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[Mês do Dr. Seuss] In Search of Dr. Seuss



Dr. Seuss é um autor e ilustrador de livros infantis, muito conhecido nos EUA, onde 90% da população atual (eu chuto) deve ter aprendido a ler com os livros dele. Quase o Monteiro Lobato de lá.
Eu já o mencionei aqui em outras ocasiões, mas, uma vez que ele nasceu em 2 de Março e Março é considerado o Mês da Leitura por lá, eu decidi fazer mais um mês temático, com 4 resenhas relacionadas a Dr. Seuss.


E que forma melhor de começar do que com o filme que explora um pouco da vida e obra do próprio Doutor, In Search of Dr. Seuss.




O filme segue as investigações de uma repórter (interpretada como Kathy Najimy, que vocês lembram de Hocus Pocus e daquela bomba de merda) sobre a vida e obra de Dr. Seuss. Ela encontra o Cat in the Hat (interpretado por Matt Frewer, conhecido pelos papéis de Max Headroom e Pânico, de Hércules), que começa a mostrá-la um pouco sobre o autor.

O que se segue são explicações sobre a biografia de Seuss, narradas pelo Gato e também por outros personagens de seus livros. Sobre a infância onde ele já percebia como a criatividade era sufocada pelos adultos; da paixão pela leitura incentivada pela mãe; da paixão pelos desenhos (e como os professores queriam que ele desenhasse realisticamente, de novo sufocando a imaginação); criando pouco a pouco a filosofia de vida e de arte do Doutor.



Entre um cenário e outro (que representam alguns períodos da vida de Seuss, ou remetem à arte dos livros), há uma leitura dos livros, acompanhada de animações vindas dos especiais, stop motion, ou reinterpretações estranhas em forma de música.

Não, sério, Yertle the Turtle é cantado como aquelas igrejas de comunidades negras e Green Eggs with Ham recebe uma roupagem surrealista que de alguma forma, funciona.
Ainda assim é melhor que as atualizações dos filmes recentes. É estranho, mas é legitimamente bom e divertido.



O filme ainda tem participações especiais de Patrick Stewart, Christopher Lloyd, e Robin Williams, lendo The Cat in the Hat e... é quando tu começa a notar as falhas do filme como um todo.
É uma interpretação divertida, dinâmica (até porque ele tá lendo pra duas crianças), e a edição é maravilhosa, mas depois de um tempo passa a ficar cansativa.



O filme como um todo tem MUITA falta de foco, e isso pode chegar a atrapalhar. Ele tem excelentes informações sobre a história do Doutor, mas o vai-e-vem entre as histórias e a história de vida acaba criando uma narrativa meio esquizofrênica. Ainda mais com os personagens que contam pedaços da história dele, que podem acabar sendo irritantes justamente por essa falta de foco (como o casal da propaganda).




Mas enquanto o roteiro acaba tendo essa confusão de leve, o design de produção é FANTÁSTICO. Os sets e figurino são feitos baseados nos desenhos dos livros, e a equipe de produção conseguiu dar o ar cartunesco e característico do Doutor em tudo, e o resultado é espetacular.

O filme não se aprofunda demais na vida do Doutor (como por exemplo, o câncer e dor emocional que afetara sua esposa Helen, devido ao caso do Doutor com Audrey, que levou Helen ao suicídio. Mais tarde, Audrey seria a segunda esposa do Doutor), até porque ele não busca ser um documentário completo, mas sim uma maneira mais... lúdica de contar a história de vida de Seuss. Mas ele conta sobre os anos das Grandes Guerras, as charges políticas, e como ele virou escritor aos poucos e de onde tirava inspiração.



Eu pessoalmente recomendaria pra já iniciados em Dr. Seuss, que querem saber um pouco mais sobre o cara. Eu creio que não-iniciados ficariam um pouco confusos com a falta de cronologia das informações, e desinteressados devido à narrativa bipolar.


Ainda assim, é uma interessante carta de amor à vida e obra de Dr. Seuss.





Fiquem ligados na semana que vem, onde veremos um dos desenhos animados originais do Doutor.

Medos de Infância



Esse post deveria ser na verdade um podcast que eu gravei com o 48 Complex e o Will, mas a gravação ficou estranha, então eu resolvi transformar numa postagem normal.

Passamos quase 2 horas compartilhando nossos medos de infância e como hoje nós os vemos.




Os temas serão citados aleatoriamente, aliás. Mas todos foram comentados no áudio, e eu comentarei o tanto quanto achar necessário, baseado no áudio. E sim, são bastante pessoais, tudo bem se não se identificar com algum, mas tenho quase certeza de que se identificará com a maioria.

Castelo Rá-Tim-Bum

Não vou mentir, tenho muitas boas lembranças dessa série. Era educativa, divertida, tinha personagens marcantes, músicas memoráveis, mas também ficou lembrada por outros motivos.



Sim, a Caipora.
Essa maldita.
Eu tinha tanto medo dela, que talvez seja um dos motivos que eu nunca aprendi a assoviar.

Pra quem não sabe/se lembra, na série a Caipora era chamada ao assoviar numa nota específica, o que levava a muitas crianças inocentes de 4-5 anos a achar que qualquer barulho feito muito alto (como assovio, ou ligar a descarga) ia chamar monstros do além, a Loira do Banheiro, o Babau e a macaca do Planeta dos Macacos de Tim Burton.
...eu chego lá.

A fantasia envolvia muito vermelho e preto, que era quebrada com adereços indígenas amarelos. A forma dela se mover era animalesca, incluindo ainda o fungado característico, e o grito "CRA-CA-TÁU!" me faziam ter um certo receio de vê-la na tela.

Recentemente vi um episódio com ela, e não senti medo, embora entendesse o medo de crianças mais novas.

Outro que causava medo em algumas crianças era o Etevaldo.


Talvez o Etevaldo tivesse menos ocorrências pesadelísticas nas crianças, porque ele era mais alegre, colorido e etc. Mas ainda assim, entra no mesmo campo da Caipora de ser surreal e real.

A conclusão que chegamos foi de que quando algo é feito com materiais e atores reais, é muito mais fácil de dar medo, especialmente se tenta emular um desenho animado, como é o caso do Etevaldo e da Caipora.



Em uma revelação que eu acho ser um caso raríssimo, Will comenta que não conseguia olhar pra tela quando Morgana aparecia.

Chegamos ao consenso de que tudo em Castelo Rá-Tim-Bum poderia dar medo, já que era tudo extremamente surreal (embora que eu pessoalmente considere um surreal saudável).

Lazy Town



E falando em desenho animado, bonecos normalmente tentam emular esse estilo, como é o caso dos Muppets e de Lazy Town.

O negócio mais estranho sobre Lazy Town é que os bonecos não parecem marionetes, parecem se mexer por conta própria. Fora que eles ficam sempre com um olhar de peixe morto, Complexo admitiu que ainda hoje tem medo deles, e eu não o culpo.

Por falar nisso, o que raios é a Stephanie? Eu entendo o Spartacus e o vilão serem humanos normais (porque eles devem ser algum tipo de entidade pros bonecos, sei lá), mas e a garota? Ela é de outra cidade, ela é um boneco mutante...? A Wikia de Lazy Town não diz nada sobre isso. Eu deduzo que ela seja de outra cidade, porque no episódio piloto (com a Shelby Young como Stephanie, que fez uma garota no episódio de Todo Mundo Odeia o Chris onde ele pega o carro do pai emprestado, ela é a garota do lado do pequeno Rock), ela é a única que quer se movimentar e brincar na rua, e cita que jogava muito futebol na casa dela.
...
....e aí eu percebo que provavelmente esse parágrafo foi informação e trivia além da conta.
Trivias são demais.

The Dark Crystal


Embora meu medo relacionado aos Muppets seja apenas vindo dessa cena de erros de gravação, (e em quantidade relativamente maior do Alf), se eu tivesse visto O Cristal Encantado quando criança, eu certamente teria medo.

O visual do filme é lindo, artistica e tecnicamente. No entanto, seu maior trunfo também foi parte da derrota, porque o visual foi um dos motivos que levou os pais levarem seus filhos pra ver E.T. do que The Dark Crystal.
O outro deve ter sido o desenvolvimento dos personagens, mas eu nunca vi E.T., então eu não posso opinar.
...
Sim, eu nunca vi E.T. e uma penca de filmes clássicos.
Mas confesso que E.T. me dava um ar de estranheza, quase no mesmo nível de Gremlins.
...SIM EU TAMBÉM NUNCA VI GREMLINS.

Ainda relacionado a bonecos (mas algo mais obscuro do resto do Brasil, imagino), é o medo patológico que eu tinha dos bonecos do Nas Garras da Patrulha.
Hoje eu assisto de boa e até considero um programa mediano.

Água em Jogos


Ouvi relatos de gente que ao meramente ouvir a música da falta de ar em Sonic, já começava a suar frio de medo. E embora eu veja razão pra isso, eu botei nessa lista por um motivo mais palpável.


Mergulhar.

Veja bem, é exatamente a mesma coisa que estar no mar ou na piscina, o nada a sua frente é muito forte, e como sabemos, o mar abriga tubarões, baleias, e o Tentacruel. E cada vez que eu caía no mar em Sonic Adventure DX, minhas pernas gelavam. Eu via o personagem que me representava cair num abismo azul escuro e desconhecido. Também senti algo parecido na batalha final, mas como era, bem, a batalha final, esse medo já havia sido bem superado.

Cair continuava sendo apavorante.
Tendo isso em mente, na abertura de Symphony of the Night, eu senti um desconforto só de ver a água em CG. É sério.

Esse medo ficou mais forte após um momento em Tomb Raider (não lembro qual, imagino que o primeiro) onde Lara está na água e do nada UM TUBARÃO PIXELIZADO APARECE PARA DEVORAR LARA!!!
!!!
...na minha mente era mais assustador.

Pra ilustrar, aqui está um vídeo que pode ajudar na sensação.




Isso porque eu não achei o vídeo do teste dessa cena, é bem pior.

E usando como exemplo outro caso que me marcou, Half Life. Apenas assistam.

Mas o menino Complexo lembrou de um clássico do medo gamístico aquático.


A maldita Enguia do Mario 64.
Não só por si só ela é assustadora, mas quando você a vê pela primeira vez, se imagina que ela é apenas parte do cenário ou um peixe normal. Mas ao se aproximar JEEEESUS! Mesmo hoje, ainda dá um susto pequeno em desavisados.

Lavender Town
Antes de mais nada, pra dar um clima https://www.youtube.com/watch?v=JNJJ-QkZ8cM

Há uma cidade em Pokémon Red/Blue/Green chamada Lavender. Há várias creepypastas sobre ela, mas vamos nos ater apenas ao jogo.

A música, como puderam notar (se clicaram no link acima), é bastante tétrica. E não só isso, ela é também um pouco melancólica. Isso faz sentido, uma vez que a cidade abriga o cemitério de Pokémons, e é onde se pode encontrar Pokémons fantasmas. Mas não só isso, há também um NPC que vê uma mão branca no ombro do personagem, e treinadores com frases peculiares, como "Me... Dê... Sua... Alma..." ou...


...é.

O Estranho Misterioso

Nunca li Mark Twain, e nunca vi esse filme em stop motion completo. Mas quando era criança, vi esse vídeo no YouTube e... bem, não consegui ver todo. Eu vi agora e não achei lá essas coisas, mas considerando que era uma animação pra crianças, o que raios eles tavam pensando?

Ah, sim, o vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=s89ALvMQCGg
Mas vá por mim, deixe pra ver depois da leitura desse artigo, não vale tanto a pena.

Plantão da  Globo


Pessoalmente, eu não tenho nenhum trauma vindo do Plantão, mas eu sei que VÁRIOS de vocês tiveram. E eu entendo perfeitamente. Se eu ver um negócio desses hoje, eu me lembro de acontecimentos que marcaram época, como o 11 de Setembro, Sequestro do Silvio Santos, e a vinda de Don Rosa ao Brasil. No entant-

...
como?

Ninguém cobriu a vinda do Don Rosa pro Brasil?

...merecia, viu.

Enfim. No entanto, eu me lembro de ter um medinho do Linha Direta (em especial das simulações de casos inexplicáveis), mas o mais fresco na minha memória é o Fantástico.
Não só o Fantástico, mas a voz do Cid Moreira.

Ele pode estar narrando uma reportagem sobre o aumento o preço dos remédios, mas o tom de voz faz parecer que quem aumentou o preço dos remédios foi algum fator sobrenatural inexplicável.

Talvez seja minha memória de matérias como essa, mas...

Ainda relacionado, Will comenta que nos anos 2000, quando a Globo saía do ar, ficava o logotipo da emissora num silêncio matador, o que dava a impressão de estar sendo observado. Fora que pelo silêncio, você esperava alguma coisa (voltamos a esse assunto em instantes).

Vídeo de "Mensagens Subliminares"




Algum dia eu farei um vídeo/postagem específica sobre elas, mas por ora, deixe-me dizer uma coisa.

Eu ODEIO esses vídeos.

Não tou questionando se são verdadeiros ou não, mas o que mais me incomoda é que, no vídeo, eles botam uma música tétrica, que tira a atenção do que realmente está sendo mostrado, confundindo nossa capacidade de percepção.

Pra exemplificar, aqui está um vídeo que usa esse tipo de música.

Se eu ver normalmente, com um pouco de lógica vou perceber que Jynx pode ser interpretada como um esteriótipo racista, mas na verdade foi baseada na Yama-uba. Com a música tétrica, porém, não apenas vai me convencer de que foi feito de propósito pra ser racista (e ligar isso com o Capeta).

E é cada coisa uma mais sem noção que a outra, que com uma pesquisa de 5 minutos poderia ser explicada, ou simplesmente pura lógica. E outras que sequer subliminares são.

Mas deixemos isso pra outro dia.


Propaganda de Carro

Sim, você conhece.

Não, eu não vou botar foto aqui. Por dois motivos:

1-não quero arriscar
2-não encontro imagem e não quero arriscar encontrar um jumpscare.

É um clássico exemplo de jumpscare, é um vídeo que começa com umas frases (editadas com Windows Movie Maker) dizendo que o vídeo a seguir era uma propaganda de carro banida, porque na terceira curva ouvia-se um sutil grito de horror.

E quando o carro chegava na tal terceira curva, aparecia um bicho feio na tela gritando na frente da câmera.

O trauma foi tão grande (graças ao meu status de primo caçula que cai nas pegadinhas dos primos maiores) que se eu apenas ouvir de longe o grito já me vem na mente a imagem, mesmo que se eu me esforçar agora, ela venha toda borrada.

Macacos



Aqui nós entramos num aspecto semelhante ao de The Dark Crystal, mas com o adendo de serem atores reais, e não bonecos.
Ambos são iguais no fator assustabilidade, mas funcionam de modos diferentes.

Especialmente aqui, é essa maquiagem estranha da moça-macaco. Havia uma foto dela numa revista Recreio onde era contado como eram feitos os efeitos visuais de certos filmes. O que hoje seria interessante pra mim, naquela época me deu medo especificamente porcausa dessa macaca.

E Deus sabe como eu fiquei com medo do Grinch quando eu vi ele na TV.
E depois do The Cat in the Hat, que até hoje eu tenho medo, mas por outros motivos.

Ilha Rá-Tim-Bum





Assim como o Castelo nos deu os personagens assombrosos memoráveis (e o Rá-Tim-Bum com os porquinhos que ensinavam as crianças a tomar banho), Ilha teve uma história mais... História.

Vejam bem, Rá-Tim-Bum foi o primeiro programa, e era um amontoado de esquetes/quadros. Castelo já tinha mais uma história, personagens fixos, e os quadros. Posso estar errado, mas pelo que eu me lembre, Ilha foi o mais distante do programa inicial. Ele tinha realmente uma história, desenvolvimento de personagens, mistério, etc. Claro, ainda havia a parte educativa, mas era mais disfarçada. (De novo, me baseando na minha memória, se eu estiver errado me corrijam.

Em geral, eu lidava de boa com o ambiente medonho, as criaturas estranhas como Polca, Nhã-Nhã-Nhã, os Coisas, mas tinha um em especial que até hoje me dá calafrios.



Solek.
Esse maldito.

Perdi a conta de quantas vezes deixei de ler a revista Recreio sobre a Ilha porcausa desse... calango.
O que me fez marcar até a história em quadrinhos (do Hong Kong Fu), o brinde da edição (o Mega Letronix Celular), e se bobear, ela passou anos parecendo nova justamente porque eu mal a lia.
Tudo porcausa do Solek.

E também foi isso que fez me afastar da série. Mas eu prometo que eu irei resenhá-la, assim como o filme O Martelo de Vulcano.



Houveram várias outras citações durante a gravação, incluindo a propaganda anti-drogas clássica onde o traficante virava uma cobra e o Garibaldo da primeira versão da Vila Sésamo brasileira.

Mas quero encerrar logo isso antes que eu me traumatize de novo. Deixei o "melhor" pro fim. Um medo compartilhado com meu amigo Will e com certeza com MUITOS outros.

Lobo Mau


Esse foi o troço que me fez gravar e escrever esse artigo.

Ele aparece no episódio "Com que Roupa Eu Vou?", onde eles vão dar uma festa à fantasia, e o tio Victor diz algo sobre o Lobo Mau. Nino, como um moleque de 300 anos com algum problema de audição devido à idade, entende que o tio irá à festa vestido de Lobo Mau.

E acontece o inesperado: O VERDADEIRO LOBO MAU APARECE!
NO CASTELO!
!!!
MALDITAS SEJAM AS LEIS DA CONVENIÊNCIA UNIVERSAL!!!

O Porteiro deixa ele entrar porque "ah oi dotô victor pois não pode entrar espero que tenha trazido salgadinho" e durante muito, MUITO tempo nós temos um ator talentoso que reproduz com fidelidade a ferocidade e animalência do Lobo, vestido numa fantasia que poderia muito bem ser usada num filme do Zé do Caixão.


Agora imaginem esse bicho andando, rosnando, e do nada ele ROSNA NA CÂMERA.

NA.
SUA.
CARA.

A aura maligna desse ser é tão grande, que essas são praticamente as duas únicas imagens que eu consegui encontrar dele.
...não eu não vou ver o episódio no YouTube. Nem o episódio onde ele aparece no Mundo da Lua.

Agora, eu respeito muito mais o Luciano Amaral, que fez tanto o Pedro do Castelo como Lucas Silva e Silva, por ter enfrentado essa mesma monstruosidade tanto no Castelo como no Mundo da Lua.

Luciano Amaral é um titã brasileiro.

E agora com licença que depois desse artigo eu preciso fazer uma maratona de Dora a Aventureira.

[Opitorial] Sobre a Resolução 163 e a Publicidade pra Crianças




Muito se tem falado sobre a nova lei do CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), sobre a publicidade voltada a crianças. Inclusive, tem-se feito terrorismo sobre ser "Uma norma pra acabar com os quadrinhos nacionais". O que não é de todo mentira, mas é um título sensacionalista. A poeira baixou (pelo menos até onde pude ver), mas ainda sinto que é necessário falar algumas coisas.

Nesse texto, eu pretendo traçar algumas ideias sobre toda essa marmota.





Ok, então, pra início de conversa, o que é o CONANDA?
É um órgão vinculado à Secretaria dos Direitos Humanos que atua como instância máxima de formulação, deliberação e controle das políticas públicas para a infância e a adolescência na esfera federal, fiscalizando o cumprimento e a aplicação eficaz das normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ou seja, ela pode criar políticas para proteger as crianças e adolescentes segundo o ECA.
Então, o que ela fez que causou tanto rebuliço? A Resolução 163. O que ela diz? Ela torna abusiva o direcionamento de publicidade a crianças.

Isso inclui personagens, desenhos, bonecos, apresentadores, música, ou qualquer outra coisa com apelo para crianças.

Apenas nesse ponto já podemos fazer alguns questionamentos, mas voltemos a ele mais tarde.

Essa Resolução apresenta alguns problemas... Sim, ela tem boas intenções, proteger as crianças de abusos, não incitar a violência e etc. No entanto, algumas questões devem ser levantadas.


1-Segundo o site defesa.alana.org.br, o CONANDA considera a publicidade infantil "(...) se aproveita da vulnerabilidade da criança para persuadi-la ao consumo de um produto ou serviço, desrespeitando sua condição de indivíduo em desenvolvimento e atentando contra seu direito à inviolabilidade física e psíquica, além de contribuir para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, a violência, a erotização precoce, dentre outros."

Uhm... Não é isso que quase toda propaganda faz? Não é o certo a se fazer (segundo o Código de Defesa do Consumidor), mas sabemos que nas entrelinhas é isso que elas normalmente fazem.

Digo, digo. Vamos por partes. Uma propaganda te diz pra comprar produto X porque senão você não vai ser "descolado, moderno", etc. E ela não diz explicitamente com eu coloquei, apenas mostra cenas de pessoas alegres, jovens e bonitas consumindo o produto.




E sinceramente, eu vi SIM muitas propagandas pra crianças nesse sentido, em especial voltados pra meninas, sobre maquiagem e etecéteras de "beleza".

Raios, no meu tempo (até onde lembro) não era comum ver meninas de 12-14 anos usarem maquiagem (como hoje vejo pirralha de 6 anos que mais parece o Palhaço Macarrão e se acha ~DYVA~).  Então, nesse ponto, a medida é boa, certo?

...eeeeehm.

Digamos que você, indivíduo mentalmente adulto, vê uma propaganda de suquinho, mostrando pessoas alegres e com energia bebendo o suquinho, o que você faz? Você entra em depressão se não tomar o suquinho porque quer ser "da galera" ou você diz "meu Deus que propaganda cartunescamente ridícula" e muda de canal?

"Ah mas uma criança não sabe diferenciar realidade de propaganda" Segundo o ECA, "criança" é o indivíduo até 12 anos. Com 10 anos já deve ter uma boa noção do que é certo e errado, então não é um indivíduo imbecil. Então, de 12 anos pra baixo, já deve ser ensinado à criança de que "o gato Tom leva martelada na cabeça, mas porque ele é um desenho e desenhos não se machucam". Então, qual a dificuldade de ensinar à criança a mesma ideia quanto à propagandas? É até mais fácil de explicar se ela já tiver o repertório dos desenhos animados e seriados.

"OOOOHHH NÃO OS BIXIM NÃO PODE SE EXPOR À VIOLÊNCIA TOM E JERRY PICA PAU MUITO VIOLENTOS OOOOH"

Vá à merda.

Não, sério. Vá. À. Merda.

Não pra você que pensa assim, mas pra essa ideia.



Tom e Jerry, Pica Pau e variantes são desenhos que admitem a dor como parte da vida, e de certa forma, nos ajudam a conviver com ela. E são mostradas de uma forma tão cartunescamente irreal quanto a "violência" de Power Rangers. Claro que há crianças que não suportam ver o gato Tom sofrer tanto (e há quem considere Jerry o vilão, mas isso é assunto pra outro dia), mas isso varia de indivíduo pra indivíduo.

Tem criança que consegue ver filme de terror (embora eu acredite que não seja saudável), enquanto outras ficam com medo até de coisas que normalmente crianças não tem medo (sim Tv Cultura, estou olhando pra você e pros seus porcos do Rá-Tim-Bum).

"Ah mas ela vai influenciar negativamente meus filhos" E cadê VOCÊ assistindo com ele, dizendo e perguntando o que é certo e errado? "É certo bater nos outros, meu filho?" "Ó, isso aí que ele tá fazendo, é certo?" Talvez, sei lá, EDUCAR seu filho. É, talvez isso seja necessário, caso não tenha pensado nisso quando soube que ia ser pai/mãe.

Televisão e escola NÃO substitui a SUA educação. Elas não existem pra você jogar eles lá o dia todo esperando que eles se formem pra vida e se tornem um excelente ser humano! Na visão desses pais imbecis, se o guri chega em casa falando palavrão e xingando, "a culpa é da tv", se ela tira nota baixa nas provas, a culpa é do professor que não sabe ensinar. Ao invés de, primeiro, ver como ele tá educando o filho, as conversas que ele anda tendo, saber que dificuldades tá tendo na escola, o que anda assistindo...

A culpa é SUA que não ensinou a ele a não ser uma esponja e a culpa é SUA de não acompanhar os estudos dele ou de deixar ele o dia todo na tv ao invés de estudar.  NÃO USE QUALQUER COISA COMO BODE EXPIATÓRIO PRA SUA CULPA, SUA IGNORÂNCIA!

O que me leva ao próximo ponto.



2-De novo, segundo o Alana, "Toda publicidade que até então tinha como alvo o público infantil deve ser alterada e direcionada ao público adulto, o qual é o verdadeiro responsável por fazer a devida mediação da mensagem comercial com as crianças."

Aaahh, entendi. Então ao invés de dizer à criança "Você precisa desse boneco pra ser feliz", vamos dizer "SEU FILHO precisa desse boneco pra ser feliz".

Hm. Muito bem. Não, ok, ok, tá tud-ISSO É ESTÚPIDO PRA RAIO!

Ok, ok... *respira* Vamos analisar com calma. Algo parecido já vem sendo feito há MUITO tempo.
Alguns mais velhos (que eu) devem se lembrar das histórias contadas por telefone, que diziam pras crianças pedirem autorização dos pais. Ou, mais recente, cards de Pokémon e jogo online de BeyBlade que diz a mesma coisa, mas pra internet (sendo que o comercial de BeyBlade era feito com adolescentes maiores de 16 anos, num clima bem mais de torneios ilegais que se vê nos filmes, ou seja, eles tentavam pegar um público-alvo maior, mas ainda mantinham as crianças no foco).

 


Ou seja, se há alguma chance da criança estar lidando com algo que ela desconheça (seja custo de ligação de telefone, internet, ou fazer tekitos), eles mandam pedir ajuda/autorização aos pais.

Em teoria, esse ponto não tá errado. No entanto, quem vai consumir o produto, são as crianças ou são os pais?

Se é pros pais, que se faça voltado pros pais. Se pras crianças, que se faça voltado pra elas, que elas se encarregam de chegar no pai e dizer "pai eu quero isso" e o pai vai analisar a situação do produto e/ou financeira pra dar a palavra final.

...porque isso é tão difícil de entender?

Criança não trabalha, então não ganha dinheiro. O máximo é ganhar mesada, mas aí cabe aos pais decidir quanto vai ser, com que periodicidade, e quando a criança vai ter maturidade pra saber gastar.



3-A norma proíbe relacionar os produtos com personagens com apelo ao público infantil.

Como eu falei no início, personagens, desenhos, bonecos, celebridades e músicas com apelo às crianças estão banidos.

...me corrijam se estiver errado, mas isso seria o mesmo que proibir a Sabrina Sato de aparecer num comercial de motos. Se ela faz parte o público alvo das motos, não é lógico botar ela pra chamar atenção?

Isso não é publicidade básica? Bote algo que seja do interesse do público-alvo como isca pra então fisgá-lo com seu produto, ou pelo menos com a imagem/música/etc relacionado ao produto?
Então... Porque? Isso sequer faz sentido, e ainda por cima, nos traz àquela velha tecla batida por todo mundo que eu vi reclamar dessa lei:

NÃO VAI TER MAÇÃ DA TURMA DA MÔNICA!

*DUN-DUN-DUUUUUUUN*

Não só a Maçã da Turma da Mônica, mas também qualquer produto que traga junto um personagem/celebridade com apelo ao público infantil.

O que me leva a pensar que "público infantil" é um termo extremamente vago.

Veja bem, o Superman é um personagem com apelo ao público infantil. Crianças adoram ele, querem ser legal como ele, etc. No entanto, se essa lei for realmente reinar com mão de ferro, imagino se vai deixar de existir camisetas/canecas/etc do Superman feito pra você, leitor de HQs/cinéfilo/fã de longa data do Superman.

Ou as bonecas de My Little Pony do Mac Donald's, que tem forte apelo com o público infantil, mas que também tem sua base de fãs nos seus 20 anos.

Isso pra não falar nos bonecos/capas de gibis/alimentos.
Porque segundo a Resolução, se o personagem está num produto ou está ajudando a vender ele, está "persuadindo a criança e se aproveitando da pobre flor frágil que não pode sequer levar uma palmada ou ser contrariada a comprar aquilo".

Quanto à lei em si, ela NÃO é de todo ruim. Ela é feita com boas intenções, sim, e tem pontos como não incitar a violência. No entanto, a filosofia por trás dela é que me irrita.

Basicamente, ela exclui o papel dos pais, por, ironicamente, fazer que a propaganda seja voltada para os pais.

Que há propagandas pra crianças abusivas? Claro que há. Não só pra crianças, propaganda para todos os públicos imagináveis. Algumas mais diretas, outras menos diretas. Assistam 5 minutos das propagandas da Polishop e verão o que eu quero dizer.

Na verdade, as propagandas pra criança que costumeiramente passam vem com avisos como "movimentos produzidos por computador". Imagina se propagandas de maquiagem decidissem fazer algo parecido e narrassem "resultados produzidos por computador"?



E a própria Lei do Consumidor já deixa claro que as propagandas devem "primar por uma apresentação verdadeira do produto ou serviço oferecido, esclarecendo sobre suas características e funcionamento, considerando especialmente as características peculiares do público-alvo a que se destina".

Ora, se ele manda considerar as características peculiares do público-alvo, porque não só aumentar fiscalização em cima disso, NÃO SÓ PRA PROPAGANDAS INFANTIS, ao invés de "CORTA TUDO MANDA PRO LIXO"?

Criança não é burra, criança entende das coisas. Basta que alguém as ensine a diferença entre a realidade e a ficção/propaganda. Mas o que esses inteligências querem é justamente diminuir o trabalho dos pais (que, convenhamos, a maioria já está sendo muito preguiçosa no quesito "educar os filhos") de ensinar pra que a criança receba tudo mastigadinho porque ela é "muito vulnerável".

Além do Estado querer intervir na criação dos filhos (com a "Lei da Palmada"), agora vem com essa estúpida filosofia. Isso porque eu nem me demorei no fato de que isso vai praticamente matar a indústria de desenhos animados, gibis, bonecos e variantes no Brasil, já que não vai ter publicidade pra eles. Já não temos desenhos na TV aberta há alguns anos (o monopólio das manhãs ficou com o SBT com aquela porcaria que o Bom Dia e Cia. se tornou. Falo sobre isso outro dia, me cobrem. É sério.).



Então, resumindo a ópera. O Estado proíbe os pais de punirem seus filhos, praticamente diz "seu filho é incapaz de pensar por si próprio até os 17 anos, então cabe a você ver as propagandas dos produtos que ele TALVEZ queira, igual a gente faz com bebezinho", o que causará a passos lentos (ou não) a morte de produções audiovisuais pra crianças e adolescentes no Brasil. O Estado diz como você deve criar seu filho, se você disciplinar a criança já é abuso e você é um criminoso; se passa uma propaganda anunciando o boneco do Max Steel sugerindo um cenário de brincadeira, "a criança é incapaz de diferenciar a realidade da propaganda" (mesmo que o narrador fale o tal aviso que eu mencionei). Ou seja, ele nos diz pra criar a criança numa redoma de vidro sem nunca fazer elas pensarem, nem disciplinar elas como elas fazem por merecer, nos levando a um estilo de vida que louvaria os pais que precisam de ajuda da Super Nanny.

E ainda me perguntam porque eu não quero ter filhos.

Concorda? Discorda? Quer mandar uma ameaça de morte? Deixe nos comentários abaixo.

Fontes:
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=4026&titulo=Uma_norma_para_acabar_com_os_quadrinhos_nacionais

http://defesa.alana.org.br/post/82994668848/entenda-a-resolucao-que-define-a-abusividade-da
http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=4&data=04/04/2014

http://www.feedbackmag.com.br/a-lei-da-publicidade-infantil-e-como-ela-afeta-a-producao-cultural-para-criancas-no-brasil/

Agradecimento à Nanda  Bender do http://arcaderabiscos.blogspot.com.br/ que achou as imagens das tele-histórias.

[Opitorial] O que é ser infantil?



Hoje iniciarei uma linha nova de artigos, intitulado de Editorial, onde farei uma avaliação geral de algum determinado assunto.
Já faz algum tempo que quero falar sobre isso, e hoje irei fazê-lo, já que não é um assunto que aparece constantemente, e é algo que acredito que deve ser debatido no meio artístico: O que é algo "infantil"?





Segundo o Dicionário Aurélio, "infantil" é: 1-Próprio da infância, ou para crianças; pueril 2-Próprio de quem age como criança; tolo, ingênuo.

É interessante ver essa descrição, visto que hoje, muitos filmes infantis estão na moda e têm atraído, com uma frequência maior, pessoas mais velhas que seu público-alvo, as crianças. Mas já faz um bom tempo que isso vem ocorrendo, devido ao fato de que, se você gosta de uma coisa quando criança, a tendência é não vai deixar de gostar dela ao crescer, mesmo que um pouco.

Muitos veem isso como um problema, mas vamos primeiro dar nomes aos bois.



Pessoalmente, não gosto de usar o termo "infantil", pois traz a ideia de "pouca maturidade". A palavra "infantil" não deveria ser usada como gênero (na minha humilde opinião), mas sim algo a ser analisado. Por isso, prefiro usar o termo "para crianças", porque não necessariamente algo para crianças é infantil. Muito pelo contrário, muitas vezes produções pra crianças são mais maduras que produções pra adolescentes e adultos.

Um exemplo disso seria "My Little Pony: Friendship is Magic" e os filmes da Disney e da Pixar.



Esses filmes são considerados "infantis". No entanto, se analisarmos a fundo, veremos que eles são mais maduros do que pensamos. Isso porque esses filmes são focados na família, para que a família assista junto e todos se divirtam, ou que haja algo o que pensar, não apenas as crianças. "Toy Story" trata não apenas das aventuras de brinquedos, mas também de um garoto que está crescendo e aos poucos abandonando algumas coisas de criança, além de tratar sobre a amizade e fidelidade, de uma forma bem complexa, de modo que os crescidos também se identifiquem. "Procurando Nemo" trata sobre o relacionamento entre um pai e um filho rebelde, e como o amor entre eles é grande, coisa que muitos de nós passamos ou vemos algum conhecido passar, ou até mesmo a falta desse amor.

E mesmo assim, tem filmes pra família que acabam sendo... Infantis demais. Como os filmes de "Transformers".



Isso sim é um filme infantil. Ignorando o fato de que os Transformers são praticamente soldados em uma guerra (o que é um elemento interessante e maduro, considerando o modo que é usado ou visto), há piadas sobre masturbação, apelo sexual extremamente dispensável, machismo, e coisas do tipo.

Colocar elementos habitantes do mundo adulto em um filme pra família, e ainda por cima sem nenhum motivo, é idiotice, é falta de foco, é infantilidade.

Um exemplo da mesma franquia sendo bem usada seria o recente "Transformers: Prime", onde sim, há seus momentos mais bobinhos, mas ao mesmo tempo mostra uma história sobre uma guerra, com traição, espionagem, e sentimentos pessoais. Pelo que vi da série, há muito isso vindo de Arcee, uma personagem que me cativou muito. Primeiro, ela é uma mulher num ambiente normalmente masculino, e mostra o quão boa militar ela pode ser, com suas habilidades em combate. Mas ao mesmo tempo demonstra fragilidades, como quando descobre o assassino de seu fiel companheiro Cliffjumper, e o assassino estando em posição de refém, ela se mantém honrada e o solta para derrotá-lo num combate justo. Claro que isso custou a fuga dele, mostrando que foi uma decisão errada que acarretou sérios problemas para os Autobots. (Lembrando que manter o refém preso foi uma ordem direta de Optimus.) Uma série pra crianças como essa não se pode ser taxada como "infantil".


Veja que, quando eu falei que o fato de os Transformers são soldados em uma guerra ser um elemento maduro, eu falei isso tendo em vista que é uma franquia para crianças. Para uma franquia para crianças, ter soldados em guerra usando a alegoria de robôs é algo maduro, coisa que seria normal se fosse para adolescentes ou adultos (que não deixaria de ser maduro, mas seria algo mais previsível, por assim dizer).

Uma obra para adultos não é necessariamente SÓ para adultos. Há obras que são maduras, focadas em um público adulto, mas que podem ser apreciadas por um público mais jovem sem nenhum problema, por não conter violência, ou sexo, ou nudez, ou palavras de baixo calão. Ou conter algumas delas, mas com doses não exageradas, como "O Conde de Monte Cristo", ou "E o Vento Levou". Ou simplesmente tem mais drama e tensão, como "Kamen Rider ZO" ou "Kamen Rider The First" e "The Next".



Uma obra adulta não precisa necessariamente mostrar sangue ou nudez, mas se, dentro de um contexto, se isso for importante para a história/narrativa, ou se mostrar um lado a mais da psique de algum personagem, ela não hesitará em mostrar, supondo que seu público terá maturidade suficiente para absorver aquela informação e relacioná-la à história.

Obras que contém muitos elementos adultos tais como: fanservice, nudez, sexo, sangue, violência, e não se preocupam em contextualizá-las em uma história coesa e bem estruturada, nem uma narrativa bem desenvolvida, podem ter a classificação +18, mas há uma chance muito grande de que a idade mental da obra seja inferior, seja infantil.
Mas só porque alguma coisa é infantil, quer dizer que ela é ruim?



Claro que não.

Dr. Seuss (pseudônimo de Ted Geisel) é um escritor estadunidense, e escreveu 60 livros para crianças (como "Como o Grinch Roubou o Natal", "The Cat in Hat", "Horton Hears a Who", e "O Lorax"), boa parte  deles rimando. Seuss é tido por muitos como um mestre da rima, pois escrevia histórias simples, com rimas inteligentes. Escrever uma poesia é uma coisa, escrever um livro de poesias é outra, escrever um livro com uma história narrada por rimas é uma terceira coisa.

Eu, com 18 anos, fiquei admirado com o modo de ele contar histórias. Não só as rimadas, como também alguns livros narrados em prosa, que contém algumas críticas políticas. E não só admirado, como também ri levemente em alguns momentos, devido ao nível de nonsense que as histórias chegavam, ou à narrativa usada.


Prova de que suas histórias são imortais é que até hoje recebem adaptações para filmes. São, em geral, adaptações fracas e que tiram boa parte da graça e pureza da obra original, mas mostram a força de seus livros.

E é fascinante como alguns de seus livros, como "Horton Hatches the Egg" (1940) e "Thidwick the Big-Hearted Moose" (1948) se mantém extremamente atuais. mostrando falhas da natureza humana facilmente identificáveis, uma em especial que eu me encaixo, a de ser gentil com todo mundo.



Essa é uma característica que provavelmente herdei de meu pai. Procuro ser agradável e gentil com todo mundo, mesmo que resulte em problemas. Essa é uma característica que eu venho procurando ajustar, porque eu sei que algumas pessoas precisam levar uma mãozada na cara (literalmente ou metaforicamente) pra poder aprender alguma coisa. Coisa que o Alce Thidwick deveria ter aprendido quando seus chifres viraram um zoológico de escorões.



Outro livro que leva alguns a mais de uma interpretação é "The Cat in the Hat Comes Back". Surgiu recentemente um historiador afirmando que o livro seria uma alusão à Guerra Fria, com o Gato sendo analogia da URSS. Não sei se entendi bem a alusão dele, mas o Gato seria uma personificação do Comunismo, que chega de intrometido na casa de duas crianças (que já tinham recebido a visita desse mesmo Gato) e deixa uma mancha rosa (comunistas eram conhecidos vulgarmente como Pinkos) impossível de limpar em uma série de objetos. E só com o Voom foi possível tirar a mancha, que fez um estardalhaço imenso para tirar a mancha rosa da neve. Uma referência a armas nucleares e suas consequências, deixando-os limpos de "Pinkos".

...You know, for kids!

Ok, vamos ignorar por um momento a história da URSS, e pegar outro livro dele, "Como o Grinch Roubou o Natal". Fala sobre uma criatura verde que mora em uma montanha e odeia o Natal e tudo que ele representa. E a Vila dos Who se prepara alegremente para a celebração. O Grinch, já cansado de tudo, resolve roubar os elementos natalinos. O que acontece? Os Who celebram o Natal mesmo assim, e o Grinch aprende o significado do Natal e passa a ser o que mais ama a festividade.

Sim, é uma história bobinha e previsível, e o livro em si até que não é lá essas coisas. E quem se importa? É preciso saber apreciar as coisas mais simples e belas da vida, da mesma forma que essa história. Mesmo ignorando toda a metáfora e estudos do comportamento humano, são boas histórias pra criança e são gostosas de serem lidas.



Talvez a chave para tudo isso seja permanecer com uma alma de criança. Você não vai conseguir gostar dos livros (e das adaptações animadas) do Dr. Seuss, ou os quadrinhos da Turma da Mônica, se não possuir uma simplicidade que só uma criança teria. A criança não vai analisar a fundo a psique dos personagens, não vai perguntar "isso faz sentido nesse contexto?", ela simplesmente vai tentar tirar o máximo de proveito daquilo. À medida que ela cresce, é que essas perguntas irão surgir.

Quando eu era criança mais crescida, eu lembro-me de questionar esse tipo de coisa constantemente. Como no primeiro filme do Scooby-Doo, ou do Jimmy Neutron. Coisas que não faziam nenhum sentido, tanto da lógica básica (por que raios o Scooby-Loo é o vilão?) como de física (como raios os guris respiram em pleno espaço?). A primeira pergunta nem precisa de resposta, deve ter sido uma escolha aleatória do roteirista. Ele deve ter pegado papeis com os nomes de personagens que apareceram no desenho do Scooby-Doo e jogado pra cima. O que cair na mão dele é o vilão e ponto. Mas a segunda é algo que comecei a ver que algumas coisas você deve ignorar pra beneficiar a narrativa, e ainda me impulsionou para pensar em como explicar aquele fenômeno ou como ajustá-lo a fim de que fique mais realista. E isso ajuda muito, especialmente quem quer trabalhar escrevendo histórias.



O que me entristece é ver o número de mini-adultos crescendo. Em certa medida, é normal. Quando você é uma criança você tende a querer se espelhar em alguém mais velho (em geral, o pai ou a mãe). Mas quando em doses exageradas, é extremamente prejudicial. Crianças que não querem mais fazer coisas de crianças ou que querem uma mentalidade de um adulto, que coisa triste. Se nós que aproveitamos nossa infância sentimos saudade dessa fase, que dirá esses mini-adultos.

Certa vez, estava assistindo "Ultraman M78 Love and Peace", quando meu pai chegou, viu cerca de 10 segundos e disse "Por que tu tá assistindo isso? Isso nem o Fulaninho quer mais assistir, ele diria que é coisa de bebê."

Nem preciso dizer que foi um dos meus primeiros momentos de "Haters gonna Hate", muito antes de eu se quer saber o que é isso.

O escritor C.S. Lewis escreveu: "É natural que as coisas novas queiram crescer. Porém, quando se mantém na meia-idade ou mesmo na juventude, essa preocupação em 'ser adulto' é um sinal inequívoco de retardamento mental." Ou seja, é necessário manter essa alma de criança, de saber apreciar certas coisas com mais simplicidade, sem deixar de lado a razão e a maturidade."

Até hoje, eu sofro um pouco por gostar de My Little Pony: Friendship is Magic, Ben 10, e os desenhos do Snoopy. Mas hey, são bons desenhos, boas séries, que são mais do que os olhos podem ver. E mesmo que não fossem, são divertidos, e isso é o que importa.