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Bakuman (Filme)




Você sabem o quanto eu amo Bakuman. Posso não saber todos os eventos de cabo a rabo, ou o nome de todos os personagens, mas é impossível não sentir algo por uma história que tu acompanhou e que trata de um assunto que te incentiva a seguir teus sonhos, em especial quando são da mesma área. O que é o meu caso.

E naturalmente, eu fiquei levemente empolgado quando soube da adaptação em filme, que incluía o Takeru Sato, que também atuou como Kamen Rider Den-O, Samurai X e nos comerciais dos chicletes Fits.

E como o filme se saiu? Me acompanhe…





A história conta sobre dois adolescentes, Mashiro e Takagi, que são interpretados por atores que seguem o padrão Malhação. Não na atuação, aqui eles atuam bem, mas só de olhar pra eles cê nota que eles parecem velhos demais pra estar no colégio. Mashiro ao menos, já que tem 27 anos, ao passo de que seu amigo tem 23. Mas divago.


Mashiro tem boas notas, mas nenhuma expectativa de faculdade ou emprego. Até que Takagi descobre o talento artístico de Mashiro e o intima a fazer um one-shot pra Jump e viverem de fazer quadrinhos. Mashiro só aceita porque Takagi manja dos contatos de boatos e soube que a Miho, guria que o Mashiro gosta, quer ser dubladora, o que os fazem selar um acordo de que, quando a série deles for um sucesso, Miho vai dublar a heroína deles. E quando isso acontecer, ela e Mashiro vão se casar.


Guardem isso, vai ser muito importante lá pra frente.
E sim, vai ter spoiler, se não viu o filme, vá ver. É um ponto que eu me sinto obrigado a falar.


Enfim, em termos de narrativa, o filme segue bem a história original, mas dando os próprios toques. Por exemplo, como raios tu vai deixar interessante dois caras escrevendo e desenhando num cubículo?
E é nessas horas que o filme se destaca, nos dando imagens criativas, divertidas e algumas em certa medida engraçadas.
Desculpa, por mais que faça todo o sentido do mundo e seja uma cena tecnicamente bem executada, eu ainda fiquei rindo feito uma foca no duelo de Mashiro/Takagi e Eiji.



O filme também se destaca pela caracterização dos personagens. Claro, Mashiro e Takagi parecem dois cosplayers excelentes (e um pouco acima da idade que deveriam ter), mas todo o resto do elenco também pega um pouco desse conceito cosplayer (o figurino original já dava brecha pra isso, afinal). Mas tudo é perfeitamente transposto dos desenhos pro figurino e caracterização. E não só isso, os atores de fato fazem um excelente trabalho, mostrando as personalidades caricatas de seus personagens sem perder o toque de realismo necessário.



Os únicos personagens que ficaram um pouco fora do tom foram Hattori e Eiji. Em defesa de Hattori, fisicamente é quase impossível de se adaptar o visual, e o ator faz um trabalho bastante decente com o que lhe é proposto. Ainda assim, ele parece um pouco deprê demais, que eu lembre Hattori era um cara extremamente sério, mas que ao mesmo tempo tentava alegrar seus autores. Embora Hattori ainda tenha momentos de alegria, o tom geral dele ainda é meio pra baixo. Talvez tivesse procurando parecer mais um editor real da Jump, sei lá. Não é uma mudança que vá irritar, e na real combina com o tom do filme.

Por outro lado, eu não consigo engolir Eiji.
Não pela caracterização visual, ele tá de boas. O problema é a atuação do cara.



Vejam bem, Eiji era um cara enérgico, que não conseguia parar quieto num canto e que ficava fazendo trocadilhos com nomes de séries. Era o tipo de cara que podia sair correndo a qualquer instante porque viu algo que interessou muito a ele, e ainda vai gritar enquanto corre. Tipo eu quando vi a coleção Little Kingdom da Disney.


Aqui ele é um cara tranquilão, cujas ações são em certa medida inconsequentes, mas o cara se mexe tão lento e fala de uma forma tão desinteressada, que mesmo quando ele desenha, não tem a mesma energia que o personagem original tem, embora faça os tradicionais ruídos com a boca.



O ponto dele é mostrar que há autores que levam muito em consideração números, estatísticas e probabilidades ao fazerem suas séries, e há autores como Eiji que são movidos à paixão de fazer arte. Uma vez que Eiji é o grande rival, essa característica poderia ter sido mais exagerada.


Eu não sei bem de quem foi a culpa, mas certamente o ator não parecia à vontade no papel. Ele parecia mais aquelas crianças que quando tão aprendendo a atuar ou tocar violão sofrem da síndrome materna de “Meu Filho Tá Aprendendo a Violar Tocão, Mostra Pra Visita, Filho”, e o pobre ser vivente o faz da forma mais encabulada possível.



Outra mudança que de fato funciona muito bem é toda a linguagem visual do filme, que não se aplica quando eles tão desenhando, que toma ares mais fantasiosos. A fotografia é bastante realista, em alguns momentos até sombria demais, que destoa completamente dos quadrinhos ou animação. Até o estúdio do tio de Mashiro é mais claustrofóbico, pouco iluminado, e desconfortável. O ponto do filme é justamente mostrar o quão pesado e perigoso pode ser o literalmente se matar de trabalhar, que é infame no Japão.



O problema é justamente no final, onde ele não deixa claro se é melhor você dar literalmente seu sangue e suor pelo trabalho, ou seguir orientações médicas pra repouso dentro da lei pra que tu possa seguir trabalhando normalmente. Ou seja, escolher entre seguir a paixão e morrer porcausa dela, ou seguir orientações médicas e continuar a trabalhar na paixão…? É confuso, na série original essa situação foi resolvida de forma melhor e moralmente... menos ruim.


Mas o que pra mim completamente destruiu esse final foi o que aconteceu durante esses dias que Mashiro ficou doente de tanto trabalhar.
Lembram que o ponto principal de Bakuman era o da dupla conseguir uma série animada pra então Miho fazer a heroína e então ela e Mashiro se casarem?

Então, quando Mashiro tá no hospital, Miho aparece e diz que seu produtor investigou o passado dela e descobriu que Miho e Mashiro foram colegas de sala, e que o estúdio proíbe funcionários de namorarem.



O que não só não faz absolutamente nenhum sentido, uma vez que Mashiro é funcionário da Jump e não do estúdio, ignorando o fato de que o produtor dela deve ter o nível de contatos boateiros do mesmo nível que Takagi, mas também faz com que ela diga que não pode esperar Mashiro pra sempre, acabando com toda a motivação de Mashiro de trabalhar na série, bem como o ponto de existência da situação atual.


“Ah mas no final a personagem baseada na Miho diz que vai esperar pra sempr-”E O QUE IMPORTA? A personagem dizer isso não significa que Miho tenha dito. Miho já acabou com todas as esperanças dela, vai viver como uma idol virgem pra todo o sempre e Mashiro não vai trabalhar direito nas séries futuras, porque ele basicamente só vai trabalhar automaticamente e não com paixão, quando ele tinha um motivo pra seguir em frente!

“M-mas como cê mesmo disse, é pra ser algo mais realista, e na vida real, merdas desse tipo acontecem, ainda mais no extremamente competitivo mercado do entretenimento japon-”
BIBBIDI-BOBBIDI-BULLSHIT

Pode ser realista, pode ter o clima mais deprê e mostrar o lado mais obscuro de quem trabalha com o mercado editorial japonês (que de fato é quase um trabalho pesadíssimo, vejam que fim o Tite Kubo chegou em Bleach), mas no momento que o principal pilar da história é destruído assim, num ponto sem retorno, e da forma que foi feito, lenta e dolorosamente, é porque tem alguma coisa errada.



Eu não acho ruim o plot de Miho e Mashiro não poderem ficar juntos, isso é um plot comum de histórias do gênero e algo que acontece na vida de casais comuns. Sendo tratado da forma certa, é um obstáculo interessante de ser usado.
Na série original, eles tinham obstáculos como casal público, por assim dizer. Mas foi tratado de uma forma mais crível e menos forçada.

Fora que a narrativa dos 10 primeiros minutos do filme é horrível, ela mal apresenta os personagens e os principais plotpoints. Sendo um filme de 2 horas, dava pra ter gastado uns 10 minutos a mais e fazer uma edição melhorzinha.

A idéia geral que dá é que o filme foi feito na mentalidade de “a gente tá fazendo pros fãs, eles conhecem a história então não vamo se demorar aqui”, o que é uma falha em qualquer tipo de filme.



Homem Aranha do Sam Raimi tomou um tempo imenso pra contar a história de origem e deixá-la crível e identificável. Claro que com o Amazing Spider-Man isso deixou de ser necessário, necessitando salientar apenas os pontos importantes pra construção daquele universo rebootado. (Nota: ainda não vi Amazing Spider-Man, não sei como eles lidaram com isso. “Mas Kapan já dava tempo de ter visto o filme, pare de cutucar o nariz e vá ver”, ao qual eu respondo, você também não viu Song of the South, vá se lascar.)


O problema do filme não foi só deixar a introdução apressada, não só apresentar os personagens nem suas motivações direito, colocando uma coisa atrás da outra sem te dar muito tempo de absorver as informações. O problema também foi na conclusão desses arcos narrativos e basicamente matar o ponto principal da história, sem dar uma brecha clara de retorno desse mesmo ponto.



No geral, é um filme mediano pendendo pro fraco. Ele recebe muita liberdade, e em alguns momentos ele a utiliza muito bem, nos dando twists interessantes e imagens brilhantes, ao mesmo tempo em que se mantém fiel aos personagens. Em outros momentos ele simplesmente toma liberdade demais e desperdiça pontos-chave que tornavam a história tão interessante.

Pode ter sido um filme feito pra agradar aos fãs, e eles vão encontrar coisas boas. Mas no geral, só te dá vontade de voltar ao material original e de lá pegar inspiração pra começar a desenhar feito louco.

K-On! Faculdade




Grandes personagens com dilemas complexos; missões de peso como salvar o mundo de um final apocalíptico; criaturas e mundo novo, cheios de detalhes novos, mas ao mesmo tempo remetendo-nos a algo conhecido; super-heróis com poderes fenomenais que continuam psicologicamente humanos e tem que conciliar duas vidas; são todas ideias muito interessantes e bem-vindas.

Mas às vezes é bom fugir um pouco de tudo isso.





"K-On! Faculdade" nos mostra uma nova etapa na vida das meninas Yui, Mio, Ritsu, e Mugi, que vão pra uma faculdade, além de morarem juntas num alojamento.

Na faculdade, elas fazem amizade com outra banda formada por 3 garotas, que são relativamente bem exploradas. Akira, a guitarrista, é a que tem mais destaque, até pelo histórico semelhante ao da ex-professora das meninas, Sawako; Sachi é mais parecida com a Mio e seu desenvolvimento se resume mais na personalidade; e Ayame... É a Ritsu.

Pouco a pouco as garotas vão sendo conhecidas em maiores detalhes, e isso acontece com naturalidade (dentro dos padrões, claro. Geralmente envolve uma piadinha sobre alguma característica das garotas).



Provavelmente Akira é a personagem que o autor mais gostou de criar, visto que eu tive que consultar o volume pra lembrar o nome das outras duas, e ainda mais porque eu praticamente não tenho nenhuma lembrança da Ayame, ao contrário da guitarrista apaixonada de cabelos curtos.


Mas progresso em si nós não temos muito (o que é típico de K-On!, de fato), é mais momentos da vida das garotas, delas se acostumando com o novo estilo de vida, e tendo aqueles momentos engraçadinhos do dia-a-dia.

É um slice of life, o que vocês queriam?

O desenvolvimento é o típico que se vê numa história guiada por tirinhas curtas, de 4 quadros (aqui, em casos especiais, mais ou menos): mas não chega a ser travada, e alguns momentos fluem como uma história em quadrinhos normal.



No entanto, ao contrário de coletâneas de quadrinhos que contam histórias ou arcos (como as de Calvin e Haroldo, por exemplo), aqui o "desfecho" no 4° quadro não é bem engraçado. Na verdade, as piadas não são de rolar de rir, mas se você se identifica com algumas personagens ou situações, pode soltar um risinho leve.

Em coletâneas de Calvin e Haroldo, o desfecho geralmente é uma piada mesmo, as tirinhas tem começo, meio e fim, não necessariamente precisando-se ler a anterior pra entender a atual, porque ela é auto-explicativa. Aqui não, é uma história fechada (sem um final "final") contada por tirinhas. É uma dinâmica diferente e que em alguns momentos pode-se até estranhar.



Assim que o volume foi aberto, a primeira coisa que me chamou a atenção foram as páginas coloridas. Eu fiquei surtando quando vi um material publicado no Brasil veio com páginas coloridas, pra descobrir que haviam mais páginas coloridas no miolo que ficaram em preto-e-branco.

Páginas que deveriam ser coloridas
Mas só por já ter páginas coloridas já é motivo pra me alegrar. Não sei exatamente como anda essa questão em outros títulos (porque sou pobre e bancas/livrarias boas estão fora de alcance), mas enfim, vocês entenderam.

Fora isso, há uma página que eu JURO que tá fora do canto. Na contra-capa, no momento em que se abre, há uma página com duas tirinhas e ambas já com a Akira.



Outro motivo que a revisão merece um peteleco são alguns deslizes, como alguns erros de digitação (devido a falta de atenção, creio); e uma das notas que seria necessária. Sim, há muitas notas explicativas (o que é bom, já que elas usam termos musicais e alguns costumes que não entenderíamos), mas uma das piadas envolve o "espirrar quando alguém fala de você", que é o mesmo caso da simpatia que a Mio usa em um momento, mas este é explicado, ao passo que o espirro não é, perdendo assim o sentido pra quem não sabe desse dizer popular japonês.


O traço varia do estilo "fofinho e engraçadinho" pro "cartunescamente bonito", com construções humanas belas, mas com um pé no cartunesco (sem ser exagerado).



Outra agradável surpresa foi uma página com alguns rascunhos e comentários sobre as novas personagens na última página. Parece ter sido colocada de última hora (por estar na contra-capa), mas não ficou ruim.


Em resumo: o volume vale a pena? Se você já é fã de K-On!, sim.  É uma história completa (o que chama mais atenção por não precisar comprar mais volumes), com um bom acabamento, páginas coloridas, traços agradáveis, e uma história bobinha e simples, apenas pra distrair. Não recomendo a quem não seja fã de slice of life ou coisas muito "menininha", provavelmente JoJo te agrade mais. Mas a fãs da série, é um  bom título. Engraçadinho, com novas personagens, novas situações, e continua sendo K-On!.
















Sana Fest 2014

Sim, eu fiz um vídeo sobre o SANA Fest 2014!
Sim, eu só pude ficar no sábado até as 12h porque tinha compromisso.
SIM O VÍDEO TÁ UMA PORCARIA mas vocês podem ver após o break:







Bônus:

The Innocent




Avi Arad é um israelense naturalizado estadunidense que durante muito tempo, foi presidente da Marvel Studios e tirou a empresa de situações críticas com licenciamento de personagens.

Um de seus projetos pessoais era fazer uma HQ nos estilos orientais. Com a ajuda de Junichi Fujisaku (Blood +, Ghost in the Shell, Moshidora) e Yasung Ko (Lost Seven, Stigmata), seu projeto pôde ser finalizado e o resultado é The Innocent, que foi lançado pela JBC no Brasil.





A história começa com Ash J. Wright, que é setenciado com a pena de morte injustamente, e o Comitê Angelical decide que ele poderá viver de novo, se ajudar outras pessoas na mesma situação. Para isso, designa Angel, um anjo que a primeira vista parece uma cópia da Rukia (e em parte é...), mas o modo com que Angel lida com Ash é totalmente diferente de Rukia com Ichigo.

À medida que a história se segue, descobrimos mais sobre os motivos que levaram Ash à cadeira elétrica, assim como a personalidade do mesmo, que é um anti-herói que tá pouco se lixando pras leis do Comitê e quer resolver seus problemas do próprio jeito.

Falemos primeiro da impressão. Não é comum ver one-shots à venda no Brasil, então a JBC quis chamar atenção pra este, colocando inclusive páginas coloridas. São apenas duas, referentes a uma arte e a aprentação dos autores. O papel não é quase transparente (como One Piece-Panini) e a gráfica não deixa nada a desejar.


A arte de Yasung Ko é tipicamente... Coreana. O design de Ash parece uma releitura de Raito (Death Note) com um cabelo levemente diferente. Não que seja um problema, o visual dele condiz com a personalidade de um cara sério. Os outros personagens estão mais caracterizados no estilo oriental, com olhos grandes. Fora o vilão, que tem um design mais realista, e Wal, que é o antagonista de Ash.

Mas eu não posso deixar essa chance escapar. O Ash da capa tá parecendo um personagem do Nas Garras da Patrulha, com ombros grandes e beiços grossos.

O grande destaque da arte provavelmente é também um problema em alguns casos. Ela é bastante detalhada e bela, sim, mas em alguns momentos é exagerada demais. Na tentativa de mostrar coisas demais acontecendo com poucos elementos, acaba-se causando uma certa confusão visual. Mas no geral, a arte é condizente com a proposta da história.

Detalhe pra balonagem, onde Angel tem um tipo de balão diferente dos outros personagens, o que ajuda quando Ash e Angel estão falando e não aparecem.

O desenvolvimento da história é... Corrido. Não que haja muita coisa acontecendo, mas os fatos nos são mostrados um atrás do outro, mostrando que poderia ser melhor executado em dois ou três volumes.



Outro problema da narrativa derivado deste primeiro é a péssima inclusão de certos elementos, como outro anjo chamado Holly White que aparece apenas pra explicar algo sobre a falta de asas de Angel, mas o assunto não é bem apresentado, nem mesmo pelo próprio Angel. Muito menos o citado Pacto de Sangue que Ash faz e nem os poderes overpower dele são bem explicado. É algo como "Caraca, o Ash pode fazer o Pacto de Sangue igual outra pessoa que também era overpower igual protagonista de Shonen", sem explicar exatamente quem é essa outra pessoa ou o que é o Pacto de Sangue. O que podemos deduzir é apenas que essa pessoa está ligada de alguma forma à perda das asas de Angel, mas não é um elemento bem trabalhado, o que é uma oportunidade desperdiçada.



Outro personagem mal-explorado é o guarda-costas do vilão, Wal. Ele serve de antagonista para Ash, em todos os sentidos: as roupas, o contraste entre o preto e branco, os cabelos e a personalidade.
...infelizmente também contrastam seus desenvolvimentos.

Vejam bem, sabemos pouco de Ash, mas principalmente porque ele é um cara fechado e frio, mas que no decorrer na história vamos conhecendo melhor a personalidade dele e seu passado.

Wal é um zé qualquer muito doidão cujo propósito de vida é matar um homem com nome de mulher.
E... É basicamente isso. Não sabemos porque ele pode ver Ash, qual a relação dele com Ash, nem ao menos sabemos se ele tem uma personalidade fora "assassino louco de pedra".
O que é chato é que ele parece ser um personagem muito bacana. Digo, um cara com problemas psicológicos e tendência pra matar, fora que ele aparece no verso do livro numa pose badass e que  condiz com a personalidade de assassino psicopata. No entanto, não tem muita função fora nos dar lutas maneiras e suas motivações são praticamente nulas.



Já que eu falei nos nomes, há algo que quero comentar. Sim, o nome "Ash" vem de "Ashley" e ambos servem tanto pra homem quanto pra mulher, mas aqui há analogias bem diretas, como o fato de Ash ser feito de cinzas ("ashes", em inglês) e poder manipulá-las; o vilão se chamar Flame Burns ("chama" e "queima") e a advogada Rain ("chuva"). Ao lerem, espero que entendam, não quero dar spoiler. E a propósito, o nome de Angel poderia ser mais criativo.

Há erros mínimos de roteiro, que mais uma vez mostram que a história poderia ter sido melhor desenvolvida com um ou dois volumes a mais, como a irmã do cara que Ash tem que ajudar que chega na advogada e mostra que sabe sobre Ash, mesmo sem antes nos mostrar como ela sabia. O que não é um problema, mas se torna um furo quando depois, não se explica como ela sabia. Ela podia muito bem ter pesquisado sobre a advogada e a relação dela com Ash antes e nos mostrar essa cena depois dela mostrar que sabia sobre Ash.

E finalmente, há uma discussão bem interessante sobre justiça e punição. Quem me conhece sabe que eu adoro esse tema e acho interessante colocá-lo em pauta.

Somando os prós e os contras, vale a pena?

Se você está procurando algo pra ler, quer sair da pancadaria normal, e ao mesmo tempo não quer gastar muito, eu recomendaria The Innocent. Mesmo com os erros de roteiro apontados, continua sendo uma história divertida e com elementos bem construídos, e que vão te dar alguns momentos de distração.

AKB48 - Satsujin Jiken



AKB48 é um grupo musical com trocentas meninas que se eu for falar delas especificamente, irá demorar um pouco, então recomendo ler esse texto do Alexandre Nagado que será bastante esclarecedor. Se quiser ler essa resenha antes, o que precisa saber é que AKB48 é uma espécie de coral-girl band, onde as meninas tem que parecerem eternas donzelas virgens.

Naturalmente, elas fazem vários papéis desde dublagens, atuação em séries e comerciais. E um dos comerciais deu origem a uma curta série veiculada na Shonen Sunday, "AKB48 Satsujin Jiken".




A história começa baseando-se em fatos reais: a saída (ou, como é chamado nesse meio, graduação), da queridinha dos fãs Atsuko Maeda (ou, como é mais conhecida, Acchan). Ela decide partir em carreira solo e decide chamar suas amigas do AKB mais próximas para conhecer essa carreira. Então descobrimos que ela seguiu o caminho mais lógico para uma idol: resolveu se tornar uma detetive.

Espera, o quê?

Mas, como último trabalho dentro da AKB, Acchan irá fazer um álbum de fotos com as outras membros numa ilha que acaba perdendo contato geral com a civilização. O que poderia dar errado?


Membros do AKB são friamente assassinadas, e Acchan é a única que poderá resolver esse mistério!
Uau, abençoadas sejam as Leis da Conveniência Universal!

O roteiro da mini-série é assinado por Gosho Aoyama, que criou Detective Conan (que, aliás, é citado em Satsujin Jiken). Nunca li Detective Conan, mas imagino que o cara tenha alguma experiência tratando-se se histórias de mistério.



Felizmente, o roteiro é bem-estruturado e imagino que não agradará somente aos fãs de AKB48. Os assassinatos vão deixando pistas para que se descubra a próxima vítima (já que se trata de uma serial killer), e até o método de mostrar o pensamento da culpada sem mostrar quem é é bastante criativo e não prejudica a leitura. Claro, ficaria estranho num live-action, por exemplo, mas não incomoda aqui.



Ainda falando da narrativa, ela parece se arrastar na metade, mas é compensada à medida que a história avança, de uma forma envolvente e que prende a atenção.

...ou talvez só funcione pra quem tenha alguma relação mais chegada ao trabalho delas. Talvez seja algo meio na linha de "My Little Dashie", só é tocante pros fãs de MLP.



A arte é assinada por Gotou Masaki, que aparentemente não fez nada além dessa mini-série. Mas é um traço bom e que nos poupa visualmente, já que tem 89 garotas na casa.
...o que de fato seria algo dispensável, uma vez que não são necessárias tantas garotas para fazer um álbum de fotos e certamente ficaria uma história mais limpa com pouco mais de uma dúzia de garotas como suspeitas.
Mas as garotas importantes pra história são retratadas fielmente com as suas contrapartes reais, bem como suas personalidades... Acho.

Em resumo, é uma boa mini-série de mistério que contém falhas mínimas, com enigmas bem montados. E como só tem 9 capítulos, vale a pena dar uma olhada mesmo que não seja tão fã de AKB48.

Bakuman - Mangá



O mangá “Bakuman” terminou recentemente. Uma das obras mais interessantes que vi ou li nesses anos.
A obra dos criadores de “Death Note” conseguiu ir além do que apenas mostrar como funciona o sistema da Jump, e os bastidores da criação de um mangá. Conseguiram passar conceitos, não apenas profissionais, mas também conselhos pra vida. Claro, há elementos apenas voltados ao universo vivido especificamente pelos japoneses, como os otakus. E a série tratou isso de uma maneira muito legal.

Uma vez que meu sonho é ser um quadrinhista profissional, me identifiquei pessoalmente com vários elementos da série. Isso antes mesmo de lê-la. Eu simplesmente não tinha paciência pra baixar tudo, e agradeço de coração a um amigo que me passou boa parte dos capítulos pra eu ler. Luan, se estiver lendo isso, muito obrigado, cara. Sério mesmo.
Enfim, vamos à história. Vou tentar não ser tão sentimental.




A história começa com uma criança chamada Mashiro Moritaka, e seu tio mangaká, conhecido como Kawaguchi Tarou. Mashiro tem muito talento pra desenhar, e ganhou prêmios de arte. Porém, ele não pretende ser um artista. Quer apenas terminar o colégio, entrar numa universidade, e depois numa boa empresa. Assim, Mashiro continua sua vida normalmente, sem muitas pretensões.

Mashiro passa para seu “Mundo Especial” quando um colega  de turma, chamado Takagi acha o caderno de Mashiro, e este volta para buscá-lo. Isso seria um fato normal, se não fosse o fato de que Mashiro costumava desenhar no caderno, e desenhava apenas uma garota chamada Azuki Miho, que nutria sua paixão.
Takagi, vendo as habilidades de desenhista de Mashiro, o convida para fazerem um mangá juntos. Mashiro a início recusa, mas depois aceita. E assim começa as histórias da dupla.



Pra quem gosta de estudar quadrinhos ou simplesmente gosta de saber como são criadas as séries, “Bakuman” é um prato cheio. Referências e citações também não faltam: autores e obras são citados a todo momento, sejam essas obras e autores famosos (como Akira Toriyama, de Dragon Ball; e Osamu Tezuka) ou não (Shoutarou Ishinomori, de Kamen Rider e Kikaider. Prestem atenção em algumas poses de Niizuma Eiji, por exemplo.). Claro que isso digo por aqui, quase ninguém conhece Kamen Rider. Você vai conhecer alguns autores e obras interessantes, no mínimo.

O roteiro é muito inteligente e Tsugumi Oba sabe como narrar uma história, prendendo sua atenção. Mais que isso, uma história que realmente tem algum bom conteúdo. Os personagens são carismáticos e realistas e cada um tem características marcantes. Apenas uma época do mangá eu percebi que o roteiro ficou um pouco fraco, que não saía muito de um molde que vinha sendo repetido, mas aos poucos foi melhorando e voltando ao normal. Os arcos também são muito bem escritos (embora pessoalmente ache que os primeiros arcos foram mais marcantes que os do meio, mas isso é mais nostalgia mesmo), e exploram as possibilidades que um artista do ramo tem/poderia ter. (Devemos lembrar que é uma obra de ficção, então algumas coisas são quase impossíveis de acontecer, como o relacionamento entre o pai de Kaya e o tio de Mashiro e a mãe da Azuki. Se quiserem saber o que é, leiam, eu não vou dar spoiler.)



Os personagens de apoio também são uma atração à parte. Na maior parte, você vai sentir mais atração pelos mangakás que pelos editores (embora eu admire o editor-chefe), mas isso é normal, já que eles são mais desenvolvidos que os editores. Eles vão desde os mais exagerados (como o Hiramaru e o Eiji ["KATCHINN!! CHÁÁÁ!!"]) até os mais calmos (como Aoki Ko e Takahama). Aliás, esse é, na minha opinião, um problema. Tem muito personagem, e alguns você acaba esquecendo quem são. Você se lembra deles vagamente, mas não exatamente quem são. Quando a Iwase reapareceu, eu tive que voltar capítulos pra me lembrar quem era.

O desenho de Obata também é muito bom. Em Death Note, os personagens eram mais realistas, e a história era mais séria. Aqui, eu creio que ele teve mais liberdade, talvez até demais, pois além de fazer os desenhos dos personagens em si, ele fez alguns desenhos das séries dos mangakás, e os estilos eram bem diferentes entre si. Foi um desafio a mais, digamos assim. Os personagens são bem construídos e Obata consegue fazer tanto uma expressão séria e determinada quanto uma extremamente cartunesca. Em Death Note ele não tinha tanta liberdade e aqui ele pôde mostrar mais o que sabe fazer. (Sem desmerecer Death Note.)

Uma coisa que eu queria chamar atenção era o romance da série. Muitas vezes as histórias de romance que vemos são muito melosas, ou muito irreais. Em Bakuman, foi uma coisa linda.
Mashiro e Azuki se comunicam apenas por mensagens de texto, muito dificilmente ligam um pro outro, muito menos se encontrarem. Somente em emergências eles se veem cara-a-cara. E isso é algo muito bacana.
Mesmo que se passe muito tempo, eles vão manter a promessa de não se verem enquanto não realizarem seus sonhos. Isso é muito bonito, especialmente no arco do hospital e no arco final. Leiam e concordem comigo, é lindo, é puro. Faz lembrar a história bíblica de Jacó, que trabalhou por 7 anos na fazenda de Labão para se casar com sua filha Raquel. Labão o enganou dando a outra filha, Lia. Jacó trabalhou mais 7 anos pra se casar com Raquel. Ambas as histórias refletem um amor verdadeiro, puro, e bonito. E mais realista que muitos filmes de romance, tanto os normais quanto os “teen”. Não vou citar Crepúsculo porque a história de amor entre o Kel e refrigerante de laranja consegue ser mais interessante e profundo que aquilo. Eu diria mais maduro, até.


Recentemente, Bakuman foi lançado no Brasil pela JBC. Ainda não tive grana pra comprar (e nem achei também), mas pretendo juntar dinheiro e comprar alguns. Assim que comprar, eu venho aqui falar sobre eles. E sim, pretendo falar do anime, mas vou esperar o anime terminar finalmente.

Conclusão: Se ainda não leu Bakuman, VÁ LER AGORA. Não se arrependerá.

One Piece Vol.1

One Piece é uma série de mangá e anime que tem um sucesso monstro no mundo todo. Criado por Eiichiro Oda, a história conta sobre um guri de uma vila que quer se tornar o Rei dos Piratas encontrando o One Piece, maior tesouro do mundo, deixado por Gol D. Roger.

O mangá já estava/está sendo publicado aqui no Brasil pela Conrad, e agora passou pra Panini. Então, a Panini resolveu relançar os volumes 1 e 2! HURRAY!






Eu juntei dinheiro que ganhei matando porings, trolls, orcs e noobs no PVP, então consegui comprar o primeiro volume.

...é uma longa história.




Primeiro vou falar da história.

A história básica todo mundo já sabe. Existiu um pirata chamado Gol D. Roger que conseguiu tudo que queria: dinheiro, fama, dinheiro, poder, dinheiro, automóveis, dinheiro, iates, dinheiro, mulheres... Peraí, acho que essa é outra história.
Enfim, o tio Roger conseguiu ficar podre de rico, e na plataforma de execução, ele disse que todo o dinheiro que ele acumulou deixou num lugar escondido e deixou pra quem quisesse procurar. Daí o mundo entrou na Grande Era dos Piratas, e todos os piratas do mundo foram atrás do One Piece.

Se tivesse mandado essa mensagem pro espaço, os Gokaiger já estariam gastando esse dinheiro.

Enfim, daí somos mandados pra uma ilha onde conhecemos o jovem Luffy, que admira um pirata chamado Shanks. Luffy quer porque quer entrar no bando, mas acaba descobrindo que a vida no mar é muito dura, quando Shanks o salva de um monstro marinho e perde um braço no processo.

Ah, sim. O Luffy também come uma fruta chamada "Fruta-do-Diabo" (Akuma no Mi), que dá poderes pra quem a come. Luffy comeu uma do tipo "Gomu-Gomu no Mi", que o permitiu se esticar, porém, a preço de não poder mais nadar.

Daí, depois que cresce, Luffy vai juntar uma galerinha do barulho pra viver altas confusões procurando o One Piece.

Não vou contar o resto da história no volume, porque algumas pessoas ainda não leram. Eu resumi um resumo resumido do primeiro capítulo, então não me venham reclamar.

Amostra de página

O traço do Oda é muito bom, algumas vezes tende a ficar meio exagerado demais (como na primeira vez que o Luffy pirralho aparece), mas normalmente o exagerado dele é mais normal. E mesmo assim ele não faz só o estilo cartunesco, mas também belas mulheres, homens fortes, crianças pequenas e bonitinhas, momentos de puro badass e por aí vai.

Enfim, a qualidade do papel é boa, resistente, e a capa parece plastificada. Enfim, normal.

O que eu gostei é que mantiveram a ordem original no volume. Digo, pela Conrad, eles vinham pela metade. Vol 1 japonês era o vol.1 e 2 brasileiro, se não me engano. Aqui não, está o volume japonês completo.
Ah, sim, a palavra do autor a cada intervalo de capítulo também está lá, e uma palavrinha do autor antes de começar o volume, inclusive com uma foto dele usando uma máscara de alien.
...não vou discutir, eu tenho uma máscara do Ultraman e sou aspirante a desenhista. Deve ser algum mal da profissão.
"Eu só quero que... Busquem conhecimento.
E comprem os produtos de One Piece."

O que não gostei, foi que algumas páginas vieram meio manchadas, como as contra-capas e uma página dentro. Isso diminui o trabalho? De forma alguma, eu estou resenhando baseado no produto que comprei, não tenho certeza se outros também vieram do mesmo jeito. Não posso criticar essa parte muito bem, mas é um ponto a se considerar.
Também não gostei de não ter páginas coloridas. Digo, elas estão lá, mas em preto-e-branco. É um erro comum aqui no Brasil, mas espero que isso possa mudar em títulos futuros.

Um pouco de manchado, mas nada que atrapalhe.

Enfim, a compra vale a pena?
Eu diria que você deveria desligar seu computador, ir pra alguma banca e comprar.
Se não tiver dinheiro, faça como eu, mate monstros e noobs no PVP, que dá mais dinheiro que estudo.
...Sério, vale a pena.