Exceto que Peeping Tom olhou e porcausa disso ficou cego.


Ao iniciar a leitura, podemos saber porque o livro foi um fracasso na época. Ele é… Chato. Embora ele seja feito com a ideia de ser para adultos, se botar outro conceito no lugar das irmãs nudistas, fica praticamente igual aos livros pras crianças, precisando de uma ou duas polidas. E isso não é interessante o suficiente pra atrair o público adulto, ou mesmo de contar uma história que faça sentido.


A fórmula dele segue muito o padrão de outros livros, como Th… Thi...d...wick… Thidwick! Onde há um certo padrão que culmina numa moral. No caso do alce, os bichos vão subindo e se acomodando no chifre dele, até que os chifres quebram e os animais perdem a mamata, dando a lição de que quem fica se escorando, um dia vai perder essa escora; e que nós devemos ser generosos, sem ser capacho dos outros.



"Lady Godivas" usa uma fórmula semelhante. Cada irmã procura usar o cavalo como meio de transporte ou algo do gênero, o que acaba resultando num ditado. Exemplo: uma delas tentou botar a carroça na frente do cavalo; outra tentou olhar os dentes do cavalo e acabou sendo mordida; outra pintou o cavalo e fugiu na noite, já querendo descumprir a promessa (resultando no ditado do cavalo de cores diferentes, usado no Mágico de Oz de 39, inclusive).


O problema é que, ao contrário de Thidwick, o livro é contado em prosa, e acaba sendo uma história cansativa por não oferecer um diferencial (como nos outros livros, onde o diferencial eram as rimas bem boladas e vocabulário criativo, musicalidade). "Lady Godivas" acaba sendo uma narrativa arrastada, desinteressante, e com um conceito que se sente fora de lugar. Parece uma daquelas comédias “adultas” que se acham adultas simplesmente por fazerem piadas de banheiro, ou aqueles filmes-paródia que acham que sabem fazer paródia só por citar alguma coisa da moda, sem se importar em tornar isso engraçado.



E enquanto a esmagadora maioria dos livros de Seuss terminam com aquele sentimento de tempo bem aproveitado, de final fechado, conclusão (mesmo que seja só um guri falando sobre os tipos de peixe que ele imagina encontrar), não temos a mesma coisa aqui. O cavalo da última irmã é roubado, ela bota uma tranca no curral (fazendo referência ao ditado análogo a “não chorar o leite derramado”), e vai se casar com o amado mesmo se passando mais de 30 anos ou algo assim. E a história para. Não tem aquele sentimento de conclusão, mesmo a história estando completa. Tipo aquele teu trabalho escolar que tu fez no quinto ano, que só fez o suficiente porque a professora disse que só ia sair quem entregasse a tarefa. É esse mesmo sentimento de preguiça aqui.


De longe, é o pior trabalho de Dr. Seuss. Mesmo Pontoffel Pock, que era chato e entediante, tinha visuais criativos e tentava ser interessante (mas ainda acredito que parte da culpa era do tempo de duração), The Seven Lady Godivas é um negócio pra tu passar longe a todo custo.



E semana que vem estarei de volta fechando o Mês do Dr. Seuss, com um filme live-action do Doutor.

[Mês do Dr. Seuss] Pontoffel Pock, Where Are You?



Como vocês devem saber, Dr. Seuss teve alguns de seus livros adaptados pra especiais na TV, a maioria pelo estúdio DePatie-Freleng, que vocês devem conhecer pelos desenhos da Pantera Cor-de-Rosa, Super 6, e alguns desenhos dos Looney Tunes.

“Pontoffel Pock, Where Are You?” foi uma das últimas animações produzidas pelo estúdio antes de serem vendidos pra Marvel. Assim como outros especiais, “Pontoffel Pock” é feito exclusivamente pra TV, não tendo sido baseado em livro algum.

E… É… Okay?




A história conta sobre Pontoffel Pock, que consegue um estágio na fábrica de picles, cuja função é de puxar o puxador e empurrar o empurrador.
E ainda assim, Pontoffel Pock consegue empurrar o puxador e puxar o empurrador, se tornando o pior estagiário da História e tendo a demissão mais rápida desde o cancelamento de Turn-On.

*wah_wah.mp3*


Então Pontoffel é visitado por um baixinho de bigode e chapéu helicóptero que age como uma fada madrinha para Pock, e o dá um piano voador que o levará a qualquer lugar do mundo.
São 3:10 da madrugada enquanto eu escrevo isso, eu não tenho condição de questionar nada aqui.



Enfim, Pontoffel Pock começa a viajar pelo mundo, e chega num país que se parece com a Alemanha, onde todo mundo aparentemente gosta dele. Até que ele começa a dar uns rasantes e a população o expulsa. O padrinho mágico dá outra chance a Pontoffel, que acaba parando na arábia, onde conhece uma princesa que é a melhor dançarina de olhos do mundo.
E é nesse ponto que percebemos que Seuss deveria estar usando uns tóchicos ilícitos na hora do brainstorming.



Não parece, mas eu juro que é
pior que em Encantada, onde o romance era
propositalmente apressado.


Os dois imediatamente se apaixonam, e Pontoffel parte para salvá-la. Mas como é um inútil, deixa ela cair durante o voo e vai parar no Pólo Norte… Ou Sul, sei lá, o Pólo que tem urso polar.
Tinha essa informação numa historinha do Cássio e Nimbus, mas como o site da Turma da Mônica acabou com o arquivo de HQs, não tem como eu ir ver.

Enfim, todos os padrinhos mágicos do mundo começam a procurar Pontoffel, que fica pulando de país em país procurando voltar pra princesa, até que ele finalmente a resgata, as fadas o levam de volta à sua cidade natal, onde ele finalmente aprende o ofício de usar lógica básica e vira empregado da fábrica de picles.



Então, meninos e meninas, o que aprendemos hoje?

Se você faz um trabalho simples e braçal, tente aprender a fazê-lo, ou você pode ter uma viagem muito loca pelo mundo em um piano.



Então… É, o especial é meio… Sem foco. E apressado.

O roteiro não te dá tempo pra conhecer os personagens e muito menos apreciar as cenas, as coisas acontecem e vão embora muito rapidamente. O que funciona pra um livro infantil, já que ele tende a ser mais simples e com menos elementos. Mas quando essas mesmas histórias são adaptadas, têm-se que criar elementos novos, personagens novos, expandir um pouco a história, porque são tão poucos elementos que não servem pra preencher o espaço do filme ou especial.
Aqui, nós temos quase o mesmo tanto de elementos de um filme em um especial de 20 e poucos minutos.



O que é uma pena, porque os conceitos são bons. Eles tentam ser algo que lembra muito o estilo dos livros, mas ao mesmo tempo tentam ser uma história mais completa, com mais personagens e eventos. No entanto, nós não temos tempo pra entender esses personagens, por mais simples que sejam.

Nos livros, é fácil nos afeiçoarmos ao Grinch, ou ao Gato, ou ao Onceler, porque o desenvolvimento deles é mais expresso, a história é contada junto com apresentação e desenvolvimento deles. Aqui, o que sabemos de Pock é que ele herdou uma casa em frangalhos da família e que ele fracassou no emprego mais simples do mundo.

Outra coisa que falta muito é a típica escrita Seussiana rimada. Os diálogos são esquecíveis, mas principalmente porque os personagens são tão planos que você não se importa pelas coisas legais que eles fazem.



É simplesmente uma animação totalmente esquecível e com aquele sentimento de incompleta, de ser apenas um rascunho. O que é uma pena, as ideias poderiam ter sido melhor trabalhadas.

A animação não é ruim (é só a típica animação travada do estúdio, mais ou menos como as animações stop motion da Rankin-Bass, com ênfase no “stop”); as músicas são esquecíveis (fora a das instruções do Pullun-Pushun); os visuais são até criativos; mas o ritmo é extremamente apressado, que acaba prejudicando todo o resto.

Se você tem realmente curiosidade em ver, é entusiasta do Doutor, são só 25 minutos, talvez não faça tanta diferença. Caso contrário, eu recomendo com força que passe longe, não estás perdendo nada.



E na próxima semana, resenharei um dos livros mais estranhos já concebidos pelo Doutor. Até a próxima!