Mostrando postagens com marcador Turma da Mônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Turma da Mônica. Mostrar todas as postagens
Super Review Time 02 - Gibis (Parte 2)
SRT Episódio 1 - Gibis (parte 1)
Chico Bento: Pavor Espaciar
O personagem Astronauta, de Maurício de Sousa, já havia ganhado uma Graphic Novel nas mãos de Danilo Beyruth, assim como a Turma da Mônica em Laços de Vitor e Lu Cafaggi (que eu ainda não tive o prazer de pôr as mãos).
Mas consegui ler "Pavor Espaciar", do cartunista, chargista, colaborador do "Lance!" e quadrinhista Gustavo Duarte, que já havia lançado os álbuns "Có!", "Taxi" e "Birds" (com característica marcante e comum de não possuírem diálogos), além de ganhar prêmios do Troféu HQ Mix.
A história é bastante simples: Chico Bento e Zé Lelé vão passar uma noite sozinhos em casa enquanto os pais de Chico visitam uns parentes. Mas, como são crianças indefesas e ninguém acreditaria nelas, aparecem alienígenas e raptam Chico e Zé, além do porco Torresmo e a galinha Giselda.
E... Basicamente é isso. Não há reviravoltas, grandes temas complexos, filosofias sobre a humanidade e sua existência. É simplesmente uma história do Chico Bento, apenas exagerando em alguns pontos. O que é bom, porque não foge do clima das histórias de sempre do pequeno caipira, assim como o Astronauta de Danilo não fugiu ao tom melancólico que constantemente toma o personagem.
A arte é simplesmente linda. Gustavo tem uma maneira bastante única de fazer seus personagens, dando a eles bastante expressividade. O que é bem útil, pois boa parte do álbum é narrada sem falas. Embora em alguns momentos (como o mostrado abaixo) a característica boca fique meio exagerada, dando ao personagem uma cara estranha.
Ainda falando da arte, a finalização também é muito bem trabalhada. O estilo cartunesco de Gustavo possui personagens com bocas imensas, e graças ao belo acabamento, dá até pra imaginar o dedo dentro (como se fossem bonecos, claro).
Na apresentação, o Sr. Maurício diz que a arte de Gustavo é tão dinâmica que quase dá pra vê-los se mexendo. Achei que fosse exagero, mas quando li, entendi. Fora o estilo ser bem propício a uma animação, o modo que os quadros e as cenas retratadas são tão interligadas que realmente lembra uma animação. Algo semelhante ao que Shotaro Ishinomori costumava fazer.
O fato de a arte não possuir onomatopeias ou linhas de movimento ajudam a produzir essa ideia de desenho animado, sem chegar a prejudicar a leitura. Em alguns momentos, cheguei a "ouvir" os sons dos passos na trilha sonora, recurso que os desenhos cômicos usam constantemente.
Fora a história, há vários easter eggs durante a leitura. Alguns mais óbvios, outros mais escondidos, que dão um toque final na narrativa.
A apresentação do Roger, do Ultrage a Rigor, apresenta o artista, mas não me pareceu muito inspirado pra escrever. Ao contrário do Mauricio, que chega a mostrar uma certa intimidade com o leitor, por meio de marcas de oralidade.
Extras de esboços e curiosidades no final, bem como um breve histórico do personagem Chico Bento, fecham o álbum com leveza.
"Pavor Espaciar" é um típico "causo" de interior. É uma história relativamente curta, mas se o leitor for parar pra ver cada referência, além de apreciar a arte, vai passar mais tempo e, logicamente, aproveitar mais.
Mas consegui ler "Pavor Espaciar", do cartunista, chargista, colaborador do "Lance!" e quadrinhista Gustavo Duarte, que já havia lançado os álbuns "Có!", "Taxi" e "Birds" (com característica marcante e comum de não possuírem diálogos), além de ganhar prêmios do Troféu HQ Mix.
A história é bastante simples: Chico Bento e Zé Lelé vão passar uma noite sozinhos em casa enquanto os pais de Chico visitam uns parentes. Mas, como são crianças indefesas e ninguém acreditaria nelas, aparecem alienígenas e raptam Chico e Zé, além do porco Torresmo e a galinha Giselda.
E... Basicamente é isso. Não há reviravoltas, grandes temas complexos, filosofias sobre a humanidade e sua existência. É simplesmente uma história do Chico Bento, apenas exagerando em alguns pontos. O que é bom, porque não foge do clima das histórias de sempre do pequeno caipira, assim como o Astronauta de Danilo não fugiu ao tom melancólico que constantemente toma o personagem.
A arte é simplesmente linda. Gustavo tem uma maneira bastante única de fazer seus personagens, dando a eles bastante expressividade. O que é bem útil, pois boa parte do álbum é narrada sem falas. Embora em alguns momentos (como o mostrado abaixo) a característica boca fique meio exagerada, dando ao personagem uma cara estranha.
Ainda falando da arte, a finalização também é muito bem trabalhada. O estilo cartunesco de Gustavo possui personagens com bocas imensas, e graças ao belo acabamento, dá até pra imaginar o dedo dentro (como se fossem bonecos, claro).
Na apresentação, o Sr. Maurício diz que a arte de Gustavo é tão dinâmica que quase dá pra vê-los se mexendo. Achei que fosse exagero, mas quando li, entendi. Fora o estilo ser bem propício a uma animação, o modo que os quadros e as cenas retratadas são tão interligadas que realmente lembra uma animação. Algo semelhante ao que Shotaro Ishinomori costumava fazer.
O fato de a arte não possuir onomatopeias ou linhas de movimento ajudam a produzir essa ideia de desenho animado, sem chegar a prejudicar a leitura. Em alguns momentos, cheguei a "ouvir" os sons dos passos na trilha sonora, recurso que os desenhos cômicos usam constantemente.
Fora a história, há vários easter eggs durante a leitura. Alguns mais óbvios, outros mais escondidos, que dão um toque final na narrativa.
A apresentação do Roger, do Ultrage a Rigor, apresenta o artista, mas não me pareceu muito inspirado pra escrever. Ao contrário do Mauricio, que chega a mostrar uma certa intimidade com o leitor, por meio de marcas de oralidade.
Extras de esboços e curiosidades no final, bem como um breve histórico do personagem Chico Bento, fecham o álbum com leveza.
"Pavor Espaciar" é um típico "causo" de interior. É uma história relativamente curta, mas se o leitor for parar pra ver cada referência, além de apreciar a arte, vai passar mais tempo e, logicamente, aproveitar mais.
Astronauta: Magnetar
Maurício de Sousa é um ícone nacional. Criador da Turma da Mônica, Astronauta, Penadinho, Piteco, e tantos outros personagens que marcaram gerações, hoje é mais um empresário que um quadrinhista, de fato.
Diversos quadrinhistas brasileiros tiveram suas vidas/carreiras influenciadas pelas obras do Maurício de Sousa, e o mesmo deu a oportunidade de alguns desses artistas fazerem suas releituras do universo criado por Maurício, com as coletâneas "MSP por 50 Artistas", que rendeu uma continuação e o livro "Ouro da Casa", com a mesma premissa, mas usando os artistas de dentro dos estúdios.
"Astronauta: Magnetar" é o primeiro título do selo Graphic MSP, que pretende mostrar releituras do universo "mônico" para um público mais adulto e/ou maduro (porque uma história ser "adulta" não quer dizer necessariamente que é madura). A aventura foi escrita e desenhada por Danilo Beyruth, que já trabalhou no segundo volume da coletânea citada anteriormente ("MSP por mias 50 Artistas") e em "Bando de Dois", além de um personagem próprio, o Necronauta. Como ele se saiu com "Magnetar"?
A história trata sobre uma aventura do Astronauta. Vemos um fragmento de sua infância, no interior, pescando com seu avô, que transmite toda a sua sabedoria popular ao seu neto.
Depois somos levados ao espaço, onde o Astronauta investiga o Magnetar, uma estrela de nêutrons imensa.
No entanto, após uma pequena falha do protagonista, ele fica "naufragado" no meio do espaço, sem contato com nada nem com ninguém. Até mesmo o seu "Wilson", o Computador de Bordo, sofre danos e fica incapacitado de ajudar o Astronauta. Ou seja, o herói está sozinho no espaço, sem comunicação, e graças aos efeitos do Magnetar, começa a ficar louco.
A narrativa é de fácil entendimento, onde o autor, com o auxílio de um estudioso do tema, explica todos os termos científicos chatos e que provavelmente nunca ouvimos falar em nossas vidas, tudo num glossário bonitinho no final do livro.
O legal é que, quando terminei de ler, senti como se tivesse lido uma história aleatória do Astronauta. Eu tive uma revista que era só história do herói ovo de páscoa azul espacial, e muitas delas eram só aventuras normais, e outras incluíam reflexões filosóficas que cutucavam diretamente o pensamento de nós, terráqueos comuns. Em "Magnetar", algo parecido acontece, e é mostrado de uma forma bem interessante e desenvolvida.
Infelizmente, o tema de solidão e insanidade poderia ter sido melhor trabalhado e até mesmo estendido. Não que tivesse ficado ruim, mas ficou um pouco... Rápido demais. Poderia ter desenvolvido um pouco mais.
Os desenhos são excelentes. O visual do Astronauta, como também seu uniforme, recebeu uma boa repaginada para se tornar mais realístico e palpável, sem perder a essência. Inclusive, recebeu até um toque meio Homem de Ferro, com vários uniformes diferentes, um para cada ocasião. Isso sem falar na detalhada estrutura da nave.
O único defeito que encontro nos desenhos, são alguns traços aqui e acolá que saem dos quadros, mas não é nada que atrapalhe e só tou citando isso porque eu sou chato mesmo.
Pra fechar, ainda tem as belas core de Cris Peter, que casam perfeitamente com as situações mostradas.
Como bônus, ainda temos uma galeria de esboços de Danilo, e um pequeno texto sobre o Astronauta, seguido da primeira história publicada do herói.
A propósito, eu descobri que sou parente do Astronauta.
Com duas versões (uma de 19,90 de capa simples, e outra de 29,90, com capa dura pra colecionador), "Astronauta Magnetar" é uma graphic novel com uma releitura inteligente de um personagem clássico nacional. Vale MUITO a pena comprar.
Diversos quadrinhistas brasileiros tiveram suas vidas/carreiras influenciadas pelas obras do Maurício de Sousa, e o mesmo deu a oportunidade de alguns desses artistas fazerem suas releituras do universo criado por Maurício, com as coletâneas "MSP por 50 Artistas", que rendeu uma continuação e o livro "Ouro da Casa", com a mesma premissa, mas usando os artistas de dentro dos estúdios.
"Astronauta: Magnetar" é o primeiro título do selo Graphic MSP, que pretende mostrar releituras do universo "mônico" para um público mais adulto e/ou maduro (porque uma história ser "adulta" não quer dizer necessariamente que é madura). A aventura foi escrita e desenhada por Danilo Beyruth, que já trabalhou no segundo volume da coletânea citada anteriormente ("MSP por mias 50 Artistas") e em "Bando de Dois", além de um personagem próprio, o Necronauta. Como ele se saiu com "Magnetar"?
A história trata sobre uma aventura do Astronauta. Vemos um fragmento de sua infância, no interior, pescando com seu avô, que transmite toda a sua sabedoria popular ao seu neto.
Depois somos levados ao espaço, onde o Astronauta investiga o Magnetar, uma estrela de nêutrons imensa.
No entanto, após uma pequena falha do protagonista, ele fica "naufragado" no meio do espaço, sem contato com nada nem com ninguém. Até mesmo o seu "Wilson", o Computador de Bordo, sofre danos e fica incapacitado de ajudar o Astronauta. Ou seja, o herói está sozinho no espaço, sem comunicação, e graças aos efeitos do Magnetar, começa a ficar louco.
A narrativa é de fácil entendimento, onde o autor, com o auxílio de um estudioso do tema, explica todos os termos científicos chatos e que provavelmente nunca ouvimos falar em nossas vidas, tudo num glossário bonitinho no final do livro.
O legal é que, quando terminei de ler, senti como se tivesse lido uma história aleatória do Astronauta. Eu tive uma revista que era só história do herói ovo de páscoa azul espacial, e muitas delas eram só aventuras normais, e outras incluíam reflexões filosóficas que cutucavam diretamente o pensamento de nós, terráqueos comuns. Em "Magnetar", algo parecido acontece, e é mostrado de uma forma bem interessante e desenvolvida.
Infelizmente, o tema de solidão e insanidade poderia ter sido melhor trabalhado e até mesmo estendido. Não que tivesse ficado ruim, mas ficou um pouco... Rápido demais. Poderia ter desenvolvido um pouco mais.
Os desenhos são excelentes. O visual do Astronauta, como também seu uniforme, recebeu uma boa repaginada para se tornar mais realístico e palpável, sem perder a essência. Inclusive, recebeu até um toque meio Homem de Ferro, com vários uniformes diferentes, um para cada ocasião. Isso sem falar na detalhada estrutura da nave.
O único defeito que encontro nos desenhos, são alguns traços aqui e acolá que saem dos quadros, mas não é nada que atrapalhe e só tou citando isso porque eu sou chato mesmo.
Pra fechar, ainda tem as belas core de Cris Peter, que casam perfeitamente com as situações mostradas.
Como bônus, ainda temos uma galeria de esboços de Danilo, e um pequeno texto sobre o Astronauta, seguido da primeira história publicada do herói.
A propósito, eu descobri que sou parente do Astronauta.
Com duas versões (uma de 19,90 de capa simples, e outra de 29,90, com capa dura pra colecionador), "Astronauta Magnetar" é uma graphic novel com uma releitura inteligente de um personagem clássico nacional. Vale MUITO a pena comprar.
Previous PostPostagens mais antigas
Página inicial



